Mídia

Fox News: ''Abarrotada de mentiras''

Análise revela que, em apenas cinco dias, a Fox News divulgou 253 informações errôneas na cobertura da Covid-19. A rede, disse um pesquisador do MMFA, "minimiza a ameaça do vírus, rejeita as recomendações dos funcionários da saúde pública e deturpa o consenso científico sobre a doença"

17/07/2020 10:40

O programa

Créditos da foto: O programa "The Ingraham Angle", da Fox, foi responsável por um quarto de todas as informações errôneas sobre o coronavírus na rede durante o período estudado de cinco dias. (Fox News via MMFA)

 

A Fox News atingiu os telespectadores com uma "avalanche de informações erradas" em sua cobertura da crise do coronavírus, nos dias entre 6 a 10 de julho, de acordo com um grupo nacional de vigilância da mídia que documentou pelo menos 253 casos na cobertura da rede que minam a ciência, politizam a pandemia e enfatizam questões econômicas e promovem outras mentiras ou posições problemáticas apenas nesses cinco dias.

A Media Matters for America (MMFA) observou em comunicado que sua nova análise divulgada na quinta-feira (16/7) vem na sequência de uma reportagem do Yahoo News, no início deste mês, que afirmava que as mensagens da Fox News sobre a Covid-19 estavam passando por uma "reviravolta notável" comparativamente à sua cobertura anterior para "reconhecer ... que o coronavírus é uma ameaça muito mais grave."

Em contraste com o tipo de mudança relatada pelo Yahoo, a MMFA revelou que:

- Quase metade da desinformação sobre a pandemia de Covid-19 da Fox foi sobre a ciência do coronavírus e recomendações de saúde de especialistas (115 vezes).

- A Fox politizou medidas de saúde pública recomendadas, como uso de máscaras e fechamento de negócios (63 vezes).

- A Fox enfatizou a economia e reabertura das escolas em 46 oportunidades, apesar das preocupações com a saúde pública.

- O programa "The Ingraham Angle", da Fox, foi responsável por um quarto de todas as informações errôneas sobre o coronavírus na rede durante o período de cinco dias estudado.

- Os programas de notícias diretas da Fox foram responsáveis por mais de um terço de toda a desinformação do coronavírus.

"A apresentadora da Fox, Laura Ingraham, e seu programa no horário nobre 'The Ingraham Angle' apresentou informações errôneas, sobre o coronavírus, com muito mais frequência do que outras personalidades e programas da Fox durante a semana de 6 de julho", explica Rob Savillo, analista de pesquisa do MMFA.

"A própria Ingraham promoveu a desinformação do coronavírus 38 vezes, incluindo 21 casos de minar e deturpar a ciência do coronavírus e 13 casos de politizar a resposta à pandemia", continua ele. "As personalidades da Fox e os convidados de “The Ingraham Angle” foram responsáveis por um surpreendente número de 63 casos de desinformação".

O relatório da MMFA apresenta vários vídeos da cobertura Covid-19 da rede, incluindo o clipe de 8 de julho da Fox & Friends, que ficou em segundo lugar após o show de Igraham em termos de informações erradas durante o período analisado:

"A Fox argumentou contra a ordem de ficar em casa e o fechamento de negócios, embora as evidências mostrem que as paralisações provavelmente evitaram até 60 milhões de infecções nos EUA", ressalta Savillo. "A rede chega mesmo a argumentar contra a eficácia do uso de máscaras, com o apresentador Tucker Carlson alegando 'não há evidências' de que as máscaras ajudem a impedir a propagação do coronavírus. Isso contraria explicitamente as recomendações da Organização Mundial da Saúde e dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA de uso de máscaras para o público em geral, a fim de impedir a propagação do coronavírus".

Citando seis pesquisas que mostraram que os telespectadores da Fox "são lamentavelmente - e perigosamente - mal informados sobre o coronavírus", Savillio diz que "esses eventos recentes ilustram as consequências no mundo real da transmissão contínua pela Fox de informações errôneas que minimizam a ameaça do vírus, rejeitam as recomendações das autoridades de saúde pública e deturpa o consenso científico sobre a doença ".

Grandes empresas, incluindo Amazon, Kraft Heinz, Pzifer e Verizon, são os principais patrocinadores dos programas da rede "e, como resultado, ajudaram a financiar os esforços de desinformação da Fox News para minar a saúde pública e ajudar as chances de reeleição do presidente Trump", de acordo com o comunicado da MMFA que anuncia o relatório. "Todos eles anunciaram na rede Fox várias vezes em julho".

*Publicado originalmente em 'Common Dreams' | Tradução de César Locatelli

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