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Guerra ameaça patrimônio histórico mundial no Líbano

25/07/2006 00:00

Carta Maior - ANSA

BEIRUTE – A cidade de Baalbek, que se tornou alvo de pelo menos 17 ataques aéreos israelenses que mataram três civis, localiza-se no Vale do Bekaa (80 quilômetros a leste de Beirute, próxima à fronteira com a Síria), onde antigas culturas sobrepuseram-se deixando testemunhos arqueológicos declarados em 1984 como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

As origens de Baalbek, sede do culto do deus Baal, chamada Heliópolis na Idade Helenística, remontam a duas colônias de habitantes provenientes de Canaã, datadas da idade do bronze, sobre as quais os romanos construíram sucessivamente diversos templos e outras obras, cujas ruínas se podem admirar até hoje, junto aos restos do imponente templo de Júpiter, ao qual era dedicado o santuário.

A partir de 1955 começou a ser organizado o Festival de Baalbek, uma reunião de espetáculos de vários gêneros, interrompida pela guerra civil libanesa (1975-1990), quando a cidade, hoje com cerca de 20 mil habitantes em sua maioria xiita, tornou-se um reduto do movimento islâmico Hezbollah.

Após 1990, a situação normalizou-se lentamente, tornando possíveis as visitas turísticas ao sítio arqueológico, e a partir de 1997 foram retomadas as edições do Festival de Baalbek.

Cessar-fogo
O ministro da Cultura libanês, Tarek Mitri, fez um apelo para que o diretor-geral da Unesco, Kochiro Matsuura, interceda e tente o cessar-fogo de bombardeamentos israelenses que ameaçam duas antigas cidades romanas no Líbano, consideradas patrimônio cultural mundial. A informação foi divulgada pela agência oficial libanesa NNAao.

No apelo, Mitri afirmou que as ruínas romanas em Tiro e Baalbek, respectivamente no sul e a leste do Líbano, "correm perigo imediato" por causa dos bombardeios israelenses.

"Solicito a sua intervenção o mais rápido possível para que, com base na convenção de Haia de 1954, que determina a proteção do patrimônio cultural em tempos de conflitos armados, Israel suspenda os ataques que ameaçam Baalbek e Tiro. Isso, para prevenir uma catástrofe a um patrimônio cultural mundial", escreveu Mitri no apelo.

História e mitos
Além das ruínas romanas, o sítio de Baalbek ainda guarda o famoso terraço de Baalbek no vale de Beqa’a, que é uma das cartas fortes dos divulgadores da hipótese de "antigos astronautas", segundo a qual, em um passado longínquo, habitantes de outros mundos visitaram a Terra. Esses navegantes dos espaços interestelares teriam deixado como prova de sua passagem mitos dispersos e construções inexplicáveis.

Supostamente, o Grande Terraço de Baalbek é uma dessas construções que a arqueologia moderna, com todos os recursos de que dispõe, é incapaz de explicar. Ninguém sabe quem o edificou, nem quando, nem como. Um conjunto de templos da época romana foi construído entre os séculos I e III d.C. sobre ruínas gregas prévias, e os edifícios gregos sobre outras ainda anteriores. O Grande Terraço é uma plataforma construída com as maiores pedras talhadas conhecidas, blocos megalíticos que foram cortados com grande precisão e colocados para formar fundamentos de 460.000 metros quadrados de superfície. Nesta plataforma, encontram-se os três colossais blocos conhecidos como o Trilithon, cada um dos quais mede quase 20 metros de comprimento, com uma altura de aproximadamente 4 metros e uma largura de 3. O peso de cada um desses monolitos monstruosos foi estimado entre mil e duas mil toneladas; são de granito vermelho, e foram extraídos da pedreira a mais de um quilômetro de distância, vale abaixo em relação à construção. Não existe nenhum mecanismo na atualidade nem nenhuma tecnologia moderna capaz de mover seu grande peso e colocá-o precisamente nesse lugar. É ainda mais extraordinário o fato de que na pedreira exista um bloco ainda maior, conhecido pelos árabes como Hajar el Gouble, ou Pedra do Sul. Naturalmente, com respeito a tudo isto, a ciência oficial permanece em um silêncio embaraçoso.






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