Mídia

Imprensa ajuda a desconstruir conquistas. 'Pior momento desde a redemocratização'

Para Amelinha Teles e Rogério Sottili, Bolsonaro e suas propostas representam perigo aos preceitos fundamentais da pessoa humana

11/12/2018 10:32

Ativista e diretor-executivo apontam desarmamento como exemplo de ameaça à garantia de vida previsto pela Declaração (Fernando Frazão EBC/Reprodução)

Créditos da foto: Ativista e diretor-executivo apontam desarmamento como exemplo de ameaça à garantia de vida previsto pela Declaração (Fernando Frazão EBC/Reprodução)

 

São Paulo – A celebração dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos completados nesta segunda-feira (10) ocorre no Brasil sob más perspectivas com próximo governo de Jair Bolsonaro (PSL), que pode significar um retrocesso para as garantias sociais. "Se já está ruim, vai ficar muito pior, viveremos os piores momentos desde a redemocratização", antecipa o diretor-executivo do Instituto Vladmir Herzog, Rogério Sottili.

No entanto, apesar das ressalvas, em diálogo sobre direitos Humanos e as perspectivas para 2019, mediado pela jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual, Sotilli destaca a organização da sociedade civil para enfrentar esse cenário. "Faz parte da luta política e terá resistência", afirma.

Acompanhado da integrante da União das Mulheres de São Paulo e da Comissão Mortos e Desaparecidos Políticos, Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha, os dois concordam em uma resistência com base na Declaração, Constituição Federal e diversos documentos reconhecidos também mundialmente.

"Acho que é por aí que nós vamos resistir", avalia Amelinha apontando também a participação da grande mídia na desconstrução de conquistas históricas, entre elas, "a justiça sendo feita com as próprias mãos", amparada pelo armamento de civis defendido por Bolsonaro.

"É uma forma de privatização da segurança publica, que passa a ser um problema individual", critica a ativista. Sottili acrescenta ainda a proposta de desarmamento como uma contraposição aos preceitos da declaração.

"É uma carta para fazer a vida valer a pena, nós precisamos cuidar da vida. E no preâmbulo dela, ela enfatiza que os direitos humanos são a base da liberdade, da justiça e da paz no mundo", afirma Sottili.

*Publicado originalmente na Rede Brasil Atual

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