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L'Humanité em risco de acabar

Há muito que são conhecidas as graves dificuldades do jornal, mas esta semana soube-se que o antigo órgão do Partido Comunista Francês, precisa de três milhões de euros urgentemente. O jornal lançou uma campanha especial de recolha de fundos e de assinaturas

01/02/2019 15:08

O site do divulga a campanha em defesa do jornal (Reprodução)

Créditos da foto: O site do divulga a campanha em defesa do jornal (Reprodução)

 
Segundo o Público, o L’Humanité divulgou na passada segunda-feira a verdadeira situação do jornal, que se encontra sob proteção do Tribunal de Comércio, desde a semana passada, e tem de juntar pelo menos três milhões de euros urgentemente. Se tal não acontecer o jornal pode encerrar já em fevereiro.

Este mês, os salários dos 175 trabalhadores, dos quais 124 jornalistas, serão pagos por um fundo de garantia. No dia 7 de fevereiro, será conhecida a decisão do Tribunal de Comércio sobre a proposta de recuperação do jornal.

L’Humanité foi fundado em 1904 pelo socialista francês Jean Jaurés e foi um órgão socialista até 1920. A partir de 1920, com o Congresso de Tours, o jornal tornou-se o "órgão central" do Partido Comunista francês, situação que se manteve até 1994. Entre 1994 e 1999, passou a ter escrita a menção “jornal do PCF”, frase retirada em 1999. A partir daí, o PCF continua a ser o “editor” do jornal e os seus militantes continuam a difundi-lo, mas a linha editorial deixou de ser conduzida pela direção do PCF.1

Durante a Guerra Fria, o jornal seguiu estritamente a orientação política do PCF e da União Soviética, tendo defendido, nomeadamente, a ocupação da Hungria. Em Maio de 1968, publicou inicialmente textos acintosos de dirigentes do PCF contra o movimento, só tendo moderado a posição com a greve geral de 13 de maio de 1968.

Ao longo de décadas de publicação, porém, destacou-se, em geral, pelo apoio às lutas dos trabalhadores e às lutas anticoloniais pela libertação nacional, possuindo uma longa tradição de difusão das lutas populares de todo o mundo e de defesa da paz.

A mobilização e apoio ao jornal tem crescido desde o apelo do seu diretor na passada segunda-feira, ampliando-se a muitas pessoas para além da orla de simpatia do PCF. Apoio esse que inclui mesmo políticos de outros partidos e personalidades de diversas correntes políticas. Em notícia desta quinta-feira, o jornal salienta o apoio de muitas personalidades da França e de outros países europeus. Éric Toussaint, porta-voz do Comité para a abolição das dívidas ilegítimas (CADTM), é citado pela sua mensagem: “nenhum outro jornal pode substituir a difusão da informação realizada pelo L’Humanité”.

Nota:

1 Ver L’Humanité na wikipedia em francês

*Publicado originalmente em esquerda.net

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