Mídia

Lenda indígena sobre o sol e a lua é tema de exposição no MuBE

07/05/2005 00:00

Agência Carta Maior

A lenda indígena bakairi sobre como o sol e a lua foram parar no céu. Este é o tema da exposição Além do sol e da Lua: As Estrelas, de Christiane Bodini, sob a curadoria de Fátima Chaves. A instalação, sucesso na Mostra Midem 2005 em Cannes (França), chega ao Museu Brasileiro da Escultura Marilisa Rathsam, na sala Burle Marx. A abertura para convidados será no dia 12 de maio, quinta-feira, a partir das 19 horas e o público poderá visitar a mostra a partir do dia 13, de terça a domingo, das 10 às 19 horas até o dia 5 de junho. A entrada é franca.


A instalação é composta por painéis fotográficos, móbiles e telas que contrastam com o rústico dos objetos de madeira de lei e de cerâmica, fios e contas, além de jóias, que buscam decifrar a beleza e a riqueza dos primeiros habitantes do Brasil. A versão brasileira ganhou peças inéditas e o conjunto apresenta a visão artística e contemporânea da interpretação do mito da cultura bakairi, tribo indígena do Brasil Central, por Christiane Bodini.


O trabalho teve como ponto de partida uma ampla pesquisa sobre o Estado do Mato Grosso, suas origens e diversidades culturais. A lenda da cultura Bakairi (veja abaixo) foi o começo para a fundamentação entre a construção de um universo iconográfico e a busca de um conteúdo poético e estético ligado à cultura brasileira.


Em outubro de 2005, Christiane e outros artistas brasileiros como Osmar Fonseca, Gonçalo Ivo e Cristina Oiticica vão representar o Ano do Brasil na França ao apresentar seus trabalhos na Galeria da Maire de 6éme, em Lyon, França.



Christiane Bodini nasceu em São Paulo. É uma artista multimídia contemporânea, utiliza-se de múltiplos meios de expressão como a fotografia, a pintura e a construção de objetos.


Atua como fotógrafa desde 1976, especializando-se na composição de capas de discos, tendo produzido trabalhos para artistas como Ivan Lins, Edu Lobo e César Camargo Mariano, entre outros. Seu interesse pelas culturas regionais do seu país e sua passagem pela Fundação Armando Álvares Penteado em São Paulo fizeram com que buscasse novos meios de expressão, descobrindo a cerâmica e a pintura.


Trabalhos como a exposição individual na Galeria Chap Chap em São Paulo (1981), coletivas no Rio de Janeiro e a exposição “Uma Viagem de 450 anos” no SESC Pompéia em comemoração ao aniversário da Cidade de São Paulo, deram-lhe base e motivação para o desenvolvimento de sua pesquisa e de uma linguagem em busca da particularidade.


Lenda "Como o sol e a lua foram morar no céu" (Índios Bakairis)

Conta a lenda que há muitos e muitos anos... , o Sol e a Lua habitavam na terra e tinham como vizinhos os pássaros selvagens. Estes pássaros possuíam muitas águas armazenadas em potes, o Sol e a Lua estavam sedentos e pediram a eles um pouco desta água, que desconfiados lhes negaram.


Então... Sol e Lua resolveram roubar um dos potes de água e se esconderem em uma cabana na floresta. Os pássaros ficaram furiosos, os encontraram e os ameaçaram com seus grandes bicos.


O Sol foi ficando bravo, muito bravo e esquentando cada vez mais, e para se protegerem do calor os pássaros desesperados abanavam-se com suas grandes asas fazendo uma ventania tamanha que o Sol e a Lua subiram para o céu... Aonde vivem até hoje.

Cultura indígena no Brasil

Dados do site Museu do Índio estimam que existam cerca de 200 sociedades indígenas no Brasil. Algumas com grupos relativamente numerosos como os Tikuna, Guarani, Kaingaing, Yanomami, com mais de 10 mil habitantes e outras como os Ava-Canoeiros, com uma população de apenas 14 pessoas.


As sociedades indígenas são muito diferenciadas entre si e essas diferenças não podem ser explicadas apenas por fatores ecológicos ou razões econômicas. Segundo o conceito áreas culturais do antropólogo Eduardo Galvão, que procurou agrupar todas as culturas de uma mesma região geográfica que partilhavam um certo número de elementos em comum, os grupos indígenas do Brasil foram classificados em 11 áreas culturais: Norte-Amazônica; Juruá-Purus; Guaporé; Tapajós-Madeira; Alto-Xingu; Tocantins-Xingu; Pindaré-Gurupi; Paraná; Paraguai; Nordeste e Tietê-Uruguai.


As cosmologias indígenas representam modelos complexos que expressam suas concepções a respeito da origem do Universo e de todas as coisas que existem no mundo. Cada uma das diversas sociedades indígenas elabora suas próprias explicações a respeito do mundo, dos fenômenos da natureza, dos espíritos, dos seres sobrenaturais e, também, do momento em que surgiram os seus ancestrais.


Entre as muitas contribuições indígenas para a formação da cultura do povo brasileiro, podem ser mencionadas: o grande número de palavras da língua portuguesa, especialmente nomes próprios (de lugares e de pessoas); o hábito de tomar banho todos os dias; o uso de chás, infusões e emplastros feitos de plantas medicinais nativas do Brasil; vários alimentos utilizados na cozinha brasileira (tanto produtos como receitas de pratos específicos); danças, canções e lendas do folclore brasileiro, que possuem elementos de origem indígena mesclados com influências européias e provenientes da África; entre inúmeros outros. A influência indígena é tão ampla e profunda que não é possível avaliar por meros aspectos observáveis do comportamento do brasileiro no seu dia-a-dia.



Serviço:


Exposição Além do Sol e da Lua: as Estrelas de Christiane Bodini


Instalação com painéis fotográficos, móbiles, telas, objetos de madeira e de cerâmica, fios, contas e jóias.

Museu Brasileiro da Escultura Marilisa Rathsam - Sala Burle Marx

Vernissage: 12 de maio de 2005 às 19 horas

Visitação: de 13 de maio a 5 de junho de 2005 - De terça a domingo das 10 às 19 horas

Avenida Europa, 218 - Jardim Europa - São Paulo

Tel.: 11.3081-8611

Entrada franca


Ar condicionado
Acesso para deficientes físicos
Restaurante no local





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