Mídia

Mais Terroristas

11/05/2002 00:00

Existem terroristas em muitos lugares: nos supermercados, nas festas, nos colégios.
Cada vez que abro minha correspondência ou verifico meus e-mails, constato que sou mesmo um privilegiado. Os leitores que me escrevem são gente inteligente, culta, sensível. Mais que isso, seus textos poderiam ser os de um colunista do jornal. E isso inclui jovens, como os alunos da professora Carmen Lúcia S. Medina (Colégio de Aplicação). Esses alunos leram uma crônica que publiquei, intitulada “Os terroristas de cinema”. Nessa categoria, incluí os caras que comem pipoca fazendo barulho, os que falam alto, os que atendem celular, os que chegam tarde. Os alunos do Aplicação foram além e descobriram terroristas em muitos lugares. A Cássia, a Evelyn, a Bruna, a Paloma, a Milene e a Jessica, por exemplo, denunciam os terroristas de supermercado. O que fazem eles? Largam o carrinho em qualquer lugar, atrapalhando a movimentação alheia. Ou deixam cair laranjas para todos os lados (verdade que às vezes as laranjas, e os tomates, e as maçãs, parece que estão pedindo para cair). Ou perdem os filhos. Ou abrem embalagens e furtam parte do conteúdo. Ou ainda, quando estão pagando (e a fila é enorme), lembram que esqueceram de pesar alguma coisa – e aí todo mundo tem de esperar. Ou então, na última hora, verificam que o olho foi maior que o bolso e começam a devolver coisas – todo mundo esperando. Ah, sim, e existem os terroristas que simplesmente furam a fila. Até pirataria ocorre, representada pelos “baita preguiçosos” – a expressão é das garotas –, que, em vez de pegar as mercadorias nas gôndolas, assaltam os carrinhos alheios. Os estabelecimentos também fazem o seu miniterror: é o caso, por exemplo, da balança que estraga bem na hora de pesar as frutas – isso depois de 15 minutos na fila.


A Mariana volta sua justa indignação contra os terroristas das festas: quando estão dançando querem ocupar todos os lugares vagos, e não vagos, da pista (e que cotovelos eles têm, Mariana). A Bárbara é justa: no colégio, também existem terroristas, garante. Os que atiram bolinhas de papel. Os que empurram os colegas no corredor. Os que fazem barulho na biblioteca.


Portanto, não é só no Oriente Médio que existem terroristas. Eles também estão entre nós. Felizmente, trata-se de um terrorismo suportável. Se ainda dá para ir ao supermercado, ao colégio e a festas, a coisa não pode estar tão ruim.





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