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Marx, Engels e Lenin, jornalistas

Para revolucionários é claro ser o jornalismo uma função essencial

08/04/2021 11:08

 

 
7 de abril, segundo a ABI, é o "Dia do Jornalista".

A data comemorativa foi instituída em 7 de abril de 1931.

Exatamente um século depois da abdicação de D. Pedro I, um liberticida, que renunciou ao trono em 7 de abril de 1831 diante de uma revolta popular.

Apesar do 7 de setembro de 1822, ou justamente por causa da transação pelo alto da independência política assim obtida, Pedro I era um monarca com tendências absolutistas, a ponto de fechar a Assembleia Constituinte de 1823.

Dom Pedro I, déspota deposto

Ao ser corrido do Brasil em 7 de abril de 1831, já demonstrara continuamente sua vocação para déspota. Inclusive vivia cercado pelo "partido português", gente empenhada em amesquinhar e retroceder o que fosse possível da independência. Emancipação tão pouco independente... que chegou a assumir como brasileira a dívida de Portugal com a Inglaterra, início de nossa dívida externa, já então de elevada magnitude.

Pedro I se caracterizou também pela perseguição a jornalistas. Durante seu reinado ocorreu o assassinato, em São Paulo, de Líbero Badaró, um jornalista liberal de oposição, em novembro de 1830.

Isso para não falar da perseguição a "jornais" da época, panfletos, muitos deles populares, de defesa da causa brasileira. Da prisão de opositores que se manifestavam pela imprensa. Da vileza repressiva dos assassinatos contra a Confederação do Equador, revolta republicana pernambucana e nordestina em 1824.

Não bastassem os desacertos internos deste herdeiro dos Braganças (família real aparentada aos Orleans - a mesma do Luís XVI decapitado em 1793 -, e dos autocratas Habsburgos, da Áustria-Hungria), o imperador brasileiro ainda envolveu o país numa guerra perdida, impopular e desastrosa (1825-1828) para anexar a "Província Cisplatina", que viria a ser com a vitória do povo de Artigas o altivo Uruguai.

Com toda razão, o principal jornalista popular da época. Cipriano Barata (1762-1838), pouco tempo decorrido após a independência, logo se engajou numa oposição de sempre ao primeiro imperador, e dedicou-lhe democraticamente o maior desprezo.

Dignos sucessores de Cipriano Barata, foram, entre outros, jornalistas como Astrojildo Pereira, o principal articulador da fundação do PCB, em 1922.

Ou Mário Alves, desaparecido pela ditadura militar em janeiro de 1970, que foi diretor de "Novos Rumos", semanário legal do PCB no pré-1964.

Do mesmo time de democratas a serviço do povo foi Orlando Bonfim Júnior, responsável pela clandestina "Voz Operária" (jornal do PCB), desaparecido político em 1974.

Três grandes jornalistas

Marx, não por acaso, começou sua carreira política como jornalista, ao defender os camponeses do Rio Mosela, a quem se queria tirar o direito estabelecido há tempos de recolherem madeira,

Primeiro, na "Gazeta Renana", de janeiro de 1842 a março de 1843, quando o jornal foi fechado pela censura prussiana.

Depois, na "Nova Gazeta Renana - Órgão da Democracia", de junho de 1848 a maio de 1849, quando este novo jornal foi fechado pela absolutista censura prussiana. Nessas condições de reação política, Marx foi forçado ao exílio mais uma vez.

Já ciente da impossibilidade da manutenção do jornal, Marx editou seu último número em vermelho (foto).

A carreira de jornalista foi tão importante para Marx que teve continuidade na sua contribuição regular de muitos anos no "New York Tribune", jornal inovador e de enorme circulação para a época.

Alguns poucos artigos assinados aí por Marx na verdade são de Engels, em mais uma manifestação desta parceria política e intelectual dos dois grandes fundadores do socialismo contemporâneo, um socialismo com bases reais.

Outro comunista notável jornalista foi Lenin. Sua defesa de um partido de novo tipo, segundo ele, um partido efetivamente socialista e revolucionário, só poderia se estruturar, como de fato aconteceu, em torno de um jornal político partidário nacional, de tribunos populares, a "Iskra" ("Centelha" em russo) - na foto a capa de um de seus números.

E Lenin, já depois da Revolução de Outubro, ao responder a um questionário sobre sua profissão, se disse um jornalista.

Para revolucionários é claro ser o jornalismo uma função essencial.



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