Mídia

O Caótico Trânsito Paulistano

19/04/2002 00:00

O trânsito na cidade de São Paulo é absoluta terra-de-ninguém, cada um faz o que quer. Pára-se em qualquer lugar: em cima da calçada, no meio da rua, sobre as faixas amarelas dos cruzamentos. Diletas senhoras, e diletos senhores também, é claro, ao buscarem seus filhos nos educandários cometem as mais atrozes barbaridades. A lição de cidadania absorvida pelos petizes é a falta de respeito pelo outro e o desprezo pelo meio social como um todo.



Carroceiros, catadores de papel, caminhões de lixo clandestinos, e os outros caminhões por todo lado atravancam as ruelas e alamedas, muitas vezes esburacadas e sem sinalização eficiente. Ônibus, que deveriam circular pela pista da direita, onde não existem os corredores, que aliás é uma das poucas grandes invenções da engenharia de tráfego nos últimos 50 anos, tomam todas as pistas disponíveis – às vezes, os canteiros não disponíveis – transformando as vias públicas num mar de morosidade e agressividade infernal. O sinal amarelo, para eles, é sempre um verde indiscutível. Vez ou outra, o vermelho também.



Sem contar as motos, que infestam os caminhos para onde quer que se olhe. Os motoqueiros dirigem suas máquinas com uma destreza e uma imprudência sem igual, alguns parecem recém-saídos do Globo da Morte, lembra?, aquela atração meio besta do circo em que um sujeito ficava rodando alucinado dentro de uma esfera de aço, feito um retardado, de ponta cabeça, de todo jeito que se possa imaginar. Arrancam espelhos, debatem-se nas laterais dos carros e sempre têm uma ofensa amiga na ponta da língua, para saudar o motorista que ousar reclamar do atentado a seu veículo.



Desconsiderando os barbeiros, os bêbados, os aprendizes e os ases do volante, além de tudo o que foi acima citado, consegue-se trafegar pela cidade em paz. Quando? Após as dez da noite e, eventualmente, aos domingos. Os feriados prolongados, na verdade, são as pouquíssimas oportunidades de se locomover por São Paulo com um mínimo de segurança e objetividade.



Nos dias úteis, não há conversa. Se chover então, melhor deixar o carro em algum lugar e voltar no outro dia. E há sempre um funcionário cortês e prestativo da CET para atrapalhar ainda mais o caos estabelecido e aplicar-lhe uma multa qualquer, por estacionar onde não devia, por furar o rodízio, por ter decidido sair na rua naquele dia.



Alguns podem dizer: mas em Paris, Londres, Nova York, o trânsito também é caótico. Concordo, mas nessas e outras cidades do mundo há opções. O metrô nas três cidades acima é uma malha de linhas que se entrecruzam, possibilitando ao cidadão chegar a qualquer lugar da cidade com eficiência. Há trens metropolitanos e linhas infinitas de ônibus. Por aqui, lotações se estapeiam com os ônibus regulares causando acidentes e ameaçando os pedestres, que também contribuem com a bagunça atravessando as ruas e movimentadas avenidas de todas as formas, menos pelas faixas chamadas, não à toa, de faixa de pedestres. Mas para que facilitar se é mais fácil complicar? Por aqui, nada se faz.



Tendo em vista todas as vantagens do trânsito de São Paulo, resta só uma conclusão viável: se puder, vá sempre de metrô.




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