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Relações

29/04/2002 00:00

Alencar conheceu Idelzuite num parque da cidade.



Namoraram por dois anos, noivaram, compraram apartamento e finalmente se casaram.



Estavam juntos há oito primaveras, tendo superado inclusive a fatídica fase dos “sete anos”, quando Alencar começou a só ter olhos para Dora.



Dora era casada com Bernardino, pneumologista que já fora casado com Abigail, uma decoradora de interiores que o traiu com Josias, seu mestre-de-obras.



O fato foi amplamente comentado entre as socialites de plantão. Josias terminou ficando famoso, foi para Ilha de Caras e lá se apaixonou pela quituteira Das Dores. Tiveram um caso ardente, que só terminou quando Das Dores resolveu trocá-lo por António - homem sistemático, de origem lusitana, sócio de um bingo. António era viúvo, mas mantinha um relacionamento intenso com a cunhada, Maria José.



Ao saber que António andava enrabichado com Das Dores, Maria José passou a encontrar-se com o zelador do prédio. Zélio tinha dúvidas sobre sua sexualidade, fruto de muitos anos reprimidos como seminarista, mas ao conhecer Maria José definiu-se.



Quem sofreu com isso foi Manezinho, uma pessoa amiga há três anos. O calvário foi tamanho que ele resolveu também rever sua condição e entrou para o seminário.



Lá conheceu padre João. O vigário tinha uma expressão sofrida, fruto de uma vida estóica e de um problema crônico de aerofagia.



Depois de ouvir a história lacrimosa de Manezinho foi de encontro à sua lenda pessoal: abandonou as lides pedófilas, digo, católicas, e entregou-se aos braços de Rosicleide, uma pecadora que se confessava com ele semanalmente, levando-o às raias da loucura e da sofreguidão.



João abandonou o hábito, mas arrumou outro. Sustentar os gostos caríssimos de Rosicleide, que só sabia se banhar com muitos cremes hidratantes e perfumes franceses.



João chegou a roubar sais aromáticos numa loja de conveniência em Osasco para manter o romance, mas Rosicleide preferiu associar-se ao dono da farmácia do bairro. Rodrigues, farmacêutico-prático, era o que se poderia chamar de devasso de quarteirão. Conquistou Rosicleide mandando-lhe frasquinhos de leite-rosas amarrados em fitinhas coloridas.



Mas a vida de Rodrigues duraria pouco. Diabético, aplicou-se, por engano, uma injeção de glicose vindo a falecer de embolia cerebral.



Rosicleide enviuvou por um ano. Mas logo conheceu Coelho, publicitário famoso, responsável pela criação da incrível campanha do perfume “Água de Melissa”. Um amor à primeira vista. Porém, totalmente marqueteiro.



Coelho tratava-a como um produto. Anunciava seus melhores sentimentos por autidóres na cidade, os cartões que vinham junto às corbeilles de flores continham poesias derramadas. Claro que tudo devidamente pulverizado por colônias e fragrâncias finas.



Pena que a, diríamos assim, parte física andava esquecida. Por isso, Rosicleide foi obrigada a substituí-lo rapidamente por Adão, um simpático encanador de bairro.



Que, aliás, meses depois, foi cuidar de um vazamento no novo apartamento de Idelzuite – sim, a “ex” do Alencar, lembra-se? – e a pediu em casamento.



A cerimônia acontecerá em breve; os cartões já estão na gráfica e, ao que tudo indica, os dois nasceram mesmo um para o outro.





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