Mídia

Sapopemba: um artista na fronteira entre o erudito e o popular

03/12/2006 00:00

Da Redação

Na próxima segunda-feira, às 19 horas, o músico Sapopemba (foto) apresenta-se na Casa das Rosas, em São Paulo, em evento promovido pela revista Raiz. O show encerra a série de debates sobre as fronteiras da arte.

Escolhido por seu perfil popular e ao mesmo tempo erudito, José Silva dos Santos, o Sapopemba, é o exemplo perfeito da fusão entre esses dois mundos. Nascido em Alagoas, ele se mudou para São Paulo em 1960, quando tinha apenas 14 anos, e hoje já soma mais de 50 anos dedicados a conhecer e transmitir as raízes africanas no Brasil desde que visitou o terreiro de Pedro Tamanquinho pela primeira vez, ainda menino.

Mais do que um simples divulgador das coisas do povo, Sapopemba é um paradoxo: é o principal vocalista do Balé Folclórico de São Paulo, mas, ainda assim, precisa trabalhar de motorista da Secretaria de Cultura de Santo André e como caminhoneiro nos finais de semana e feriados para sobreviver.

"Não me sinto seguro para viver só de música", diz Sapopemba. "A grande dificuldade é que cultura de raiz não é vista como coisa interessante. E eu não sou do tipo que corre atrás de patrocinadores implorando 'pelo amor de Deus, me ajudem'. Se preferem ouvir e investir na Banda Calypso, o que posso fazer? O jeito é comemorar as pequenas vitórias", diz ele, se referindo à turnê que fará em Barcelona, em janeiro de 2007, com o Núcleo de Música do Abaçaí, para a divulgação do CD Cantos do nosso chão.

A apresentação de Sapopemba faz parte do evento para debater sobre as fronteiras entre popular e o erudito. Será que elas existem? Alguns acreditam na seguinte frase: "nós temos cultura, eles têm folclore; nós temos arte, eles têm artesanato". Será? Antes da apresentação de Sapopemba, serão feitos debates com BNegão, José Roberto Aguilar e antropólogos que, juntos, tentarão encontrar as respostas.

Segundo Edgard Steffen, editor da revista Raiz, o evento servirá de palco para uma discussão abrangente e instigante do tema dentro dos princípios e missão da revista, que busca retirar o estigma e a folclorização sobre nossa cultura mais popular. "Atacando o emocional (olhar) e o racional (conceitos), queremos mostrar que a nossa cultura mais enraizada é bela e emocionante", diz o editor.



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