Mídia

Vida Besta

13/05/2002 00:00

Os norte-americanos adoram espetáculos cafonas, como a entrega do Oscar. Amam um biscoito seco e sem graça chamado pretzel. Não vivem sem um filmezinho com pessoas explodindo e trogloditas malhados comportando-se como peagadês em Física Quântica. Ou pior: macacos e extraterrestres bancando novaiorquinos.



Até aí, tudo bem. Suporta-se.



O problema maior é o governo deles ter essa mania de pulverizar países miseráveis de surpresa. Ou ser especialista em falir nações periféricas, comprá-las através do FMI e revendê-las a algum outro país do G-7 pela bacia das almas.



Mas, pensando melhor, há ainda uma outra porção da fisionomia ianque que irrita profundamente: a pesquisa boba.



A penúltima delas está fazendo sucesso na imprensa norte-americana e mostra como desperdiçamos nossas vidas fazendo coisas absolutamente estúpidas.



Levando-se em conta que uma pessoa vive em média 73 anos (estamos falando de Mid-Manhattan e não do Piauí), ela passaria, - por exemplo - sete anos no banheiro, três meses e 17 dias no chuveiro, 14 dias e 17 horas se enxugando.



Além de seis dias e duas horas única e exclusivamente assoando o nariz. Haja lenço de papel.



A coisa vai longe.



Você que acabou de escapar ileso de um tremendo engarrafamento de segunda-feira, sabe quanto tempo de sua preciosa vida passa parado em semáforos? Meio ano.



No emprego então, no caso de você ser um feliz empregado, perde-se três anos de vida em reuniões; um ano, nove meses e oito dias fazendo ligações internas e três semanas e cinco dias esperando o elevador chegar.



Só aguardando pessoas atenderem às ligações suas joga-se no lixo, segundo a pesquisa, dois meses e dois dias de vida.



Se você está sossegadinho em casa, não pense que está livre de uma vida desperdiçada. O jornal que leu agora há pouco gasta dois anos e meio dela. E as coisas mais simples, como dar um nó na gravata antes de sair para a labuta, consomem 12 dias e nove horas de existência.



Ainda bem que nem tudo é jogado fora. A pesquisa mostra claramente que passa-se 24 anos da vida dormindo, 13 anos e quatro meses assistindo televisão e nove horas e 50 e um minutos tendo orgasmos. O que, para um total de 73 anos de vida, é uma mixaria.



Não há dúvida de que muitos destes números caem com uma luva para nós, brasileiros.



Exceto o quesito sexo. Nós o praticamos muito mais do que os pobres dois meses e 13 dias dos nossos confrades da América do Norte.



Há os que acreditam que a nossa performance sexual chegou a níveis tão altos por causa dos bailes funk. Mas é lógico que isso, na verdade, acontece porque fazemos muito mais sexo passivo do que qualquer outro povo. Desde que FHC assumiu, é claro.



E, para você que desperdiçou seu tempo lendo este texto inútil até o final, um último dado: passamos um mês e quatro dias da vida masturbando-nos. Exatamente o que os norte-americanos fazem quando criam pesquisas como essa.





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