Mídia

Visita de Bolsonaro aos EUA tem pouca cobertura da imprensa local

 

20/03/2019 10:18

 

 

Não fui o primeiro a ter essa ideia, mas vi muita gente dizendo então resolvi fazer o mesmo: visitar os sites dos mais importantes meios de imprensa estadunidenses e ver como foi a repercussão da passagem de Jair Bolsonaro pela Casa Branca, o ponto principal de sua viagem aos Estados Unidos.

Começo a fazer minha peregrinação web às 19h23, hora de Brasília. O encontro entre Bolsonaro e Trump terminou há algumas horas, tempo suficiente para que os principais veículos possam produzir seus materiais, e evidentemente todos cobriram o evento, a questão é saber qual a dimensão que deram em seus noticiários para a presença do presidente brasileiro em seu país.

Para esta amostragem, escolhi alguns meios que considero os mais relevantes: os diários The New York Times, Los Angeles Times, The Washington Post, The Wall Street Journal e USA Today, e os meios televisivos, CNN (incluindo sua versão latina CNN en español), Fox News, Bloomberg e MSNBC. Talvez tenha deixado alguns meios importantes de fora, mas creio que entre estes estão meios que representam as vozes mais reconhecidas do jornalismo estadunidense a nível mundial.

Começo pelo meio que tanto é o mais conhecido do Brasil que já foi citado até em música do Jorge Ben Jor, e vou ver o que deu no The New York Times sobre a reunião. Na página principal não há notícias sobre a visita de Bolsonaro. Se entro nas seções de “Politica” e “Mundo”, há somente uma notícia com vídeo em “Política”, que você só encontra se vai até o quadro “Mais Recentes”, porque não está entre as quatro mais destacadas. Dentro da seção sobre política há uma subseção chamada Tracking Trump´s Agenda (“seguimento da agenda de Trump”), e tampouco tem referências sobre a visita, mas nesse caso não serve de parâmetro, já que a última atualização dos colunistas responsáveis (Josh Keller, Adam Pearce e Wilson Andrews) é de outubro de 2018 – alguém precisa avisar o pessoal do NYT para atualizar melhor o seu conteúdo.

(Reprodução)

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Continuo minha viagem virtual também por Nova York. Na página principal do The Wall Street Journal na internet não há nenhuma foto ou menção ao nome de Bolsonaro. Na seção de “Política” tampouco. Mas sim há nota na seção “Mundo”, na terceira linha, abaixo de outras quatro mais destacadas.

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Decido então passar aos diários sediados mais perto da Casa Branca. Primeiro com o USA Today. Entro na página principal e nada de Bolsonaro. Na seção “Mundo”, e nada. Em “Opinião”, nada. Há uma seção “Nação”, vai que... mas nada. Se eu fosse desses fanáticos pelo presidente, já estaria no mínimo acusando o jornal de estar “infiltrado pelo lulopetismo”. Mas sigamos para o próximo jornal.


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Finalmente, no The Washington Post, Bolsonaro enfim aparece na página principal, como a segunda notícia mais destacada na coluna de notícias políticas. Na seção específica sobre “Política” ele também está, mas curiosamente não entre os quatro principais, e na lateral direita da tela, onde há um ranking das cinco mais lidas sobre “Política”, ele também não aparece.


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Dou um salto até a outra costa e vou buscar no Los Angeles Times as notícias sobre este encontro histórico, e aí sim, Bolsonaro é uma das notícias com maior destaque na página, e também na seção de Política. Ponto para ele.

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Termino a visita pelos sites de diários com um saldo levemente negativo: apenas um deu bastante repercussão à visita, um segundo deu destaque relativo, outros dois o colocaram como notícia de segunda ou terceira categoria, e o último simplesmente não publicou nada.

Vejamos se tenho mais sorte com as redes de televisão. Então regresso a Nova York e recomeço com um canal que tem tudo para ser favorável, já que é o de mais extrema direita dos Estados Unidos: Fox News. Mas não, a matéria sobre o Bolsonaro está na página principal, mas com ínfimo destaque – tem que descer a barra lateral bem para baixo se quiser achar. E o mesmo acontece na seção sobre “Política”. Na seção “Mundo”, há um pouco mais de destaque para um vídeo onde os comentaristas discutem se “o Brasil está preparado para entrar se unir à OTAN”.


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Na página principal da Bloomberg, nem sinal de Bolsonaro. Mas na seção de política sim: debaixo da matéria principal, sobre a China, há um bloco de notícias secundárias, com quatro links. O quarto é sobre a reunião na Casa Branca, ilustrado por uma foto do brasileiro apertando a mão de Donald Trump.

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Já o canal MSNBC deu pouquíssimo destaque ao encontro. O vídeo sobre a reunião na Casa Branca está na página principal, mas é preciso descer bastante com a barra lateral, longe de qualquer destaque, e o mesmo acontece nas seções sobre os programas de notícias, que ou ignoram o fato ou o abordam de forma pouco destacada.

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Finalmente, a parada final em Atlanta. Na CNN, Bolsonaro foi a notícia com mais destaque na página principal e na página sobre política, e o mesmo se reproduziu na página da CNN en español.


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Novamente, o saldo é de um canal dando grande repercussão, enquanto os outros deram importância relativa ou quase nenhuma.

No saldo final dos nove meios analisados, Bolsonaro foi destacado por dois veículos (Los Angeles Times e CNN, incluindo a CNN en Español, pela qual quem quiser colocar um 2,5 pode ter um argumento válido), outros dois deram a ele importância secundária (Bloomberg e The Washington Post), outros quatro o mostraram como uma notícia com bem pouca relevância (The New York Times, The Wall Street Journal, Fox News e MSNBC), e um deles (USA Today) simplesmente ignorou sua estadia nos Estados Unidos.

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