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Joaquim Pedro de Andrade será homenageado com retrospectiva

31/07/2006 00:00

Joaquim Pedro de Andrade - 1932-1988

Créditos da foto: Joaquim Pedro de Andrade - 1932-1988
Neste ano, o Festival de Cinema de Veneza homenageará o cineasta brasileiro, Joaquim Pedro de Andrade - autor, entre outros, de Macunaíma - com uma retrospectiva completa de sua cinematografia em longas-metragens. A América-latina, no entanto, fica desfalcada nesta edição, somente o mexicano Alfonso Cuarón participa da competição com Children of Men. Mais latinos, apenas nas mostras paralelas. O Festival, que vai de 30 de agosto e 9 de setembro, será aberto com A Dália Negra, o aguardado filme de Brian De Palma.

ROMA - O grande cineasta brasileiro Joaquim Pedro de Andrade será homenageado com uma retrospectiva completa de seus longas-metragens pelo 63º Festival de Veneza.

Considerado um dos pais do Cinema Novo brasileiro, Andrade apresentou em Veneza em 1969 Macunaíma, filme que o festival tem como "uma obra-prima, experimental e até hoje surpreendente".

O festival exibirá seis longas-metragens, inclusive o documentário Garrincha, alegria do povo de 1963, do "mestre" das vanguardas históricas do Brasil, recentemente restaurados em formato digital 2K pelo esforço de sua filha Alice.

"Pela primeira vez em vinte anos a preciosa obra de um dos mais originais cineastas do século 20, dividida ente alegoria e realismo", poderá ser apreciada, segundo o programa veneziano informou hoje em Roma.

Apenas um latino-americano na competição
O mexicano Alfonso Cuarón é o único cineasta latino-americano que participa do 63º Festival de Veneza, nos dias 30 de agosto e 9 de setembro, porém outros representantes da América Latina estão em seções paralelas.

Cuarón apresentará no concurso uma co-produção anglo-norte-americana de ficção-científica, Children of Men, já o mexicano Paul Leduc e o brasileiro Karim Anouz, com El cobrador e Suely respectivamente, participarão da seção "Horizontes".

O roteirista argentino Santiago Amigorena, com sua obra-prima como diretor Quelques jours en septembre, estará presente na seção oficial, mas fora do concurso. Também estarão no Festival seus compatriotas Sergio Mazza, estreante na Semana da Crítica com El amarillo, e Diego Lerman, cuja segunda obra Mientras tanto foi convidada para a seção paralela não oficial "Jornadas dos autores", que também terá a participação do peruano Gianfranco Quattrini, que participa com Chicha tu madre.

A Dália Negra, filme de Brian De Palma, abre o Festival
VENEZA – A Dália Negra (The Black Dahlia), o esperado filme de Brian De Palma com Scarlett Johansson, Hilary Swank e Josh Hartnett, que trata do romance homônimo de James Ellroy, será o filme de abertura do 63º Festival Internacional de Arte Cinematográfica de Veneza, apresentado em pré-estréia mundial na noite de 30 de agosto, na Sala Grande do Palazzo del Cinema.

O festival acontecerá de 30 de agosto a 9 de setembro, dirigido pelo terceiro ano por Marco Müller, e organizado pela Bienal de Veneza, presidida por Davide Croff.

"Estamos honrados que Brian De Palma tenha decidido inaugurar o 63ª Festival com o seu novo e tão esperado filme, confirmando assim sua forte ligação com Veneza", afirmaram o presidente Davide Croff e o diretor Marco Müller.

Os dois explicam que De Palma foi convidado para ir ao festival pela primeira vez em 1975, com um dos seus primeiros filmes, Irmãs Diabólicas, e em setembro o diretor "pisará pela quinta vez na passarela do Palazzo del Cinema, após ter apresentado ao longo desses anos Um Tiro na Noite, Síndrome de Caim, e um dos seus trabalhos mais importantes, Os Intocáveis.

Croff e Müller dizem que, graças ao filme, "a mostra poderá saudar novamente duas estrelas indiscutíveis do cenário internacional, ambas reveladas em Veneza, Scarlett Johansson, e Hilary Swank".

Segundo o diretor e o presidente, o festival poderá reencontrar ainda Dante Ferretti, que, assinando os cenários de época de A Dália Negra, reafirma-se como "o cenógrafo mais apreciado pelos diretores de Hollywood".

A Dália Negra é a versão cinematográfica do romance homônimo que revelou ao mundo o talento de James Ellroy. O enredo é ambientado em 1947 e tem dois policiais como protagonistas, Bucky Bleichert (Josh Hartnett) e Lee Blanchard (Aaron Eckhart), apaixonados pela mesma mulher, a misteriosa Kay Lake (Scarlett Johansson), ex-amiga de um gangster.

Os dois empenham-se em resolver o assassinato brutal de Elizabeth Short (Mia Kirshner), jovem que ambicionava ser atriz, e era chamada de Dália Negra.

Uma nota revela que A Dalia Negra baseia-se na idéia de dubiedade, tema particularmente caro a Brian De Palma. Os dois protagonistas enfrentam de forma espetacular e oposta não apenas o amor pela mesma mulher, mas também a obsessão pelo macabro homicídio de uma jovem cujo corpo foi cortado em dois.

É dúbio também o papel de Hilary Swank, que interpreta Madeleine Sprangue (nome que remonta ao mais famoso personagem dúbio do cinema, Madeleine-Kim Novak, de A Mulher que Viveu Duas Vezes, de Alfred Hitchcock), jovem fria e burguesa, mas também uma perigosa "femme fatale", que se veste como a Dália Negra, Elizabeth Short.

A própria Kay Lake (Scarlett Johansson), a doce e sensual jovem amada pelos dois policiais, possui um passado obscuro.

Em A Dália Negra, assim como em qualquer filme que se preze, todos os personagens apresentam duas faces, e a realidade tem sempre um lado obscuro.



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