Mídia

Novos sinais

02/03/2007 00:00

divulgação

Créditos da foto: divulgação
Ele está de volta. Almir Sater, na verdade, desde que estreou como ator de novela em 1990, nunca deixou os holofotes. Mas disco novo ele não lançava há dez anos, jejum que está sendo quebrado agora com Sete Sinais (Velas). No álbum, curto (apenas dez faixas), Sater retoma a parceria antiga com o conterrâneo Paulo Simões, mantém a relação (que virou familiar) com Renato Teixeira e foi buscar no violeiro Tavinho Moura uma "infusada" (ritmo caipira do sertão mineiro) instrumental.

Reza a lenda no "Matão", apelido carinhoso com que os próprios sul-mato-grossenses tratam o Estado, que Almir Sater passou a deixar de lado a carreira musical com a escalada como ator. Não que tenha encostado a viola de vez, mas foi arrefecendo na composição. Passou a última década repetindo no palco de centenas de shows as mesmas músicas que o consagraram. A Som Livre inclusive lançou no ano passado uma compilação recolhendo parte desse repertório: Chalana, Um Violeiro Toca, Peão e que tais. Foi o último álbum impessoal dele porque o pessoal saiu em 1996 (Caminhos Me Levem, Som Livre).

O músico tem dito que a vontade de gravar foi diminuindo com o fôlego da própria indústria do disco. O empurrão para o novo CD acabou saindo de uma brincadeira que guarda um fundo de verdade. O diretor da nova novela (Bicho do Mato, na Record) na qual Almir Sater vem atuando (como o personagem Mariano). "Ou você lança logo o disco ou vamos soltar as suas músicas na internet", teria brincado o diretor com o cantor e ator. Metade do disco, aliás, já havia sido incluída na trilha do folhetim da TV do bispo Edir Macedo. O disco foi produzido por Hamilton Griecco e Carlão de Souza, este último o primeiro produtor de Almir Sater, da época dos grandes álbuns instrumentais do violeiro.

Caipira pop
Sete Sinais mantém a pegada folk, um pé na raiz e outro na levada do violeiro pop, mas de melodias redondas, como Almir passou a fazer na carreira pós-novela. Um dos grandes trunfos do CD foi a inversão na ordem dos parceiros. Paulo Simões retomou o lugar de um dos melhores letristas de Sater (posto que vinha sendo ocupado por Renato Teixeira) e co-assina sete das 10 faixas. Tem canções-toadas que derretem-se pela natureza exuberante (Serra de Maracajú), mas também há crônicas bem urbanas. Na terna Cubanita, há uma sanfoninha malemolente do gaúcho Luis Carlos Borges sobre a poesia que canta uma conterrânea de Fidel que "fugiu da ilha socialista e caiu na farra capitalista".

O artista vale-se de novo da viola e do violão de 12 cordas de aço e surgiu até um violãozinho de brinquedo da sobrinha de três anos, neta do cunhado Renato Teixeira. Com o irmão Rodrigo fez todos os arranjos do disco. Além da banda, Sater contou ainda com a participação da sanfona luxuosa de Dominguinhos na canção Lua Nova. Quem gosta do violeiro ainda não reouvirá aqui o virtuose de outrora (fala-se também no "Matão" que Jerry Espíndola teria na agulha um novo disco instrumental de Almir Sater, só faltaria convencê-lo a gravar). De virtuosismo puro e bem colocado só tem na faixa instrumental com Tavinho Moura (Pitiguyri), mas, mesmo assim, os fãs do artista vão reatestar que, mesmo continuando um caipira pop, Sater segue um diferencial dessa vertente. Afinal, foi ele quem praticamente inventou isso ao lado de Renato Teixeira.

Sete Sinais
Almir Sater
Gravadora: Velas
Preço médio: R$ 20,00.


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