Movimentos Sociais

“Não basta só ocupar a terra, é preciso que haja educação”

19/06/2012 00:00

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Rio de Janeiro - Com as mãos em concha cheias de semente de cacau torrado, os estudantes e moradores do assentamento Terra Vista recebem os participantes da Cúpula dos Povos na tenda do MST. A distribuição das sementes é acompanhada por uma conversa sobre o plantio do cacau, englobando questões estruturais do processo e ações educacionais provenientes da prática e recuperação da terra.

O assentamento, localizado no município Itamaraju, Bahia, conta com dois centros de educação: Milton Santos e Florestan Fernandes. Os cursos técnicos de zootecnia, agroecologia, informática, nutrição, meio ambiente, as escolas de ensino fundamental e médio beneficiam as 53 famílias que lá vivem bem como 11 municípios da região. Joelson Ferreira de Oliveira, assentado desde o início em 1992, explica “Não basta só ocupar a terra, é preciso que haja educação”.

“Quando chegamos lá, a área estava completamente destruída pelo fungo da vassoura de bruxa e pelo desmatamento desenfreado”, continua Joelson. O trabalho de recuperação foi calcado na prática da agroecologia, ou seja, o manejo da terra com sua preservação, aliada a uma maior integração do homem com o meio ambiente. Vinte anos após a ocupação, 60% do consumo das famílias assentadas provém da agricultura de lá. O objetivo, segundo Joelson, é que em 15 anos o assentamento se torne auto-sustentável.

Ranyelle Contrim, estudante de agroecologia em Terra Vista, conta que o trabalho com a terra transcende o plantio e manejo do solo: a educação e o conhecimento promovem uma melhora na qualidade de vida da população por meio da integração da escola com a mata atlântica . “Antes de ir para o assentamento cursei engenharia agrônoma, um curso que prega 100% o uso de agrotóxicos. Eu queria mostrar para todos que é possível conciliar agronomia com o manuseio certo do solo, que é a agroecologia. Bela Vista está mostrando que é possível produzir em larga escala utilizando agroecologia. É possível alimentar o meu povo com qualidade e de uma forma sustentável”.

Para Joelson, o conceito de desenvolvimento sustentável baseia-se nas ações. Segundo ele, o importante agora é agir, e estudar é agir. Continua dizendo que a consciência de que temos que construir um planeta melhor está se espalhando, impulsionada pela realização da Rio + 20 e da Cúpula dos Povos. “A Cúpula promove uma interação boa. O concreto cria uma relação extraordinária. Nós trouxemos a coisa real para fazer a integração – as sementes de cacau -. As pessoas se aproximam, sentem as sementes, pegam, cheiram, degustam...Eu não acredito no governo, eu acredito na população, nos povos”.

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