Movimentos Sociais

Americanos querem Fórum Social na capital dos EUA

25/01/2003 00:00

Maior delegação estrangeira do III Fórum Social Mundial, os norte-americanos que vieram à capital gaúcha querem fazer um encontro como o FSM nos EUA. A idéia foi apontada por eles como uma das prioridades na mobilização da população do país contra os planos do governo comandado pelo presidente George W. Bush.



"Precisamos de um encontro como este. E quanto antes, melhor", entusiasmou-se o pesquisador Roger Burbach, diretor do Censa (Center for the Study of the Americas). Escalado para mesa de um dos painéis do Fórum desta sexta (24) - Império, Guerra e Unilateralismo - e diretor do Censa (Center for the Study of the Americas), Roger Burbach disse à Agência Carta Maior que alguns grupos da sociedade civil já começaram a estabelecer contatos para que a cidade de Washington, capital dos EUA , seja sede de um Fórum Social.



"Nos EUA, os movimentos sociais não são bem organizados", enfatizou Para Bob Kingsley, diretor da United Electrical, Radio and Machine Workers of América, um dos mais de 1 mil delegados vindos do país. Ele considera o Fórum Social Mundial "um importante espaço político" para o desenvolvimento de uma agenda contra a guinada à militarização engendrada pelo governo de seu país.



“O número de norte-americanos preocupados com as questões sociais aumentou, especialmente nas Universidades. Há muito mais conhecimento das questões sociais fora dos EUA”, afirmou Soren Ambrose, da New Voices on Globalization e da 50 Years Is Enough - que faz referência aos 50 anos de fundação do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial completados em 1989.



O alemão Peter Wahl, da organização Weed, apoia integralmente a inciativa."As ações contra o imperialismo norte-americanos precisam ser inovadas. Não se deve entrar em confronto aberto com o governo Bush para tentar mudar o quadro hegemônico atual. Uma boa ação tática é atuar dentro dos EUA, buscando atingir a população do país, deixando claro que todo o mundo fora do país é contra a guerra", esclarece, defendendo a necessidade do apoio da sociedade civil mundial à posição da Alemanha e da França contra a ofensiva contra o Iraque.



A proposta de Wahl, que atua no combate à pobreza e aos problemas ambientais, consiste na realização de um mega-evento de largas proporções, com participações de artistas de Hollywood, intelectuais famosos e vencedores do Prêmio Nobel. "A longo prazo, com encontros como esse, a idéia da guerra pode se tornar auto-restritiva", projeta.



Não reconhecer que existe um potencial movimento de resistência entre os norte-americanos, na opinião de Atilio Borón, do Clacso (Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais), é um erro que os movimentos latino-americanos de esquerda cometeram por muito tempo. “Os 270 milhões de norte-americanos não são todos imperialistas. Eles, como nós, também vivem sob a pressão de uma elite”.



Segundo o ativista Ambrose, boa parte do norte-americanos que vieram ao Fórum “nunca tinham pensado em vir para cá”. “Muita gente está começando a entender que existem lutas comuns pelo mundo”.



Para Borón, a organização de uma oposição articulada nos EUA é “de primeira importância” e a realização de um Fórum Social em Washington contribuiria muito para tal. “Não podemos esquecer que as o grito antiglobalização de Seattle se deu um ano e meio antes do primeiro Fórum Social Mundial”.



*colaborou Gabriela Canale


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