Movimentos Sociais

Contagiados pela vitória de Lula, parlamentares de esquerda partem para a ação

24/01/2003 00:00

Parlamentares progressistas do mundo todo saem de Porto Alegre com agenda cheia para 2003. O primeiro compromisso está marcado para 2 de fevereiro: uma missão de solidariedade ao Iraque, em oposição radical à guerra. Reuniões com o Conselho de Segurança da ONU e com membros do Congresso e de movimentos anti-guerra norte-americanos também estão na pauta, que prevê ainda visita de apoio ao povo palestino, campanha contra a inclusão dos serviços públicos no Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS) e um encontro no México em setembro, às vésperas da Conferência Ministerial da OMC (Organização Mundial do Comércio) em Cancún. Encerrado nesta sexta-feira (24/01) na capital gaúcha, o Terceiro Fórum Parlamentar Mundial (FPM) avança em relação aos ano anteriores, saindo da árida seara das idéias para o campo das ações.


A chegada do Partido dos Trabalhadores à presidência do Brasil, na contramão da direitização do continente europeu, parece ter reacendido os ânimos da esquerda mundial. A vitória de Luis Inácio Lula da Silva chegou a ser exaltada na declaração final deste III Fórum Parlamentar. “O triunfo de Lula representa, para milhões de homens e mulheres do Brasil, da América Latina e do mundo a esperança de se concretizar um novo modelo de governo e de desenvolvimento econômico e social, que prioriza a inclusão social”, diz o documento.


O entusiasmo com a nova ordem política brasileira ganhou voz em diversos momentos do encontro de parlamentares. Uma das mais calorosas manifestações partiu da deputada e dirigente sindical argentina Alicia Castro, expositora do painel “As relações entre os movimentos sociais e os partidos políticos”. Depois de citar um trecho do discurso da vitória de Luis Inácio Lula da Silva, onde o presidente eleito dizia que teria cumprido a missão de sua vida se ao final de quatro anos todos os brasileiros pudessem fazer três refeições por dia, Alicia sentenciou: “O Fórum Social Mundial consolida o novo discurso político e o Fórum Parlamentar consolida uma nova ordem de princípios. Vamos substituir o consenso de Washington pelo Consenso de Porto Alegre”.


Os parlamentares aplaudiram. E decidiram partir para a mobilização. A Rede Parlamentar Internacional, idealizada no I Fórum e concretizada no segundo, elegeu como prioridade as ações “contra a nova ordem militar mundial que Washington quer impor e sua doutrina de guerra preventiva, cujos efeitos já se fazem sentir da América Latina ao Oriente Médio, na Europa e na Ásia”. Nesse sentido, os políticos conclamam as Nações Unidas a “tomar todas as iniciativas em favor da paz”. Em resolução à parte, o FPM convoca as nações a respaldar a democracia na Venezuela, rechaça ações internas e intervenções externas que ameaçam as instituições democráticas daquele país e repudia a “atuação negativa dos meios de comunicação”, apoiando o pluralismo informativo.


Além da já mencionada mobilização contra a mercantilização dos bens e serviços públicos promovida pela OMC, os parlamentares propõem a retomada, em Cancún, da discussão relativa aos bens da humanidade – água alimentação e terra. A adoção de uma taxa do tipo Tobin sobre as transações financeiras internacionais é a estratégia sugerida para combater a especulação e promover a distribuição de riquezas em escala mundial.


Como mecanismo fundamental no combate ao esgotado e destrutivo modelo neoliberal, os políticos progressistas reunidos em Porto Alegre pregam a aproximação entre partidos e movimentos sociais. E, declaradamente inspirados no programa do governo Lula, lançam a idéia de uma campanha mundial de combate à fome e à exclusão social.


Para o próximo Fórum, a ser realizado na Índia em janeiro de 2004, fica fixada a meta de criação dos pólos africano e asiático da Rede Parlamentar Internacional para abordagem de questões regionais daqueles continentes. Atualmente a rede conta com pólos organizados na Europa e na América Latina – tanto que no Fórum deste ano só estevepresente um parlamentar africano (marroquino) e nenhum asiático.


O recheado calendário de atividades da Rede Parlamentar para 2003, no entanto, continua em aberto. É que a agenda deve incluir, ainda, as decisões tomadas por movimentos sociais e cidadãos ao final do III Fórum Social Mundial, que termina na próxima terça-feira (28/01).







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