Movimentos Sociais

Fórum Social Mundial rumo ao México - Janeiro de 2021

 

15/03/2020 16:23

 

 
RÁDIO CARTA MAIOR ESPECIAL

Fórum Social Mundial rumo ao México - Janeiro de 2021

Ouça agora duas novas entrevistas com Conselheiros do FSM:

RITA FREIRE, da Ciranda de Comunicação Compartilhada.



FRANCISCO “CHICO” WHITAKER, da Comissão Brasileira de Justiça e Paz.



Integrantes do Conselho Internacional do FSM, que se reuniu em janeiro em Porto Alegre e construiu consenso sobre a necessidade de revitalizar política e organicamente o processo do Fórum em nível mundial rumo ao México.

E não deixe de ler o artigo ''O desafio é criar novas Redes Sociais Mundiais Democráticas - Um projeto com base no Fórum Social Mundial''. (Clique aqui)

Por Carlos Tibúrcio .

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Carta Maior
- uma mídia contra-hegemônica que nasceu com o Fórum Social Mundial e possui um dos maiores acervos de coberturas jornalísticas sobre esse processo - lança agora por sua Rádio uma série de entrevistas e debates sobre o FSM Rumo ao México, agendado para o final de janeiro de 2021, em contraposição política ao Fórum Econômico Mundial de Davos e em comemoração aos 20 anos da criação do FSM em 2001, em Porto Alegre. Conheça análises e posições de integrantes do Conselho Internacional do FSM e as organizações que representam.

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RITA – Ciranda / alguns destaques

Quero lhe agradecer, Tibúrcio, e cumprimentar a Carta Maior por promover esse debate. Acho mesmo que os meios de esquerda, os meios progressistas, as mídias livres, não devem se furtar a debater esse processo (do Fórum Social Mundial) que há 20 anos consegue reunir uma diversidade de forças, uma diversidade de vozes, ocupadas com a construção de alternativas, com a resistência e com o enfrentamento dos sistemas de dominação no mundo.

A discussão sobre o próximo Fórum foi feita à luz de uma reflexão sobre a conjuntura atual que realmente diz respeito a essa palavra que você usou o “enfrentamento”. Porque o poder econômico, o poder financeiro, há muito tempo são violentos contra a Humanidade para impor seus interesses. Mas no momento atual, e com o uso de recursos de controle muito mais poderosos, o que se sente é que os limites e os escrúpulos foram perdidos a ponto de, para se reproduzir, o sistema não mais se importar em colocar em risco a existência do planeta, a sobrevivência da humanidade. Então essa situação limite foi considerada no Conselho como um fator para se pensar o papel que o próximo Fórum deverá ter.

Os desafios colocados para a edição do Fórum Social Mundial no México, em janeiro de 2021, foram trazidos na verdade como condições pelas próprias organizações mexicanas - e são desafios que já se colocam para o processo de preparação. Acho que uma condição que foi trazida é que eles não querem ser coadjuvantes, meros participantes, nem querem estar “de fora” - eles querem estar no centro e ser protagonistas da construção do Fórum, do seu conteúdo e dos seus objetivos. A outra condição é que eles não querem estar sozinhos, ou seja, as organizações internacionais têm que estar comprometidas e engajadas em fazer dessa edição um evento de fato mundial. E a terceira condição, que tem a ver com o papel desse Fórum, é a de que ele tem que ser construído para ter incidência política internacional.

Um outro aspecto a se considerar na construção do próximo Fórum é a importância do contato das lutas sociais com experiências acumuladas do povo mexicano. Acho que uma característica muito importante a se considerar é que, assim como em todo o continente americano, as colonizações foram devastadoras, especialmente das culturas nativas e das civilizações que existiam aqui, mas o México conseguiu, com todo o sofrimento e todas as perdas, manter muito viva essa alma continental, essa alma indígena, que está presente na sua vida cotidiana. E para os movimentos de resistência é sempre muito importante conhecer essa vitalidade cultural e política de um povo como o mexicano. Então eu acho que o Fórum no México trará essa possibilidade de contato com lutas políticas diversas e com características culturais que vão enriquecer o movimento global.

A Ciranda de Comunicação Compartilhada faz parte do Conselho Internacional e, portanto, participa de todos esses debates e contribui sistematicamente com eles. Como uma organização que participa do Fórum, a Ciranda tem sua agenda e suas frentes de luta, nas quais a comunicação é a principal. Nós vemos a comunicação como uma questão estratégica das lutas sociais. A Ciranda nasceu junto com o primeiro Fórum Social Mundial em 2001, em Porto Alegre, num momento em que a Internet era um fator de grande esperança, de que a comunicação pudesse um dia ser democrática no seu interior, horizontal, sem hierarquias, sem controles do capital.

Desde o seu nascimento, a Ciranda tem na Internet a sua agenda prioritária. A partir de 2009, essa agenda passou a ser também do Fórum Mundial de Mídia Livre, do qual a Ciranda é uma das facilitadoras, e que já realizou cinco edições mundiais. E isso tudo sempre em diálogo com o Conselho Internacional do FSM.

Agora, a Ciranda - e você, Tibúrcio, é parte fundamental nesse processo - está empenhada em contribuir, com o Conselho Internacional, para viabilizar um projeto de uma nova rede que está sendo construído com a participação de especialistas em tecnologia para conectar os debates que acontecem no universo do Fórum. O FSM não é apenas um evento mundial, é um processo e um fórum de fóruns. Essa rede deverá conectar todos esses espaços em que se fazem debates para a construção de um outro mundo possível. E esse projeto está avançando. Esperamos que até o México já tenhamos algo mais concreto, talvez um protótipo, um primeiro módulo dessa rede. Ela está sendo projetada para que essa conexão aconteça, no limite do possível, com a proteção dos dados de todos e sem a modulação nem a moderação das redes corporativas privadas, que determinam se uma informação deve ser propagada ou se ela deve ser contida conforme seus interesses ou os dos seus clientes.

Então este é um projeto ousado do Fórum Social Mundial. É um projeto do Conselho Internacional e a Ciranda atua como uma facilitadora desse diálogo entre Conselho e o universo tecnológico que está contribuindo com os instrumentos necessários para viabilizá-lo. Essa nova rede possibilitará que se construa, além do Fórum que existe no tempo e no espaço físico, um fórum dos fóruns nesse universo digitalizado das lutas sociais.

CHICO – CBJP / alguns destaques

A decisão que foi tomada pelos membros do Conselho Internacional que foram a Porto Alegre no final de janeiro foi mais do que oportuna. Nós retomamos a realização de Fóruns Sociais Mundiais, depois do último que fizemos em Salvador em 2018, como evento mundial.

O Fórum Mundial tem um papel especial neste período porque estamos vivendo crises enormes no mundo e essas crises estão se tornando cada vez mais agudas. Entre muitas, principalmente a climática - que está determinando até possivelmente que proximamente não se tenha condições de vida em muitos lugares da Terra - e a crise da democracia devido ao crescimento do fascismo no mundo - um processo que pode simplesmente, nada mais nada menos, terminar com a democracia como forma de vida civilizada dos seres humanos nas diferentes Nações.

Estamos vivendo um momento crucial da história da humanidade. Então é mais do que urgente e necessário realizar esse Fórum. Nós todos continuamos acreditando que um outro mundo é possível, como já se disse a 20 anos atrás - aliás esse Fórum vai ser a comemoração dos 20 anos do primeiro Fórum Social Mundial. Então estamos todos absolutamente conscientes e acreditamos plenamente que um outro mundo é possível, necessário e urgente.

Só espero que os demais membros do Conselho Internacional que não puderam estar em Porto Alegre nessa reunião, que eram muitos, recebam a mesma mensagem que nós recebemos indo pra lá, e que agora nós estamos retransmitindo, que esse Forum no México é muito importante e precisamos todos nos esforçar na preparação para que ele não seja um simples evento a mais, burocrático, feito por que se faz a cada dois anos, mas um evento realmente significativo no Panorama Mundial atual

E nós vamos procurar realizá-lo na mesma data de Davos, na data portanto em que os donos do mundo se reúnem para decidir como continuarão a dominar o mundo, e nós vamos de novo nos reunir, todos aqueles que acham que o mundo pode ser diferente, para intercambiar ideias, intercambiar propostas, intercambiar experiências, realizar ações, aprendendo uns com os outros, tentando construir um clima de colaboração, de solidariedade, que se estenda para muito depois do Fórum, superando toda e qualquer competição entre nós, construindo a nossa união na nossa diversidade.

Então nós estamos muito confiantes em que todos se empenhem com a mesma garra com que nós que saímos de Porto Alegre para que dê certo mais esse Fórum.

A minha organização é a Comissão Brasileira de Justiça e Paz. Nós vamos evidentemente transmitir o convite para que mais organizações católicas vinculadas a uma teologia de libertação estejam presentes lá no Fórum e vamos, como Comissão, também construir, propor atividades que facilitem essa troca de experiências e facilitem o aprendizado mútuo e facilitem principalmente a definição de ações concretas com as quais possamos enfrentar essas enormes crises que estamos vivendo no mundo.

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O desafio é criar novas Redes Sociais Mundiais Democráticas

Um projeto com base no Fórum Social Mundial. O Conselho Internacional do FSM, reunido no final de janeiro de 2020, em Porto Alegre, apoiou a elaboração do Projeto Executivo da nova Rede no processo rumo à próxima edição planetária do Fórum agendada para janeiro de 2021 no México.

Carlos Tibúrcio
(*)

A humanidade certamente não vai abrir mão de se comunicar por meio das redes sociais.

Pelo menos até que surja algo tecnologicamente mais rápido, abrangente, amigável e eficaz.

O problema é que as redes sociais existentes, com a participação de bilhões de pessoas em todo o mundo, já demonstraram que não são democráticas.

Pelo contrario: funcionam no essencial de forma nociva aos interesses da cidadania e violam direitos humanos.

Utilizam, como se sabe, os dados pessoais de todos os participantes, quase sempre à revelia deles, para fins ilegítimos, inclusive ilegais, transformando-se nas empresas privadas multinacionais mais lucrativas do planeta.

Nos últimos anos tais redes passaram a ser usadas intensivamente pela direita e extrema-direita para burlar processos eleitorais em dezenas de países.

Hoje já há bastante literatura e pesquisas sobre isso. Quem pelo menos assistiu ao documentário da Netflix “Privacidade Hackeada” certamente tem algum conhecimento dessa situação.

E vai se lembrar de depoimentos feitos em março de 2018 na Comissão de Inquérito das Fake News no Parlamento da Grã Bretanha, que investigou por 18 meses o papel da Cambridge Analytica no plebiscito sobre o Brexit, ocorrido em 2016:

Dois desses depoimentos, reproduzidos naquele filme:

“Quando você é pego nas Olimpíadas por dopping, não tem discussão de quanta droga ilícita você usou. Certo?

Não se diz: ‘Ele provavelmente teria chegado em primeiro lugar igual’. Ou... ‘Ele só tomou metade da dose.’

Não importa. Se você é pego trapaceando, você perde a medalha. Porque se permitirmos trapaça em nosso processo democrático, o que acontecerá na próxima vez? E a vez depois dessa? Simplesmente não se deve ganhar trapaceando.”


Outro depoimento:

"Nossas leis eleitorais não são adequadas a essa finalidade. Nós não podemos ter uma eleição livre e justa neste país. E não podemos ter por causa do Facebook. Por causa dos gigantes da tecnologia que ainda são totalmente impunes.

E no final houve quem considerasse o Facebook simplesmente um "Gangster digital".

A questão, a esta altura, portanto, não é mais fundamentalmente de diagnóstico, embora a imensa maioria dos que estão dentro das redes sociais ainda não tenha consciência da gravidade da situação em que estão envolvidos.

A questão é o que fazer para enfrentar e superar isso.

Gostaria então de tentar contribuir um pouco nessa direção, apontando alternativas coletivas.

Como um dos integrantes brasileiros do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial, formado por mais de uma centena e meia de organizações e movimentos sociais de todo o mundo, levantamos em junho de 2018 o desafio de tentarmos construir uma nova Rede Social Mundial com base nos princípios e na enorme capilaridade do próprio Fórum Social Mundial.

Os integrantes brasileiros do Conselho ouviram especialistas em Tecnologia da Informação, daqui e de fora, e decidiram convidar Sergio Amadeu, membro do Comitê Gestor da Internet do Brasil, para elaborar a parte técnica da proposta. Ele aceitou, montou uma equipe e desenvolveu a atual proposta, juntamente com os representantes da Ciranda de Comunicação Compartilhada no Conselho Internacional do FSM, na qual me incluo, juntamente com Rita Freire.

Nós sabemos que já houve outras tentativas de construção de redes sociais alternativas, tanto aqui no Brasil como em outros países, que não obtiveram o êxito almejado. Isso certamente se deveu a pelo menos duas razões: o diagnóstico sobre o caráter nocivo das redes sociais privadas ainda não estava suficientemente elaborado e faltou base social ampla para potencializar e sustentar essas iniciativas.

A questão da clareza do diagnóstico já está em grande parte superada, como já abordamos aqui. E a da falta da base social inicial poderá ser enfrentada pela ampla representatividade do Fórum Social Mundial.

Para atestar essa perspectiva, há uma grande e recente novidade que talvez ainda não seja muito conhecida.

O criador e dirigente da Wikipedia, a maior enciclopédia digital colaborativa que existe, Jimmy Wales, anunciou exatamente há um mês (29/10/2019), na Feira Digital X em Colônia, na Alemanha, o lançamento de uma nova Rede, a WT Social.

Na ocasião, ele disse algo assim: Essa rede está sendo criada porque percebi que o problema de notícias falsas e de conteúdo de baixa qualidade decorre tanto das redes sociais (Facebook e Twitter, em particular) quanto de sites de notícias. A WT Social permitirá que os usuários editem diretamente manchetes enganosas e sinalizem posts problemáticos.

A nova rede está ainda com um visual básico, semelhante ao da Wkipedia, mas já é possível se cadastrar nela. No Twitter, Wales afirmou que conta com a adesão massiva da comunidade para "substituir redes sociais venenosas". Ele promete que a WT Social garantirá a privacidade, não venderá os dados dos participantes e não aceitará publicidade como não aceita na Wikipedia.

Essa iniciativa de Jimmy Wales demonstra na prática que o caminho necessário e urgente é esse mesmo que estamos propondo de criarmos novas redes sociais mundiais democráticas, alternativas às redes privadas.

Os objetivos e funcionalidades de cada rede podem ser diferenciados, mas se houver uma base comum nos princípios democráticos que as fundamentam certamente poderão ocorrer convergências num certo prazo.

É preciso destacar que a proposta que vamos resumir aqui já está um tanto quanto amadurecida. Ela foi inicialmente avaliada e aprimorada numa reunião do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial em novembro de 2018 no México, que deu aval para sua continuidade. Depois, em junho de 2019, foi novamente debatida numa reunião do Grupo de Trabalho do mesmo Conselho em Bogotá, na Colômbia, que autorizou a elaboração de um Projeto Executivo da nova Rede Social Mundial. Esse projeto, dependendo dos recursos aprovados em Bogotá, deverá ser apresentado em janeiro próximo, em Porto Alegre, no contexto do Fórum das Resistências, numa reunião do Conselho Internacional.

O Projeto executivo da nova Rede Social Mundial com base no Fórum Social Mundial deverá continuar sendo debatido no campo das organizações sociais e especializadas tecnologicamente, uma vez que sua implantação implicará em decisões políticas e esforços coletivos para a sua viabilização.

Resumo da Proposta

Rede social de debates do FSM

Fórum Social Mundial Digital

Destinatários

Para militantes, ativistas e pessoas que apoiam causas democráticas e progressistas (referência: Carta de Princípios do FSM) no mundo inteiro, que tem grande dificuldade de se informar e debater a visão dos movimentos no meio de redes sociais privadas que censuram e se aproveitam dos seus dados para lucro e vigilância, em meio a fake news e informação de baixa qualidade.

A Nova Plataforma / Rede Social Mundial com base no FSM é um novo tipo de ferramenta de colaboração e comunicação sobre conteúdos relevantes entre movimentos, círculos de debates, militância dentro de comunidades ativistas, de acordo com seus interesses e pautas de eventos presenciais e virtuais.

Diferente de redes sociais tradicionais, a Rede Social Mundial com base no FSM não é voltada para perfis individuais nem registro de amigos, mas sim para a contribuição de grupos (Círculos), que produzem conteúdos como textos, debates, eventos dando suporte a voz e áudio, com o foco em fazer circular rapidamente debates e fóruns mais relevantes sobre assuntos locais ou globais.

Mas cada participante da Plataforma FSM em todo o mundo deverá ter um ID único, que o identificará e possibilitará inscrição em eventos do FSM (se assim decidir o Conselho Internacional do FSM).

Objetivo principal

Funcionar como uma versão "online" e permanente dos fóruns de debate e mobilização do FSM, acolhendo e organizando e disponibilizando progressivamente debates e conteúdos relevantes do ativismo global.

Funcionalidades

Home do Planeta:
interface pública da rede, com curadoria manual e automática (assistida por um algoritmo de inteligência artificial) com conteúdos audiovisuais de qualidade e relevância no universo de interesse do FSM, onde os usuários podem comentar, grifar e salvar os conteúdos e debates de seu interesse.

Círculos de Ação: espaço para grupos de ativistas que atuam nas áreas temáticas de interesse do FSM, onde o grupo pode fazer publicações independentes de textos, imagens, áudios, debates e eventos, que podem eventualmente ser selecionadas para alimentar a Home do Planeta.

Linha do Tempo: ferramenta personalizada que permite aos usuários ter controle total da frequência, tipo e formato dos conteúdos que deseja ver, podendo dar "Zoom" em faixas de tempo, olhando com detalhes o que foi publicado num dia, ou vendo um resumo da semana, ou do mês, com os conteúdos mais relevantes apenas.

Calendário de Eventos: resumindo de forma simples os eventos de interesse do usuário, permitindo gerenciamento completo de eventos dos Círculos de Ação até mesmo com limite de vagas e confirmação de participação

Inteligência Artificial: contando com um algoritmo que aprende com os gostos dos usuários e sugere conteúdos, Círculos e Eventos com base nos interesses de pesquisas, leituras e participação

Editor de Áudio: permitindo recortar, inserir efeitos, música de fundo e outros recursos para que os Círculos de Ação possam se expressar de forma mais natural, incluindo comunidades indígenas e periféricas, dando acessibilidade, com a possibilidade de reconhecer e converter automaticamente para texto.

Tecnologia

para aumentar impacto no universo digital

Diferencial: Existem várias plataformas de organizar ações, petições, ou votações. Não é o objetivo deste projeto. Essa é uma plataforma completa em que círculos do FSM, locais e globais, organizam ações e debates. Também é uma produtora e curadora de conteúdos.

Inteligência Artificial: usando o que há de mais moderno em termos de inteligência artificial com a finalidade de melhorar a experiência do usuário e oferecer conteúdos relevantes e filtrados para o perfil individual, aprimorando as massas de dados produzidas.

Holochain: tecnologia open source criptográfica de última geração, que permite segurança, validação, alta performance e rastreabilidade máxima dos dados, sem depender de bancos de dados centralizados.

Hospedagem distribuída: para garantir a segurança, resiliência e inviolabilidade dos dados dos usuários, a hospedagem será feita de forma distribuída num sistema de nuvem apartado oferecendo privacidade máxima e otimização de custos.

Construção

De forma progressiva e integrada por protocolos comuns, com autonomia de gestão em cada círculo (em vários países/continentes) e possibilidade de intercomunicação com iniciativas já existentes no campo do Fórum em todo o mundo.

Este é o resumo da proposta da nova Rede Social Mundial com base no Fórum Social Mundial no estágio em que se encontra hoje.

Não é difícil imaginar os benefícios que a existência de redes alternativas como essa poderão trazer também para a comunicação de governos democráticos, populares e progressistas com a sociedade em todo o mundo.

(Texto-base para a exposição feita no Seminário “O desafio da Comunicação nas Administrações Públicas”, promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, com o apoio do Governo do Estado da Bahia, realizado em 29 e 30 de novembro de 2019, em Salvador, Bahia).

(*) Carlos Tibúrcio.


Jornalista, editor do Portal Carta Maior, integrante da Ciranda de Comunicação Compartilhada, membro do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial, ex-Coordenador da Equipe de Discursos dos Presidentes da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (2003 – 2016).



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