Movimentos Sociais

Fotorreportagem: o contra-ataque da ocupação Copa do Povo

O terreno que era cemitério de carros roubados, hoje é símbolo da luta popular contra a especulação imobiliária acentuada pela Copa do Mundo

14/05/2014 00:00

Roberto Brilhante

Créditos da foto: Roberto Brilhante


 
Em um terreno íngreme a cerca de 4km do Itaquerão, em São Paulo, o barulho das marteladas não cessa: e não se trata de operários apressados para entregar as obras da Copa do Mundo, mas de trabalhadores do MTST tentando construir uma reforma urbana adiada há anos. Com lonas, pedaços de madeira e outros materiais de construção subaproveitados, armam o contra-ataque contra a especulação imobiliária


 
A área ocupada é mais um dos tantos latifúndios urbanos que encontramos por São Paulo: um terreno gigantesco, cujo proprietário não paga quase nenhum imposto e espera pelo tempo que for necessário sua supervalorização. Até o dia em que os trabalhadores começaram a carpir o terreno e a levantar seus barracos, a única função social que ele cumpria era a de cemitério de automóveis roubados e criadouro de mosquitos da dengue.
 

 
Há na ocupação entre 5 e 10 mil pessoas (nenhuma das lideranças com as quais conversei soube precisar este número), e o motivo comum para ocuparem o terreno é a alta dos aluguéis na Grande São Paulo. Os processos de gentrificação, acentuados dramaticamente pela Copa do Mundo, fazem com que as rendas das famílias que não possuem casa própria fique cada vez mais comprometida com a locação de imóveis hipervalorizados. Como me disse o sr. Paulo, integrante da ocupação “como eu que ganho R$1000,00 por mês vou conseguir pagar um aluguel de R$500,00? Antigamente até dava pra encontrar alguma coisa mais barata, mas hoje em dia você pode procurar que não vai achar.”
 

 
O crescimento econômico do Brasil e as políticas sociais da última década possibilitaram um acesso ao trabalho e à renda à uma parcela muito maior da população; no entanto, os programas habitacionais do governo federal e municipal não oferecem solução a uma fatia significativa daqueles que vivem nos centros urbanos (na verdade, por seguirem a mesma lógica do capital imobiliário especulativo, até contribuem para a espiral da alta dos preços dos imóveis e dos aluguéis). A falta de verdadeiras reformas estruturais - como a agrária e a urbana – fez com que muitos daqueles que hoje têm acesso à renda ainda não tenham acesso à moradia digna.
 
 

 
E é justamente contra a lógica caótica do capital especulativo que os integrantes da “Copa do Povo” lutam. Eles, como os ocupantes da Vila Nova Palestina, do Jardim União, e de tantas outras ocupações espalhadas pelo Brasil, encontraram na ocupação dos espaços sem função social a última maneira de conquistar o direito à moradia.  
 

 
 




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