Movimentos Sociais

MST ocupa área do Estado em Taquari, no RS

Ação ocorre no antigo Centro de Pesquisa Emílio Schenk, da Fepagro

17/10/2019 12:58

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Créditos da foto: (Reprodução)

 
Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Rio Grande do Sul ocuparam na manhã desta quinta-feira (17), por tempo indeterminado, uma área de cerca de 460 hectares onde funcionava a Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) — Centro de Pesquisa Emílio Schenk, no município de Taquari, na região do Vale do Taquari.

Cerca de 200 sem-terras das regiões Norte, Serrana, Vale do Taquari e Metropolitana de Porto Alegre chegaram ao local por volta das 5 horas. O objetivo da ação, que ocorre pela terceira vez desde 2014, é reivindicar aos governos estadual e federal a área ocupada e outras da Fepagro à Reforma Agrária.

Os trabalhadores alegam que essas áreas estão desativadas, uma vez que a Fundação, que fazia pesquisas sobre produção agropecuária, vegetal, animal e derivados, foi extinta por lei pelo então governador José Ivo Sartori (MDB).

Conforme os acampados, próximo da ocupação já tem um assentamento do MST desde 1987. Antes da Reforma Agrária, esse território pertencia ao Estado e parte dele também foi destinado posteriormente a campos da Fepagro. Com a ocupação de hoje, eles reivindicam essa parte da Fundação para desapropriação. O intuito dos trabalhadores é investir na produção de alimentos e ter vida digna no campo.

Saiba qual é a situação da área ocupada pelo MST em Taquari
 
Local do governo do Estado foi encontrado pelos trabalhadores em situação de abandono
 
Na madrugada de ontem, quinta-feira (17), cerca de 200 trabalhadores rurais Sem Terra ocuparam uma área abandonada que pertencia à Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) em Taquari, na região do Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul. Eles chegaram ao local por volta das cinco horas para reivindicar áreas inativas do governo do Estado à Reforma Agrária.
 
Os acampados alegam que a unidade está desativada uma vez que a Fepagro foi extinta por lei pelo então governador José Ivo Sartori (MDB). Eles relatam que, ao chegarem no antigo Centro de Pesquisa Emílio Schenk, se depararam com uma situação de total abandono, com documentos e móveis cobertos de sujeira.
 
“O governo alega e declara à imprensa que aqui ainda são feitas pesquisas; mas tudo está abandonado. A área poderia ser utilizada para produzir alimentos e cumprir sua função social”, argumenta o acampado Roberto Gaiardo.
 
Ele acrescenta que o MST não bloqueou o acesso nem impede a entrada de veículos na área. Os trabalhadores estão abrigados em barracos de lona preta e não utilizam qualquer estrutura do local, como água ou energia elétrica.
 
Hoje (dia 18) pela manhã, a Rede Soberania esteve no local e conversou sobre a situação da unidade e da Reforma Agrária: http://bit.ly/33EYmJp
 
Os trabalhadores afirmam que apóiam as pesquisas que eram feitas pela Fepagro e que, caso a área for destinada a assentamento, eles têm disponibilidade de fazer parcerias com o governo do Estado, principalmente no resgate de sementes crioulas.
 
O MST luta por Reforma Agrária para que milhares de famílias que ainda vivem em barracos de lona preta, em acampamentos e beiras de rodovias, possam ter uma vida digna no campo. O objetivo, ao conquistar o assentamento, é se organizar em torno da produção e oferecer à sociedade uma alimentação mais saudável.
 
O MST já é referência nacional nesse sentido e trabalha com várias frentes de produção para abastecer escolas através do Programa Nacional da Alimentação Escolar (Pnae).
Somente na região Metropolitana de Porto Alegre participa de mais de 40 feiras ecológicas.
 
Além disso, é pioneiro na produção de hortaliças agro ecológicas e é considerado o maior produtor de arroz orgânico da América Latina, conforme o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

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