Pelo Mundo

“O legado de Allende se reflete nos que lutam pela educação”

11/09/2011 00:00

Christian Palma - Correspondente da Carta Maior em Santiago do Chile (@chripalma)

Para Camila Vallejo, a carismática dirigente estudantil chilena, a figura de Salvador Allende não é distante, apesar de ter apenas 23 anos. Seus pais foram comunistas e um dos avós pertenceu ao Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR), partido que lutou, inclusive pela via armada, contra a ditadura de Pinochet. Nenhum dos familiares de Camila sofreu prisões nem exílio, mas viveram perto dos horrores da repressão como quase todos os chilenos que pensaram diferente dos militares. Camila reconheceu que seus pais não a incentivaram a participar da política, e que isso acabou ocorrendo na Universidade do Chile, onde precisa concluir sua tese para formar-se em Geografia.

Ela falou com a Carta Maior e deu suas impressões sobre o Golpe de Estado e o exemplo de Salvador Allende.

O que representa para você a data de 11 de setembro de 1973?

Sem dúvida é uma data de luto para o povo chileno. Ela não marca somente o começo de uma das piores ditaduras que violou sistematicamente os direitos humanos, mas também significa o fim de um projeto revolucionário onde a sociedade, pela primeira vez, se converteu em sujeito primordial de transformação para a construção de uma sociedade justa e digna para todos.

O quanto essa data afetou a sociedade chilena?

Um dos produtos desse processo é que hoje nos encontramos em uma das sociedades mais desiguais do mundo e com enorme nível de precarização de nossa educação, saúde, habitação, trabalho e desenvolvimento.

Para muitos estrangeiros, inclusive no Brasil, Allende é um herói. O que o ex-presidente do Chile significa para você?

Allende foi um homem do futuro, foi um presidente que soube definir as prioridades para que o Chile fosse um país digno e igualitário para todos os chilenos. Foi um herói capaz de morrer por seus ideais e pela causa da classe operária. Hoje seu legado se reflete em todos aqueles que lutam por uma nova educação e, de modo mais geral, por uma nova sociedade.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

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