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''Ainda podemos chegar a um acordo'': recebido no Elysée, Boris Johnson insiste no Brexit em 31 de outubro

Primeiro-ministro britânico foi recebido por Emmanuel Macron, quase dois meses depois do prazo estabelecido para a saída de seu país da União Europeia

23/08/2019 15:47

Emmanuel Macron recebe Boris Jonhson no Elysée, quinta-feira, 22 de agosto (Pool/Reuters)

Créditos da foto: Emmanuel Macron recebe Boris Jonhson no Elysée, quinta-feira, 22 de agosto (Pool/Reuters)

 
Quase dois meses antes da data oficial do Brexit - marcada para 31 de outubro - Emmanuel Macron e Boris Johnson adotaram quinta-feira, 22 de agosto, um tom mais conciliador durante a reunião no Elysée. "Acho que podemos ter um acordo e um bom acordo", disse o primeiro-ministro britânico, lembrando:

"Devemos deixar a União Europeia em 31 de outubro, seja qual for a situação, com ou sem acordo. "

O presidente francês demonstrou mais prudência, mas declarou-se "confiante" de que uma solução possa ser encontrada "nos próximos trinta dias" entre Londres e os vinte e sete. O Sr. Macron alinhou-se com a chanceler alemã, Angela Merkel, que, ao receber Johnson na quarta-feira, achou possível encontrar "nos próximos trinta dias" um acordo para evitar um "Brexit duro".

"Como a chanceler Merkel, estou confiante de que a inteligência coletiva, nossa vontade de construir, deve permitir-nos encontrar algo inteligente em trinta dias se houver boa vontade de ambos os lados, e é nisso que quero acreditar", acrescentou ele à imprensa, avaliando que "o futuro do Reino Unido só pode estar na Europa".

Debate sobre a fronteira irlandesa

Isso requer encontrar espaços de entendimento sobre a questão do "backstop", ou "rede de segurança", na fronteira com a Irlanda, que está envenenando os debates do Brexit e que Johnson quer ver suprimido.

O "backstop", disposição controversa sobre a Irlanda no acordo Brexit negociado entre Londres e Bruxelas, mas rejeitado pelo Parlamento Britânico, prevê que, na falta de uma solução melhor após um período de transição, e para evitar a volta de uma fronteira entre a província britânica da Irlanda do Norte e a República da Irlanda, o Reino Unido como um todo permaneça "território aduaneiro único" com a UE.

Sobre esta questão, o Sr. Macron disse que "o trabalho deve ser feito", mas "no contexto do que foi negociado" nos últimos dois anos. Mas, ao mesmo tempo, foi muito claro: o "backstop" é um "elemento-chave" que traz "garantias essenciais para a preservação da estabilidade na Irlanda à integridade do mercado único", para ele dois pontos não negociáveis. No entanto, para Londres, o "backstop" ameaça a "soberania do Estado britânico" e o impediria de praticar uma política comercial independente das regras da UE.

Para o Sr. Johnson, há "soluções técnicas prontamente disponíveis" para o problema da fronteira entre a província britânica da Irlanda do Norte e a República da Irlanda, quando o Reino Unido deixar a União Europeia. O Reino Unido não quer "por melhores que sejam as compensações estabelecer controles na fronteira", insistiu ele.

*Publicado originalmente no Le Monde | Tradução de Aluisio Schumacher



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