Pelo Mundo

''Com esta política econômica, não sei se Macri chega ao final do seu mandato''

 

03/09/2019 16:08

 

 
Importantes declarações deu o cientista político argentino Rosendo Fraga, em entrevista ao jornalista Martín Granovsky para a rádio AM 750, de Buenos Aires. Segundo Fraga, que é diretor do Centro de Estudos União para a Nova Maioria, e considerado um dos mais lúcidos analistas da direita argentina, “as medidas adotadas por Macri depois das primárias...

Para Fraga, a vitória de Alberto Fernández nas eleições primárias, com 49,19% dos votos, é praticamente um triunfo definitivo do candidato peronista: “é muito difícil que um candidato obtenha no primeiro turno menos votos do que conseguiu nas primárias”.

Além disso, analisou que uma reviravolta a favor de Macri “não é impossível, mas sim improvável, ainda mais se considerarmos que, nas próximas semanas, teremos uma economia que se complicará ainda mais. Pensemos que a inflação que virá para o mês de setembro deverá estar ao redor dos 7% ou mais”.

Nesse sentido, Fraga afirma que o governo, e também os meios de comunicação, se equivocam ao se dedicar somente ao problema cambiário “que é somente um aspecto da crise atual, mas o problema inflacionário, que existe também por consequência desse primeiro, afeta muito mais a qualidade de vida das pessoas, e isso incidirá no voto do primeiro turno”. Lembremos que a data do primeiro turno das eleições presidenciais argentina é o dia 27 de outubro.

Para Rosendo Fraga, “com uma economia nessas condições é muito difícil que um candidato à reeleição possa mudar o panorama a seu favor. A estratégia do governo de desviar a atenção ou de colocar sobre os ombros da oposição os problemas econômicos do país não convence ninguém fora do núcleo duro de eleitores macristas”.

A chave do sucesso da candidatura peronista Fernández-Fernández – liderada por Alberto Fernández e conformada também pela ex-presidenta Cristina Fernández de Kirchner –, esteve sustentado em dois fatores, segundo a visão de Fraga.

Um deles foi a postura dos Fernández, que se apresentaram desde o princípio como a antítese do governo de Maurício Macri, especialmente em seu projeto econômico, segundo a visão de Fraga: “a questão socioeconômica é a que tem maior impacto na decisão do voto, o aumento da pobreza, do desemprego, e outros índices”.

Porém, o acadêmico também analisa que “o outro fator importantíssimo foi a união do peronismo, mesmo não se conformando uma união de todos os diferentes setores peronistas, tanto que há candidaturas como a de Roberto Lavagna e o fato de que o próprio Mauricio Macri tem um vice peronista em sua chapa (Miguel Ángel Pichetto), eu diria que ao menos um 90% do peronismo aderiu à proposta de Fernández”.

Contudo, talvez o fator mais preocupante observado por Fraga é o que diz respeito à reta final do governo de Mauricio Macri: “faltam mais de 50 dias para as eleições, e isso é muito tempo, e as medidas do governo estão gerando efeitos que tem piorado e não diminuído os problemas. Em apenas um dia, nesta segunda-feira (2/9), o país perdeu mais de 900 milhões de dólares, quase um bilhão, nesse ritmo, quanto tempo mais o país e o governo podem aguenta? Eu não sou analista econômico, sou analista político, mas com essa esta política econômica que está seguindo, eu não sei se Macri chega ao final do seu mandato”.

Também dentro da sua especialidade, que é a análise política, Fraga especificou sua opinião a respeito da possibilidade de adiantar a saída de Macri: “vejo muita gente falando em adiantar as eleições, o que considero uma bobagem. O máximo que se poderia fazer constitucionalmente é apresentar um projeto de lei para adiantar o primeiro turno em 15 dias, o que me parece totalmente inútil. Agora, depois desse primeiro tuno, uma vez que já se tenhamos o presidente eleito, com a legitimidade das urnas, será difícil para este governo se manter na Casa Rosada, com esses resultados econômicos atuais, até o dia da sucessão”.

Lembrando que entre a data de início do próximo mandato presidencial argentino é o dia 10 de dezembro, 44 dias depois do primeiro turno das eleições presidenciais.

*Com informações de AM 750



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