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''Hora de um novo governo'': EUA apoia explicitamente oposição venezuelana que quer depor Maduro

 

14/01/2019 09:58

(Manaure Quintero/Reuters)

Créditos da foto: (Manaure Quintero/Reuters)

 

Washington mostrou explicitamente seu apoio à um potencial golpe contra o presidente venezuelano eleito Nicolas Maduro, oferecendo seu apoio à oposição e declarando que já é hora de um “novo governo”.

“O regime de Maduro é ilegítimo e os EUA continuarão...trabalhando para restaurar a real democracia” na Venezuela, disse o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, aos repórteres em sua viagem ao Oriente Médio, adicionando que Washington tentaria “unir as nações latinoamericanas para realizar isso”.

As palavras do diplomata mais importante dos EUA vieram nas vésperas da posse de Maduro para outro mandato no poder, o que recebeu amplas condenações dos EUA e de seus aliados na região. O líder da Assembléia Nacional Venezuelana controlada pela oposição, Juan Guaidó, disse na sexta-feira que estava pronto para tomar o cargo do presidente e pediu ajuda do exército e da “comunidade internacional”.

Os EUA foram rápidos em apoiar o desafiador arrivista; quase imediatamente depositaram seu apoio no presidente da Assembléia Nacional. Primeiramente, o conselheiro de segurança nacional, John Bolton, recebeu o que chamou de “corajosa decisão” de Guaidó enquanto denunciou a “reivindicação de poder” de Maduro como “ilegítima”.

No sábado o Departamento de Estado dos EUA foi além quando declarou que “é pra iniciar a transição ordenada para um novo governo” enquanto repetidamente louvava “o compromisso com princípios democráticos dos membros eleitos da Assembléia Nacional Venezuelana”. Também convocou o povo venezuelano e o exército para “manter e respeitar o papel da Assembléia Nacional” e garantir “todas as proteções que a constituição fornece a Guaidó”.

A Organização dos Estados Americanos (OEA), uma estrutura de cooperação regional que abrange todas as nações soberanas das Américas, também expressou seu apoio a Guaidó; o secretário-geral da organização, Luis Almagro, já havia dito que a OEA “recebe a hipótese de Guaidó como presidente interino” da Venezuela.

Um dia depois da posse de Maduro a legislatura controlada pela oposição descartou sua eleição, que foi realizada em maio de 2018, como ilegítima, e pediu por protestos para depor o presidente. Guaidó em particular está planejando uma manifestação nacional massiva em 23 de janeiro. O próprio Maduro descartou rapidamente a oposição como um “grupo de meninos”.

Washington e Caracas estão presos em uma briga amarga nos últimos anos. A pressão econômica dos EUA e o declínio dos preços do petróleo contribuíram para uma severa crise econômica e social no país da América Latina. O presidente dos EUA Donald Trump repetidamente chama Maduro de “ditador” e o culpa pelos problemas humanitários na Venezuela, enquanto Maduro, por sua vez, repetidamente acusa os EUA de colaborarem com vizinhos da Venezuela e com a oposição do próprio país para tirá-lo do cargo.

De fato, os EUA supostamente conspiraram mais de uma vez para tirar Maduro do poder. Um relatório da AP alegou que Trump considerou invadir a Venezuela para depor Maduro. O presidente aparentemente discutiu essa questão em agosto de 2017 com o então secretário de Estado Rex Tillerson e o então conselheiro nacional de segurança H.R. McMaster.

Outro relatório, pelo NYT, disse que a administração Trump estava envolvida em conversas com um grupo de representantes venezuelanos conspirando para depor Maduro há um ano. Washington também impôs sanções restritas nas finanças da Venezuela, aparentemente mirando em uma mudança de regime.

*Publicado originalmente em rt.com/news | Tradução de Isabela Palhares

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