Pelo Mundo

A América Latina vai mudar

Boletim Semanal de Notícias sobre a América Latina - de 14 a 20 de junho

20/06/2021 14:48

(Arte/Carta Maior)

Créditos da foto: (Arte/Carta Maior)





FRACASSOU “SEGUNDO GOLPE” NA BOLÍVIA

Áudios vazados pelo Intercept revelam contratação de até 10 mil mercenários estadunidenses

A Bolívia esteve prestes a ser invadida com até 10 mil mercenários estadunidenses, para manter os golpistas no poder e não reconhecer a vitória eleitoral de Luis Arce Catacora à presidência, em outubro de 2020. É o que revelou esta semana uma série de aúdios vazados pelo Intercept.

Com todas as letras, os seguidores de Jeanine Áñez - que forçou Evo Morales a renunciar em novembro de 2019 - simplesmente não queriam dar posse ao candidato do Movimento Ao Socialismo (MAS), que voltava ao poder com Arce, após ter arrasado as eleições no primeiro turno com 55,1% dos votos - 26,3% à frente do segundo colocado, Carlos Mesa.

“A gravação mais longa a que se teve acesso é uma chamada de 15 minutos com uma pessoa a que o The Intercept indentificou como Fernando López, um ex-paraquedista e empresário nomeado ministro de Defesa por Áñez em novembro de 2019 [logo após o golpe contra Evo Morales],”, explicou a reconhecida agência de notícias. Conforme a publicação independente, “López, a quem se referem na chamada como ‘senhor ministro’, pode ser identificado pelas referências a seu trabalho como ministro com as forças armadas e comparando sua voz com as gravações disponíveis de seus discursos públicos”.

“O outro protagonista é Joe Pereira, um ex-administrador civil do Exército estadunidense radicado na Bolívia na época. Joe, que no passado se gabou de ter ligações com as Forças Especiais dos EUA e está preso num cárcere boliviano aguardando julgamento por fraude, é identificável por referências ao uso da empresa que dirigia na época, bem como os e-mails vazados que o descrevem como o organizador de uma missão envolvendo mercenários na Bolívia”. Foi destacada a necessidade de aviões militares “para recolher o pessoal do Comando Sul na base da Força Aérea em Homestead, Miami”.

Em outra gravação, Joe identificou seu tradutor como “Cyber Rambo”, a quem posteriormente se referiu diretamente como “Luis” em outra chamada. "Cyber Rambo" é o apelido de Luis Suárez, um ex-sargento boliviano-americano conhecido por criar o algoritmo que promoveu tuítes anti-Evo durante a crise política de 2019.

“Posso conseguir até 10.000 homens sem problemas”, diz Joe, frisando que serão “todos das Forças Especiais”. Também informou que poderia trazer cerca de 350 assessores para orientar a Polícia. “Comigo (na Bolívia) tenho uma equipe que pode fazer diferentes trabalhos [...] Caso eu precise de algo mais, posso trazê-los secretamente, como fotógrafos, pastores, médicos ou turistas”, esclareceu. | bit.ly/2TSUbda

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DESGOVERNO EQUATORIANO

Lasso lança projeto inconstitucional contra a democratização da comunicação

Para retribuir os inúmeros e imensos favores prestados pelos conglomerados privados de comunicação à sua campanha, o banqueiro Guillermo Lasso, recém-empossado presidente do Equador, lançou uma feroz ofensiva contra a democratização do setor no país.

Assim que assumiu, o banqueiro não só derrubou o Regulamento da Lei Orgânica da Comunicação em vigor, como também enviou à Assembleia Nacional um projeto de lei que desconsidera abertamente o direito dos equatorianos à comunicação e à informação consagrados em seis artigos da Constituição.

A nova legislação busca desregulamentar o conjunto da prática comunicacional, repassando todo o poder para que os proprietários das emissoras de rádio televisão, jornais e revistas, decidam sobre o que veicular ou não mediante o critério do que é mais lucrativo para eles. Tanto é assim, que a partir da nova concepção os meios passam a ser a “associação de indivíduos que combinam seu capital e trabalho”, em claro alinhamento às posturas mais neoliberais para as quais “a melhor lei é a que não existe”.

Além disso, o governo aclamado por Bolsonaro pretende ignorar os tímidos avanços relacionados à comunicação pública e comunitária ocorridos entre 2013 e 2017, e que já haviam começado a ser minados no recém-encerrado mandato de Moreno. | bit.ly/2UkKPY9

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GREVE GERAL NO URUGUAI

Trabalhadores param “contra a fome e a desigualdade”

Os trabalhadores uruguaios realizaram uma greve geral de 24 horas na última quinta-feira (17) “contra a fome e a desigualdade”, em favor do emprego e do aumento salarial.

Conforme o presidente da Plenária Intersindical de Trabalhadores – Convenção Nacional de Trabalhadores (PIT-CNT), Fernando Pereira, “o país está sofrendo uma crise econômica que está batendo forte nos setores mais débeis da sociedade”. “Uma vez que os depósitos bancários do Uruguai no exterior são de quatro bilhões de dólares, não é verdade que sejamos todos perdedores da pandemia em termos econômicos”, acrescentou.

Da mesma forma, o dirigente sindical afirmou que cerca de 135 mil pessoas ingressaram na linha da pobreza nos últimos meses, das quais 35 mil são menores de idade. Essas crianças têm problemas de tamanho, altura e peso, alertou Pereira.

“O nosso povo passa mal e temos gente passando fome num país de 3,5 milhões de habitantes, que produz alimentos para 30 milhões. É preciso tomar medidas”, enfatizou o presidente da PIT-CNT. Entre as prioridades apontadas pela central sindical está “a criação de um regime de contratação pública que apoie e promova a produção nacional e o emprego”. Segundo Pereira, esta política terá efeitos positivos não só no emprego e, consequentemente, na renda familiar; como também na arrecadação do Estado e no maior consumo a que esse aumento de renda dá origem, entre outros aspectos. | bit.ly/3gFHoDV

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RETROCESSO NA NICARÁGUA

Sergio Ramírez denuncia “injustiça ditatorial” de Ortega e defende “solidariedade internacional”

O escritor nicaraguense Sergio Ramírez, vencedor do Prêmio Cervantes 2017, afirmou na sexta-feira (18) que existe uma “injustiça ditatorial” em seu país e pediu “solidariedade internacional” aos opositores presos nas últimas semanas pelo governo de Daniel Ortega.

“A mão desajeitada da injustiça ditatorial na Nicarágua está perseguindo e fazendo reféns mulheres e homens dignos de todas as condições sociais, aterrorizando suas casas”, escreveu Sérgio Ramírez, ex-vice-presidente durante o primeiro governo de Ortega (1985-1990) e dissidente da Frente Sandinista no poder.

“Totalmente identificado” com essas pessoas dignas, o autor premiado de “Castigo Divino” e “Margarita está belo o mar”, entre uma ampla obra literária, lançou um “apelo à solidariedade internacional”.

O próprio Ramírez, de 78 anos, foi recentemente intimado pelo Ministério Público para depor em uma investigação contra a jornalista e candidata à presidência da oposição Cristiana Chamorro, em prisão domiciliar desde 2 de junho.

A Nicarágua se encontra mergulhada em uma grave crise política iniciada com os protestos sociais de abril de 2018, quando a violência da polícia e dos paramilitares deixou pelo menos 328 mortos, mais de 2.000 feridos, centenas de detidos e 100.000 emigrantes e exilados, segundo dados do Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). O governo alegou ser vítima de um "golpe fracassado" pelo qual culpou os líderes da oposição. | bit.ly/2Sf5jAX

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COLÔMBIA EM ALERTA

Mobilizações suspensas temporariamente pelo avanço da pandemia e dos assassinatos de manifestantes

Após 49 dias de manifestações na Colômbia, o comitê nacional de greve - que representa as centrais sindicais - anunciou uma mudança de estratégia nos protestos contra o governo de Iván Duque e decidiu suspender temporariamente os protestos convocados para todas as quartas-feiras desde 28 de abril.

Conforme o presidente da Central Unitária dos Trabalhadores (CUT), Francisco Maltés, “isso não significa que a mobilização social foi interrompida, ela vai continuar, porque as causas que a provocou se mantêm”. “Trata-se de uma decisão para salvar vidas em dois sentidos”, acrescentou o presidente da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Percy Oyola, frisando que o crescente número de manifestantes mortos pela polícia, assim como o de contagiados pela pandemia – que está batendo recordes nas últimas semanas - torna-se um fator inibidor.

Após as conversações fracassarem, o comitê de greve anunciou que apresentará suas exigências por meio de projetos de lei no Congresso. Para isso, será organizado um debate com diversos setores da sociedade e com o apoio de membros da academia. Também foi convocada uma nova mobilização para o dia 20 de julho, quando começa a nova legislatura no país. “Aspiramos a um país em que os membros do Congresso não falhem com os colombianos como falhou o presidente Duque”, sublinhou Francisco Maltés. | bit.ly/3gCFJit

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MALVINAS ARGENTINAS

Presidente e ministro da Defesa homenageiam veteranos da guerra contra a Inglaterra

A cerimônia realizada pelo governo argentino em homenagem aos veteranos dos 39 anos da Guerra das Malvinas, segunda-feira (14), em Buenos Aires, reafirmou que o país continuará reivindicando, pela via diplomática, a soberania das ilhas localizadas em seu território no Atlântico Sul.

“Às vezes penso que para o Reino Unido a guerra não acabou”, afirmou o ministro da Defesa, Agustin Rossi, denunciando que “as Malvinas foram transformadas por eles em um enclave militar, onde há tantos ilhéus como soldados” e se realizam “exercícios” armados que merecem “condenação permanente”.

Em seu discurso, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, reiterou que “parte fundamental do compromisso assumido e reivindicado é manter viva a memória dos nossos heróis do feito nas Malvinas em todos os cantos do país”. | bit.ly/3zGjxLV

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GOLPISTAS PERUANOS

Seguidores de Keiko Fujimori não reconhecem derrota e ameaçam com violência

Sob o pomposo nome de “Salvemos a Democracia”, os seguidores de Keiko, candidata novamente derrotada à presidência do Peru e filha do ditador Alberto Fujimori - preso por crime de lesa-Humanidade - ameaçam não reconhecer a vitória de Pedro Castillo. Na agenda dos golpistas, marchas violentas contra o Jurado Nacional de Eleições (JNE).

Nos áudios e vídeos das reuniões, o grupo afirma que vai se declarar em insurgência e pede aos seus integrantes que sejam “valentes” porque as marchas não serão pacíficas.

“Isso já é uma fraude eleitoral e uma opção seria declarar Keiko como presidente ou então a anulação das eleições e convocar novas eleições. Nós nos declaramos em insurgência, em desobediência e não reconhecemos quem quer que seja presidente até que sejam declaradas novas eleições e isso se consegue marchando porque isso lhe dá legitimidade”, se escuta Benavides Lozada dizer no Google Meet.

O advogado constitucionalista Juan Carlos Ruiz Molleda explicou que, caso essa ameaça se concretizasse, os cidadãos estariam cometendo o crime de sedição previsto no artigo 347 do Código Penal. | bit.ly/3zFtbhV

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SOLIDARIEDADE MEXICANA CONTRA A PANDEMIA

Vacinas doadas à Belize, Bolívia e Paraguai; insumos para a Guatemala

O governo do México, por meio da Secretaria de Relações Exteriores, doou 400 mil doses de vacinas contra a Covid-19 à Belize, Bolívia e Paraguai. Os lotes foram transportados pela Força Aérea Mexicana no último final de semana e já começaram a ser aplicados nos respectivos países.

A vacinação é produto do acordo de colaboração entre os governos do México e da Argentina, da Fundação Carlos Slim, AstraZeneca, o laboratório argentino mAbxience - produtora da substância ativa -, e a fábrica mexicana de Liomont, onde é feita a embalagem.

Também no sábado (12), 800 mil doses da AstraZeneca foram enviadas à cidade de Buenos Aires como parte do acordo de solidariedade assinado pelo México com o país sul-americano.

Diante do agravamento da crise na Guatemala, os mexicanos doaram mais de um milhão de insumos médicos para o combate à covid-19, incluindo equipamentos de proteção individual e termômetros digitais. A oposição guatemalteca denuncia que o governo de Alejandro Giammattei é extremamente relapso, subnotifica e testa pouco, além de ter uma das vacinações mais lentas da região. Até o momento, foram distribuídas quatro doses para cada 100 habitantes, com menos de 1% da sua população de 17,2 milhões de habitantes completamente vacinada. | bit.ly/3cV1dVK

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CRISTINA KIRCHNER X CLARIN

Oligopólio de comunicação liderou campanha negacionista

A vice-presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, fez um apelo a setores da oposição para não “buscar divisões” ou “atrapalhar o outro” no quadro da pandemia porque “essa é a pior coisa que pode acontecer à sociedade”. A afirmação foi feita segunda-feira (14), durante a inauguração do Hospital Infantil da cidade de La Plata, e mediante um agravamento dos contágios, com mais de 4,1 milhões de casos e 85 mil mortes. O país tem pouco cerca de 45,5 milhões de habitantes.

“Em nome de tantas pessoas que não se vacinaram por medo, que se foram e suas famílias estão de luto por elas, e em nome dos profissionais de saúde”, Cristina exortou a que, “a palavra dos médicos e da ciência não seja questionada” em relação ao que tem sido feito no combate ao coronavírus.

A campanha dirigida pelo jornal Clarín é respaldada por setores que desde o início da pandemia apoiam o negacionismo, acusando o governo de Alberto Fernández de “ditador” pelas medidas com que conseguiu conter os contágios através da quarentena.

Maior conglomerado de mídia da Argentina, o Grupo Clarín incitou a desobedecer às duras medidas de isolamento social, apontadas como necessárias pela comunidade científica. O confronto foi permanente e, violando todas as regras, os seguidores do partido oposicionista Alianza Cambiemos saíram às ruas em grupos que primeiro negaram o vírus e posteriormente se engajaram em uma guerra de baixo nível contra a vacina Sputnik V, a primeira que o governo negociou. Logo depois, também foram contra a chinesa desenvolvida pelo laboratório Sinopharm. | bit.ly/3iSpFuv

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CHILE ESMAGA PIÑERA NAS URNAS

Oposição vence 15 dos 16 governos estaduais

Nas primeiras eleições para governador da história do Chile, realizadas no domingo (13), a oposição venceu 12 das 13 regiões em disputa no segundo turno (em maio já havia ganho as outras três das 16 do país). O resultado representa uma derrota acachapante para a coalizão “Chile Vamos”, do presidente Sebastián Piñera e de sua política de arrocho salarial, privatizações e corte de direitos sociais e trabalhistas.

Isolado, com apenas um dos governos estaduais - que até então eram indicados pelo presidente -, Piñera colheu nas urnas o resultado das gigantes marchas de protesto realizadas pelo país entre 18 de outubro de 2019 e março de 2020. Manifestações em que abusou da violência ao invés de dialogar com as multidões. O povo cobrava atenção do governo diante do agravamento da crise e da fome. Piñera é adepto de Pinochet, que aplicou seu regime de terror desde o golpe contra Salvador Allende em 1973 até março de 1990.

Imagens da sua Tropa de Choque, os Carabineiros, agredindo jovens e mulheres com bombas de lacrimogêneo, caminhões com canhões d’água e armas que deixaram dezenas de mortos, centenas de cegos e milhares de feridos correram o mundo e ampliaram o isolamento do regime.

Frente à carnificina e à política de terrorismo de Estado, a primeira resposta veio em 25 de outubro do ano passado, quando 78% dos chilenos aprovaram em plebiscito por escrever uma nova Constituição para romper com a herança neoliberal, traduzida na ausência de serviços públicos, inteiramente entregues ao capital privado transnacional. Com este compromisso, desde abril, os constituintes começaram a redação da nova Carta Magna. | bit.ly/35SiVp3



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PARAGUAIOS RECORDAM CURUGUATY

Há 9 anos do massacre, camponeses seguem lutando por terra e Justiça

O povo paraguaio recordou neste 15 de junho (terça-feira), nove anos do massacre de Marina Kue, no distrito de Curuguaty, em que o assassinato premeditado de 17 pessoas - 11 camponeses e seis policiais - abriu caminho para o golpe jurídico-midiático-parlamentar contra o presidente Fernando Lugo uma semana depois.

Com faixas e cartazes em defesa de Justiça pelos caídos e pela regularização da terra pública, familiares e amigos das vítimas, artistas, policiais, representantes da sociedade civil e da igreja realizaram uma manifestação simbólica na entrada do latifúndio em que ocorreu a carnificina, feita por tropas de elite treinadas pela CIA e pelo exército dos Estados Unidos.

“Estamos denunciando mais um ano de abandono do Estado e de injustiça, honrando a memória dos que caíram, colocando seus nomes em flores que brotaram do solo regado com seu sangue e em balões que foram aos céus em meio a vivas”, declarou Martina Paredes, da Associação de Familiares e Vítimas do Massacre de Curuguaty.

Martina perdeu dois irmãos no massacre - Fermín e Luis Agustin -, tornando-se ao lado de Dario Asunción Acosta, símbolo de resistência dos acampados à fúria dos sucessivos governos neoliberais e da mídia venal. | bit.ly/35G0t2O

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INTEGRAÇÃO MONETÁRIA SUL-AMERICANA

Sistema de Pagamentos em Moeda Local: economia em dólar

O Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML) é um mecanismo financeiro bilateral que permite aos países signatários usar suas próprias moedas nas transações comerciais entre si, sem exigir o uso de moedas internacionais. O objetivo do SML é fazer com que exportadores e importadores baixem os custos de transação decorrentes da conversão cambial. A diminuição da demanda por dólares nas operações contribui para a redução do histórico problema de restrição cambial.

Esse mecanismo de financiamento de curto prazo entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai é operacionalizado por meio de acordos e regulamentos firmados, bilateralmente, entre os Bancos Centrais dos quatro países. As operações permitem a realização de pagamentos relativos ao comércio internacional de bens e serviços associados a essas operações, como fretes e seguros. Da mesma forma podem ser feitos pagamentos vinculados a aposentadorias e pensões.

O acordo entre a Argentina e o Brasil foi o primeiro a ser assinado em setembro de 2008, seguido por Brasil e Uruguai (outubro de 2014), Argentina e Uruguai (junho de 2015), Paraguai e Uruguai (outubro de 2015), Brasil e Paraguai (abril de 2016) e Argentina e Paraguai (outubro de 2019).

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ARGENTINA E PARAGUAI

Bancos Centrais adotam sistema de pagamentos em moedas locais

Depois de dois anos de tramitação, o Conselho de Administração do Banco Central da República Argentina (BCRA) aprovou na quinta-feira (17) o Regulamento Operacional para pôr em funcionamento o Convênio do Sistema de Pagamentos em Moeda Local com o Banco Central do Paraguai. Destinado ao encaminhamento dos pagamentos correspondentes a operações entre pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou com sede nos respectivos países, o acordo passará a valer a partir da próxima terça-feira (22).

Dessa forma, o Paraguai se junta ao Brasil e ao Uruguai, países com os quais o BCRA já estabeleceu acordos de pagamento em moedas locais.

As operações que podem ser realizadas através do Sistema de Moeda Local são: adiantamentos e cobranças de exportações argentinas de mercadorias e serviços correlatos, documentados em pesos argentinos; pagamentos de importação argentina de bens e serviços relacionados, documentados na moeda com curso legal do país da contraparte e pagamentos de aposentadorias e outros benefícios de pensões a cargo das instituições previdenciárias dos países quando houver acordo bilateral firmado entre elas.

Os BCs da Argentina e do Paraguai publicarão diariamente a taxa de conversão para o valor das operações. | bit.ly/35G0u6S

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VIOLÊNCIA EM HONDURAS

Polícia Nacional reprime moradores que reivindicavam diques de contenção dos rios

Moradores de Chamelecón, em San Pedro Sula, foram violentamente agredidos pela Polícia Nacional de Honduras, sexta-feira (18), ao bloquearem a entrada e a saída da cidade para exigir a reparação dos diques de contenção dos rios.

Os manifestantes foram atingidos por bombas de gás lacrimogêneo e feridos por cacetetes, ao reivindicar a reconstrução dos diques destruídos na passagem dos furacões Eta e Iota durante o verão do ano passado.

O protesto ganhou maior peso pela chegada da temporada de chuvas do país, com o crescimento dos rios das zonas do vale de Sula e que fez comunidades inteiras ficarem sem comunicação.

Em Chamelecón vivem mais de 110 mil habitantes, em 66 bairros e colônias. Em novembro passado, após a passagem dos furacões e a destruição dos diques, quase todo a região ficou inundada e milhares de moradores perderam todos os seus pertences. | bit.ly/3cUmyP9

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CHE E A AMÉRICA LATINA

“Guevara, uma biografia”: para recordar os 93 anos do guerrilheiro heroico

Em comemoração aos 93 anos de Ernesto Che Guevara, completos neste 14 de junho, a Carta Maior dedicou as Notas de Leitura desta semana ao livro ''Guevara, uma biografia'' do jornalista Jon Lee Anderson.

“Quem foi esse homem que abriu mão de tudo o que estimava para lutar e morrer em um campo de batalha estrangeiro? Aos 36 anos deixou para trás esposa e cinco filhos, um cargo ministerial e uma posição de comandante para iniciar novas revoluções. E em primeiro lugar, o que impeliu um intelectual argentino bem-nascido, com um diploma de médico, a tentar mudar o mundo?”, questiona o autor.

Para responder a essas questões, o livro apresenta as fases da vida de Che em três momentos (capítulos): os anos de formação que abrangem o contexto familiar e as viagens de Che pela América Latina, até a véspera de sua chegada à Cuba, em 1956; um segundo capítulo inteiramente dedicado à luta revolucionária, que começa detalhando o trágico desembarque dos revolucionários na Ilha; e um terceiro momento, entre 1959 e 1967, cobrindo sua presença e atuação no governo cubano, a projeção internacional e o retorno à luta revolucionária, com foco em suas ações no Congo (1965) e na Bolívia (1967).

“Che” Guevara é o homem que escreveu: “Deixe-me dizer-lhe, com o risco de parecer ridículo, que o revolucionário verdadeiro está guiado por grandes sentimentos de amor. É impossível pensar em um revolucionário autêntico sem esta qualidade. Talvez seja um dos grandes dramas do dirigente; este deve unir a um espírito apaixonado uma mente fria e tomar decisões dolorosas sem que se contraia um músculo. Nessas condições, é preciso ter uma grande dose de humanidade, uma grande dose de sentido da justiça e da verdade para não cair em extremos dogmáticos, em escolasticismos frios, em isolamento das massas. Todos os dias é preciso lutar para que esse amor pela humanidade vivente se transforme em fatos concretos, em atos que sirvam de exemplo, de mobilização”. | bit.ly/3zpNWOv





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