Pelo Mundo

A malograda resposta de Trump ao coronavírus

A resposta do governo Trump à pandemia de coronavírus foi um desastre deliberado desde o início. Mas não acredite na minha palavra - simplesmente olhe os fatos

15/04/2020 17:25

 

 
Aqui está a linha do tempo:

Em 2018, ele deixou que o escritório de preparação para pandemia, no Conselho de Segurança Nacional, simplesmente se dissolvesse e seguiu, este ano, com os cortes no orçamentos do HHS (Departamento de Saúde e Serviços Humanos) e CDC (Centros de Controles de Doenças e Prevenção).

O trabalho dessa equipe era seguir um manual de pandemia escrito depois que os líderes globais se atrapalharam com a resposta ao Ebola em 2014. Trump foi informado sobre a existência do manual em seu primeiro ano - se ele tivesse ouvido, o governo teria começado a conseguir equipamentos para os médicos há dois meses.

O surto inicial do coronavírus começou em Wuhan, China, em dezembro de 2019.

Em meados de janeiro de 2020, a Casa Branca tinha relatórios de inteligência que avisavam sobre uma provável pandemia.

Em 18 de janeiro, o secretário do HHS, Azar, conversou com Trump para enfatizar a ameaça do vírus no momento em que os diplomatas dos EUA estavam sendo evacuados de Wuhan.

Dois dias depois, o vírus foi confirmado tanto nos EUA e como na Coreia do Sul.

Naquela semana, as autoridades sul-coreanas imediatamente chamaram empresas médicas para desenvolver a produção em massa de kits de teste. A Organização Mundial de Saúde declarou uma emergência de saúde global. Mas Trump … nada fez.

Enquanto a província de Hubei entrava em confinamento, Trump, que adora qualquer desculpa para decretar uma proibição racista de viagens, proibiu a entrada de estrangeiros vindos da China (é quase certo que não foi uma decisão pró-ativa), mas não tomou medidas adicionais para se preparar para a infecção nos Estados Unidos.

Ele disse: "Nós praticamente fechamos, vindo da China".

Ele não acelerou a produção de kits de teste para que pudéssemos começar a isolar o vírus.

Em fevereiro, os EUA tinham 14 casos confirmados, mas os kits de teste do CDC se mostraram defeituosos; não havia número suficiente e eram restritos apenas a pessoas que apresentavam sintomas. A resposta pandêmica dos EUA já estava falhando.

Trump então começou a subestimar ativamente a crise e, sem fundamento, a prever que ela desapareceria quando o clima esquentasse.

Trump decidiu que não havia nada para fazer sobre esse assunto e, em 24 de fevereiro, tirou um tempo do seu dia para nos lembrar que as bolsas estavam subindo.

Um dia depois, as autoridades do CDC soaram o alarme de que a vida diária poderia ser gravemente perturbada. A janela para se antecipar ao vírus através de testes e contenção estava se fechando.

O próximo passo de Trump: ele comparou o Coronavírus a uma gripe sazonal ... e considerou a crise emergente uma farsa dos democratas.

Com 100 casos nos EUA, Trump se recusou a determinar uma emergência nacional.

Enquanto isso, a Coreia do Sul estava agora a caminho de testar um quarto de milhão de pessoas, ao passo que os EUA estavam testando 40 vezes mais devagar.

Quando um navio de cruzeiro contendo americanos com coronavírus se dirigiu a São Francisco, Trump disse que não queria que as pessoas que saíssem do navio fossem testadas, porque fariam os números parecerem ruins.

Trump não declarou uma emergência nacional até que o mercado de ações reagiu à crescente crise e deu um mergulho.

Naquela época, a Coreia do Sul usava um aplicativo há mais de um mês que extraía dados do governo para rastrear casos e alertar os usuários a ficarem longe das áreas infectadas.

Nas semanas seguintes, quando o vírus começou a se espalhar exponencialmente pelos EUA, os Governadores declararam estado de emergência, fechando escolas e locais de trabalho e interrompendo a economia americana - Trump deixou passar todas as oportunidades para se antecipar a essa crise.

A prioridade de Trump nunca foi a saúde pública. Tratava-se de fazer com que o vírus parecesse menos incômodo, de modo que os "números" parecessem bons para sua reeleição.

Somente quando o mercado de ações entrou em colapso, Trump finalmente começou a prestar atenção … e principalmente a socorrer as empresas sob a forma de um fundo maciço, de US$ 500 bilhões, para angariar apoio político, em vez de ajudar as pessoas. E então, com grande parte dos Estados Unidos finalmente e tardiamente em confinamento, ele disse no encontro com eleitores na Fox News que "adoraria" ter o país "aberto e ansioso para ir em frente" até a Páscoa.

A todo momento, Trump usou essa crise para se elogiar.

Isso não é liderança. Este é exatamente o oposto da liderança.

*Publicado originalmente no site do autor | Tradução de César Locatelli



Conteúdo Relacionado