Pelo Mundo

Ahmadinejad corteja o Brasil e quer aprofundar relações

22/06/2012 00:00

Rodrigo Otávio

Rio de Janeiro - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pregou na quinta-feira (21) a contínua cooperação entre o Brasil e o Irã em programas bilaterais e multilaterais. Após uma maior aproximação entre os dois países durante o governo Lula, a cooperação diplomática parece ter dado uma arrefecida durante o governo Dilma, especialmente após a presidenta brasileira ter apontado publicamente pendências do país islâmico na questão sobre respeito aos direitos humanos.

Em entrevista coletiva no Rio de Janeiro pouco mais de 24 horas após o início da participação dos chefes de estado na conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, um pacífico Ahmadinejad praticamente repetiu a o discurso de abertura da Rio+20 da presidenta brasileira ao afirmar que a crescente importância do Brasil e de outros países significam o limiar de uma nova era mundial. E que o Irã, apesar de bombardeado pela mídia ocidental, “nunca pedimos matérias a favor, apenas pedimos realidades”, quer fazer parte dessa mudança de liderança na arena mundial a partir de uma forte parceria com o Brasil.

Sereno, o iraniano fugiu da retórica diplomática de apenas boas intenções ao afirmar que um dos objetivos de seu governo é estreitar a parceria financeira de US$ 10 bilhões em cinco anos firmada durante o governo Lula.

“Nossos países têm grandes capacidades de atingir metas maiores que essa. Temos que manter essa linha. A economia iraniana é a 17ª mundial, indo para a 15ª. Há grandes potencialidades financeiras e científicas nas duas partes. Somos um país de 55 milhões de habitantes, com quatro milhões de estudantes e centenas de profissionais qualificados em diversos campos. Somos líderes na área de tecnologia e biotecnologia, e com elas estamos presentes na pesquisa espacial, além de termos enorme capacidade industrial”, disse Ahmadinejad, ele mesmo um acadêmico que afirma sempre ter dividido o seu tempo entre a academia e a política.

Questão nuclear
Ao comentar as potencialidades científicas, Ahmadinejad reafirmou a predominância “dessa ordem mundial injusta que deve mudar”. “A questão nuclear é um sinal de injustiça desse mundo atual. Os países possuidores do armamento nuclear, que utilizam e ameaçam outras nações, falam que outros países não podem ter esses armamentos. Acreditamos que a energia nuclear, como outras energias, deve ser acessível para todas as nações. Mas infelizmente essa energia nuclear está monopolizada por alguns. Assim como as tomadas de decisão mundial”, disse ele, reassegurando que seu programa nuclear é pacífico.

"Dominam o Conselho de Segurança (da ONU) para chegarem aos seus objetivos. Querem impor questões fora dos regulamentos da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) ao Irã. Bomba atômica? Não queremos ter ou fabricar. Não há nenhum sinal documentado de desvios de nosso programa. Por quê essa perseguição?”, questionou.

“Esses países possuem mísseis atômicos. Sionistas possuem bombas atômicas e ameaçam os países da região. Parece que para os Estados Unidos a bomba não é má. É claro que eles não querem o progresso, o desenvolvimento iraniano. Nós procuramos cooperação ao invés de enfrentamento, mas seguramente defenderemos nossos direitos”, completou.

O presidente iraniano aproveitou o tema para fazer novo aceno ao Brasil, agora lembrando a iniciativa de um acordo entre a república islâmica e a AIEA costurado pelo ex-presidente Lula em parceria com a Turquia. “O Brasil tem um papel, numa etapa o Brasil entrou muito importantemente. A declaração Irã, Brasil e Turquia é bem clara e mostrou responsabilidade, dentro dos regulamentos, para continuar as cooperações e nossas pesquisas”, disse, antes de acusar novamente má vontade da ONU após pressão das potências ocidentais. “A resposta deles? A resposta para esse trabalho valioso foi uma resolução do CS da ONU contra nós, e outras sanções”.

Síria
Ao comentar a turbulência interna na Síria, sua parceira estratégica no Oriente Médio, o iraniano novamente se descolou do papel demoníaco que a mídia ocidental lhe impõe ao descartar uma intervenção militar, opinando que o envio de armas agravaria a situação no país. “As nações do Oriente estão atentas, mas nós cremos que o governo da Síria e a oposição desse país têm que resolver esse problema sem intervenção de outros, sem matança”, afirmou

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