Pelo Mundo

Alberto Fernández denuncia empresa contratada por Macri para a contagem dos votos: ''tenho certeza que irão trapacear''

 

29/07/2019 18:23

 

 
Em entrevista para o portal argentino El Destape, o candidato presidencial kirchnerista Alberto Fernández denunciou que a empresa contratada pelo governo argentino para fazer a contagem e divulgação dos dados referentes à apuração não é confiável, e disse ter certeza de que haverá problemas nessa questão.

A empresa em questão se chama Smartmatic e tem um histórico não muito favorável de problemas detectados em eleições nas que entregou o mesmo serviço, e cujos resultados também foram questionados, incluindo Venezuela, Honduras, El Salvador e Filipinas. Foi contratada este ano e participará pela primeira vez de um processo eleitoral na Argentina.

As dúvidas com respeito a Smartmatic surgiram em meados deste mês, em uma matéria publicada pelo menos portal El Destape, onde o repórter Ari Lijalad participa da apresentação oficial feita pela empresa junto com autoridades da DINE (Direção Nacional Eleitoral da Argentina) e questiona porque os dados mostrados no simulacro eleitoral realizado pela empresa mostram mais de 50% de margem de erro na transmissão dos dados, e também porque a empresa ainda não entregou aos partidos uma cópia do código-fonte dos softwares que serão utilizados na apuração, como a lei eleitoral argentina obriga que seja feito com mais de três meses de antecipação – o primeiro turno da eleição será no dia 24 de outubro.

Perguntado pelo apresentador Roberto Navarro se ele achava poderia haver problemas devido ao histórico da empresa, Fernández não titubeou: “não confio na empresa, tenho certeza que vieram para trapacear”. A entrevista completa do candidato pode ser no vídeo abaixo:



Alberto Fernández foi Chefe de Gabinete do governo de Néstor Kirchner (2003-2007), cargo que também exerceu durante os primeiros meses do governo de Cristina Kirchner, até julho de 2008, quando suas diferenças políticas o fizeram renunciar e manter distância politicamente dos antigos chefes. Após mais de uma década de atritos, Fernández se reaproximou de Cristina, e participou ativamente da formação de uma frente comum dos diferentes setores peronistas, que inicialmente se daria em torno da candidatura da ex-presidenta, até que ela mesma, em maio passado, decidiu propor o lançamento de Alberto como candidato presidencial, ficando ela como vice da chapa – que vem liderando todas as pesquisas de opinião até o momento.

Além das suspeitas com respeito à transparência do processo eleitoral, Alberto Fernández afirmou que pretende fazer um governo de recuperação da economia da Argentina: garantiu que seu primeiro decreto será para dar um 20% de aumento às aposentadorias (compensando os cortes realizados pela reforma previdenciária de Macri, em 2017) e que suas principais medidas em 2020 serão para recuperar o poder de compra dos salários.

Também falou sobre política internacional, e fez menção ao atual presidente do Brasil: “eu tenho respeito por qualquer presidente do mundo eleito pelo seu povo, não estou aqui para questionar isso, mas em alguns casos celebro que não gostem de mim. Que um sujeito homofóbico, discriminador, racista e violento como Bolsonaro me enche de orgulho, mas o que me preocupa mais não é o apoio do exterior, e sim do povo da Argentina”.



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