Pelo Mundo

Após ataques em Paris, líder da extrema-direita propõe referendo sobre pena de morte na França

Marine Le Pen aproveita momento de tensão no país e situação de fragilidade de Hollande para trazer punição, abolida do território francês em 1981, à tona.

11/01/2015 00:00

Rémi Noyon / Flickr

Créditos da foto: Rémi Noyon / Flickr

“Quero oferecer aos franceses um referendo sobre a pena de morte. Pessoalmente, penso que essa possibilidade deve existir”, declarou nesta quinta-feira (08/01) a líder da extrema-direita francesa Marine Le Pen, do partido Frente Nacional (FN), em entrevista à emissora France 2.
 
Embora a pena capital tenha sido abolida do território francês em 1981, Le Pen a propôs como forma de punição aos suspeitos pelo tiroteio que resultou na morte de pelo menos 12 pessoas na redação da revista Charlie Hebdo na quarta-feira (07/01), em Paris. Ontem, um dos suspeitos, Mourad Hamyd, de 18 anos, se entregou à polícia francesa, que está à procura ainda dos irmãos Chérif Kouachi e Said Kouachi, de 34 e 32 anos.
 
“A França deve estar em guerra contra o fundamentalismo islâmico, porque os extremistas estão, sim, em guerra contra a França”, acrescentou.
 
Fazendo uso da política “olho por olho, dente por dente”, ela também aproveitou os holofotes para criticar a atual gestão do presidente, François Hollande, do PS (Partido Socialista), que atingiu em 2014 níveis históricos de impopularidade para um chefe de Estado francês.
 
O Frente Nacional ganha cada vez mais relevância no cenário político no país e no continente. No ano passado, o partido obteve vitórias históricas durante as eleições municipais em março e também nas eleições para o Parlamento Europeu, em maio.
 
As vitórias fazem parte de um projeto de constante renovação da imagem de Marine desde que ela assumiu a liderança do partido, após a saída do seu pai, Jean-Marie Le Pen, em 2011. O antecessor estava à frente do FN desde a fundação do partido, em 1972, e agora é presidente de honra.
 
É preciso lembrar que, quando a pena de morte foi abolida há mais de 30 anos, o então ministro da Justiça da França, Robert Badinter, justificou, em discurso na Assembleia Nacional, que "porque nenhum homem é inteiramente responsável, porque nenhuma justiça pode ser absolutamente infalível, a pena de morte é moralmente inaceitável”.
 
Plano europeu 'antiterrorismo'
 
Além dos tiroteios à sede da redação do Charlie Hebdo ontem, houve outro ataque nesta manhã na capital francesa que deixou uma policial morta e um funcionário municipal gravemente ferido.  De acordo com a promotoria da França, trata-se de um “ato terrorista”.
 
Em meio às ameaças de terrorismo que se expandiram ao redor do continente, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, declarou nesta quinta que o Executivo comunitário apresentará nas próximas semanas um novo plano antiterrorista.
 
"Sei por experiência que não se deve reagir no dia seguinte de uma tragédia, porque se comete o erro de ir longe demais ou ficar muito aquém, mas o acontecido em Paris nos interpela a apresentar um novo programa antiterrorista”, anunciou Juncker.



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