Pelo Mundo

Após subestimar a ameaça, Trump diz que manter as mortes por Covid nos EUA em 100 mil será um 'ótimo trabalho'

''Não há palavras para descrever tal nível de insensibilidade e desumanidade, de dar inveja a um serial killer''

31/03/2020 16:46

O presidente Donald Trump recebe perguntas de repórteres no Jardim de Rosas para o briefing diário de coronavírus na Casa Branca em 29 de março de 2020 em Washington, DC (Tasos Katopodis/Getty Images)

Créditos da foto: O presidente Donald Trump recebe perguntas de repórteres no Jardim de Rosas para o briefing diário de coronavírus na Casa Branca em 29 de março de 2020 em Washington, DC (Tasos Katopodis/Getty Images)

 

Pouco mais de um mês após proclamar que o número de casos de coronavírus nos Estados Unidos em breve "chegaria a zero", o presidente Donald Trump disse, durante coletiva de imprensa no gramado da Casa Branca, neste domingo, que limitar as mortes pela pandemia a algo entre 100 mil e 200 mil pessoas nos EUA significará que seu governo e o país como um todo terão feito "um ótimo trabalho".

Expressando-se no momento em que o número de mortos pelo novo coronavírus havia subido para mais de 2.300 nos EUA – o país que tem mais casos confirmados do vírus no mundo – Trump citou uma pesquisa recente que alertava para o fato de que 2,2 milhões de pessoas poderiam morrer de COVID-19 nos EUA se o governo e a população não tomassem medidas para mitigar a ameaça.

"Estamos falando de 2,2 milhões de mortes, 2,2 milhões de pessoas", disse o presidente. "Assim, se pudermos manter esse número mais baixo, como dissemos, em 100 mil – é um número horrível – talvez até menos, mas em 100 mil, algo entre 100 mil e 200 mil, todos juntos teremos feito um ótimo trabalho".

Críticos condenaram as observações de Trump como especialmente cruéis e insensíveis, principalmente vindas de alguém que subestimou repetidamente a ameaça do vírus – sugerindo, a certa altura, que se tratava de uma "nova farsa" criada pelo Partido Democrata – e pediu aos americanos que voltassem ao trabalho, apesar das advertências de médicos.

"Realmente não há palavras para descrever tal nível de insensibilidade e desumanidade, de dar inveja a um serial killer", disse Charles Idelson, da Enfermeiros Nacionais Unidos, em resposta aos comentários de Trump.

Outros reagiram com alarme e nojo semelhantes:

“O presidente está apresentando 100 mil americanos mortos como uma métrica de ‘sucesso’. Absolutamente assustador”, tuitou Susan Hennessey, analista de segurança nacional da CNN.

“Um mês atrás, Trump disse aos americanos que em breve haveria zero casos de coronavírus nos EUA. Agora ele diz que ele cantará vitória se 100 mil americanos morrerem”, escreveu Brian Klaas, cientista politico e colunista do Washington Post, também no Twitter.

Trump anunciou no domingo que a Casa Branca está estendendo as diretrizes federais de distanciamento social até pelo menos 30 de abril, um recuo na posição do presidente na semana passada, quando insistiu que o país poderia retomar suas atividades por volta da Páscoa, em 12 de abril.

Sobre as mudanças bruscas de rumo presidente, o repórter da CNN Daniel Dale tuitou, no domingo à noite: "Que evolução de Trump desde o tempo dos 15-casos-em-direção-a-zero".

*Publicado originalmente em 'Common Dreams' | Tradução de Clarisse Meireles

Conteúdo Relacionado