Pelo Mundo

Argentina lança plano para ser líder agroindustrial do século XXI

06/09/2011 00:00

Francisco Luque - Correspondente da Carta Maior em Buenos Aires

A presidenta Cristina Fernández anunciou segunda-feira o Plano Estratégico Agroalimentar e Agroindustrial (PEA), projeto governamental que busca fortalecer o setor mediante desenvolvimento científico e tecnológico, visando transformar a Argentina em líder global em matéria alimentar durante este século. O lançamento deste projeto ocorreu nas dependências da Tecnopolis, mega-feira de tecnologia e inovação localizada em Vicente López, e contou com a presença de autoridades políticas, acadêmicas, industriais e de lideranças do campo.

A presidenta Cristina Fernández assinalou que, até 2020, espera que o país realize investimentos de 1 bilhão de dólares no setor agroalimentar, produza 150 milhões de toneladas de grãos anuais e exporte mais de um milhão de toneladas de carne nos próximos dez ano, aprofundando a agregação de valor na origem da produção.

“A Argentina, graças à participação do Estado, do mundo acadêmico e do setor produtivo, pode ser líder global em matéria agroalimentar durante esse século”, assinalou a presidenta, lembrando que atualmente o país é o primeiro exportador de biodiesel e farelo de soja no mundo.

O PEA foi desenhado por representantes de diversos setores da sociedade argentina. Participaram de sua elaboração 45 universidades nacionais, câmaras empresariais, estados, municípios, organizações rurais, sociais, organizações internacionais e mais de 400 escolas técnicas do país. A contribuição de cada setor se concentrou em 24 complexos produtivos, levando em conta as características e produções de cada região do país.

Os objetivos do Plano são promover a participação de toda a cadeia de valor agroalimentar e agroindustrial, junto com atores políticos, econômicos e sociais, garantindo regras claras e consistentes para o longo prazo, e criar riqueza econômica com competitividade, de maneira sustentável e com inovação tecnológica.

Segundo estudos realizados para o plano, até 2020 continuará o aumento da demanda mundial de alimentos por causa da “irrupção de um vasto segmento da população do mundo que seguirá melhorando sua renda, em países como China e Índia”. A demanda de cereais e oleaginosas será não só para alimento humano, mas para forragem para animais e para a elaboração de biocombustíveis que passarão cada vez mais a ser componentes obrigatórios da gasolina e do diesel. Em 2020, 14% da produção de cereais secundários e 16% dos azeites vegetais serão destinados à produção de biocombustíveis.

Segundo a presidenta Cristina Fernández esta proposta está fundada “no pensamento humanista de base nacional e popular”. A proposta gerou amplas expectativas nos setores que questionam o modelo liberal do agronegócio que se desenvolveu com força a partir da década de 90 e que permitiu a um punhado de multinacionais concentrar uma ampla porção da renda agrária.

O PEA quer também reduzir a importância do modelo baseado na soja que beneficia fundamentalmente às transnacionais do setor. Para tanto o governo argentino também planeja avançar com a lei de terras, a lei de arrendamentos rurais e um marco legal para a promoção da pecuária e da produção de leite. Espera-se uma maior participação do movimento cooperativo e de produtores nacionais no comércio internacional de grãos.

Queremos agregar valor industrial ao setor rural e tornar o cooperativismo um instrumento valioso para melhorar preços e participar na cadeia de valor, finalizou a mandatária argentina.

Tradução: Katarina Peixoto

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