Pelo Mundo

As ruas de Buenos Aires foram cenário de resistência contra Bolsonaro

O presidente brasileiro teve que mudar o itinerário programado, devido às marchas organizadas em repúdio à sua visita. No Brasil, ele já enfrenta crescentes protestos estudantis e até uma greve geral, programada para o 14 de junho. Lula também poderia se tornar uma ameaça ao seu projeto, pois o Ministério Público já especula sobre a possibilidade de ele progredir a um regime semiaberto

07/06/2019 14:08

 

 
Um presidente que precise mudar o seu itinerário para não enfrentar uma marcha contra si, em seu próprio país, talvez não seja algo que chame a atenção. Mas quando isso acontece em uma visita a outra nação, talvez já não seja tão normal, sobretudo quando se trata de um encontro entre sócios historicamente irmanados, como Argentina e Brasil.

Mas o fato é que isso ocorreu durante a passagem do ex-capitão do Exército brasileiro Jair Bolsonaro, que realizará todas as suas atividades programadas em Buenos Aires dentro da Casa Rosada para não se cruzar com as manifestações de repúdio à sua presença, convocadas pelos organismos de direitos humanos, movimentos sociais, políticos e residentes brasileiros, que apresentou consignas como “teu ódio não é bem-vindo aqui” e “fora Bolsonaro e o fascismo, fora da Argentina e da América Latina”.



Na sua volta a Brasília, porém, o mandatário se enfrentará ao mesmo repúdio de multidões de brasileiros, como nas recentes e massivas marchas que houve em todo o território brasileiro, demonstrando o crescente repúdio às políticas de cortes na Educação Pública. Segundo João Pedro Stédile, líder do tradicional Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), “a disputa ideológica se dará nas ruas”. Para ele, o clima de protesto no Brasil é parecido ao que se vê na Argentina, embora mais focalizado no problema da política nacional de cortar os fundos destinados às instituições de ensino e acabar com a autonomia universitária.



Cinco meses depois de assumir o Palácio do Planalto, a imagem de Bolsonaro se encontra em queda livre, assim como a economia do seu país. Sua postura desafiante, recheada de frases racistas e homofóbicas vem desagradando até mesmo alguns setores da direita em seu país, e mesmo dentro das Forças Armadas, que eram consideradas um dos seus pilares.



Além dos problemas internos, Bolsonaro pode ganhar uma nova dor de cabeça, caso seja confirmado o benefício de um regime semiaberto ao ex-presidente Lula da Silva, uma possibilidade que vem sendo especulada pelos menos brasileiros nos últimos dias. Em entrevista recente para o canal brasileiro Tutaméia, Lula apoiou as manifestações realizadas contra o governo de Bolsonaro: “temos motivos de sobra para ir às ruas juntos, e coloco a questão da soberania como algo muito forte. Defendendo a soberania a gente defende o nosso país, o nosso território, o nosso povo, e as nossas riquezas”.



Quando esteve no Chile, em março, Bolsonaro também enfrentou protestos dos movimentos locais. Agora, já acumula repúdio em seu próprio país e nos dois países vizinhos que visitou. Toda uma façanha para quem sequer completou meio ano de mandato.



*Com informações e fotos do Tiempo Argentino e do El Destape



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