Pelo Mundo

Assessor de Trump diz que EUA trabalha para dolarizar a economia argentina

Larry Kudlow definiu a medida como ''a única forma de recuperação''

13/09/2018 13:35

Larry Kudlow assegurou que o Tesouro dos EUA quer que a Argentina dolarize a sua moeda (BLOOMBERG)

Créditos da foto: Larry Kudlow assegurou que o Tesouro dos EUA quer que a Argentina dolarize a sua moeda (BLOOMBERG)

 

O diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Larry Kudlow, afirmou que a única saída para conseguir a recuperação da economia argentina é “amarrar o peso ao dólar”, ou seja, como se fez nos Anos 90 durante o governo de Carlos Menem, uma convertibilidade de 1 para 1 entre o dólar e o peso, ou diretamente um processo de dolarização. Além disso, assegurou que o Tesouro dos Estados Unidos está “profundamente envolvido nessa discussão”.

Numa entrevista para o canal de notícias Fox News, Kudlow revelou que “o Tesouro está participando ativamente deste debate, junto com o governo argentino”, em referência às negociações que vêm sendo realizadas nos últimos dias, junto com representantes do governo de Mauricio Macri e do FMI.

Em outro momento do programa, o assessor de Trump comentou que “a única forma de a Argentina sair do dilema em que se encontra é estabelecer uma junta monetária, que imponha uma vinculação do peso com o dólar. Não se pode criar dinheiro, a menos que se tenha uma reserva em dólares”. Kudlow lembrou que “essa medida funcionou nos Anos 90, derrubou a inflação e manteve a prosperidade”, e sugeriu que “isso é o que precisam fazer para voltar a ter bons resultados”.

“O pessoal do Departamento do Tesouro está trabalhando nisso”, finalizou o assessor, insistindo na intenção da equipe econômica estadunidense, com quem o ministro da Fazenda argentino Nicolás Dujovne se reuniu na semana passada, em Washington.

Dois dias antes da entrevista, a jornalista norte-americana Mary Anastasia O'Grady sugeriu a mesma solução, em um artigo publicado em sua coluna no The Wall Street Journal, cujo título era direto: “A Argentina precisa dolarizar”.

“Outra crise monetária está sacudindo a Argentina, e faltando apenas um ano para as eleições, o presidente Mauricio Macri está lutando por endereçar o barco. Desde janeiro, o peso já perdeu a metade do seu valor em comparação com o dólar estadunidense. As expectativas de inflação estão aumentando. O Banco Central aumentou sua taxa de juros anual a 60%, para tentar conter a fuga de capitais. Mas os argentinos se preparam para um aumento preços em espiral e uma nova recessão (...) Agora, os mercados esperam que a economia termine com uma contração de mais de 2% este ano, e que a inflação supere os 40%”, diagnosticou O'Grady.

Logo, planteou uma pergunta: “a questão que parece estar na boca de todos é por que isso acontece de novo, durante um governo do qual se esperava a realização de mudanças positivas? A resposta: porque a Argentina ainda tem um Banco Central. Para solucionar o problema de uma vez por todas, deve dolarizar”.

*Publicado originalmente em perfil.com | Tradução de Victor Farinelli

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