Pelo Mundo

Bolívia e Peru vivem novas mobilizações populares

17/05/2005 00:00

El Tiempo

Créditos da foto: El Tiempo

Lima e La Paz – Depois da Bolívia, é a vez do Peru viver uma nova onda de manifestações organizadas por movimentos sociais. Desde segunda-feira (23), agricultores bloqueiam algumas das principais estradas do país, em protesto contra a política econômica do governo e a assinatura de um Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos.

A chamada greve agrícola começou poucas horas antes da viagem do presidente Alejandro Toledo à China e ao Oriente Médio, capitaneada por milhares de produtores de batata, arroz e algodão de áreas distintas do país. Serão 48 horas de paralisação.

Entre as exigências dos agricultores estão os preços justos; redução dos impostos a seus produtos; contenção da importação de arroz; e a suspensão das negociações do TLC com os EUA, que o Peru negocia desde o ano passado junto com a Colômbia e o Equador. O cronograma prevê a assinatura do tratado até julho próximo. Os TLCs foram a alternativa encontrada pelo governo norte-americano para driblar os impasses em torno da Área de Livre-comércio da Américas (Alca).

Os manifestantes usaram pedras e paus em alguns casos e, em outros, levavam grandes cartazes nas estradas, impedindo o trânsito de veículos em diversas estradas do país. Os bloqueios aconteceram ao norte de Tumbes, fronteira com o Equador, e nas redondezas de Piura, Lambayeque e La Libertad.

O acesso e as ruas das regiões de Puno e Ayacucho também foram fechados, onde grupos de agricultores entraram em confronto com agentes da polícia. Não houve notícias sobre feridos em nenhuma das partes.

Diante dos protestos, que atingem milhares de passageiros do transporte urbano, o ministro da Agricultura, Manuel Manrique, qualificou de "absurdos" alguns itens estabelecidos na plataforma de luta dos grevistas.

"Há determinados pontos que são inviáveis, que nós não podemos resolver e que são equivocados", disse Manrique, que citou como exemplo o pedido dos agricultores para que o seu produto seja considerado um cultivo alternativo à folha de coca.

"Esta substituição é inviável", disse o ministro, ao explicar que atualmente a coca se semeia em encostas, onde arrozais não poderiam se desenvolver. Os produtores que aceitam substituir a coca contam com benefícios do governo.

Na sexta-feira (27), será a vez de milhares de camponeses cocaleiros realizarem mais uma jornada contra o governo.

Na Bolívia, mobilização continua
Centenas de professores começaram segunda a bloquear os acessos ao centro de La Paz, no início de uma greve por melhores salários e para exigir a nacionalização das empresas de petróleo e gás. É mais um capítulo da incessante onda de mobilizações sociais que atingem a Bolívia e deixam dúvidas sobre a continuidade do governo de Carlos Mesa.

Os professores exigem um aumento salarial superior aos 3,5% propostos pelo governo, considerado insuficiente pelos sindicatos. Além disso, reivindicam a oferta de novos postos de trabalho para os docentes recém-formados.

A demanda central, no entanto, é a mesma que une os movimentos que há semanas promovem marchas na capital, como os mineiros e os cocaleiros: mudanças na nova Lei de Hidrocarbonetos, recém-aprovada, de modo a aumentar os royalties pagos pela exploração de petróleo e gás.

Desde segunda, diversas organizações de El Alto, município próximo a La Paz, promovem uma greve geral e prometem para os próximos dias uma supermarcha rumo a capital, com o objetivo de tomar a praça onde estão localizados os palácios de Governo e do Legislativo.

Os líderes sociais de El Alto exigem também a convocação imediata de uma Assembléia Constituinte. Eles não deram importância aos rumores surgidos no final de semana de que haveria uma conspiração para derrubar o presidente Carlos Mesa.

"Defenderemos a democracia e não permitiremos um golpe. Mas nossa demanda de nacionalização e pela Constituinte é justa e continuaremos lutando para alcançá-la", disse Abel Mamani, presidente da Associação de Moradores de El Alto.

A polícia boliviana mantém cercados os acessos à principal praça do país. Carros de bombeiro estão localizados nas principais ruas de entrada e centenas de policiais impedem a passagem de veículos e controlam os pedestres.

Enquanto isso, os professores bloqueiam outros acessos ao centro e se organizam para a chegada dos moradores de El Alto e camponeses do interior, como produtores de coca da região subtropical de Yungas, no norte.

As principais rádios do país informam que em Oruro e Cochabamba também estão sendo preparadas passeatas de apoio às organizações sociais de El Alto.

As informações são da Agência Ansa.

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