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Boris Johnson é internado em UTI com Covid-19

Dominic Raab, o ministro das Relações Exteriores, o substitui

08/04/2020 13:45

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"Oi, pessoal", disse Boris Johnson alegremente em um vídeo postado no Facebook e no Twitter em 3 de abril. O primeiro ministro da Grã-Bretanha declarou que estava se sentindo "melhor" depois de passar uma semana em autoisolamento com a Covid-19. Sua reclusão teria que continuar, pois ele estava tendo um "pequeno sintoma", isto é, uma febre. Mas em 5 de abril, ele foi levado ao hospital - uma "medida puramente preventiva", insistiram as autoridades. Um dia depois, Downing Street anunciou que o primeiro ministro havia sido levado para tratamento intensivo. Ainda era uma precaução, disseram eles.

Johnson é o primeiro chefe de um governo ocidental a ser hospitalizado por Covid-19 durante a pandemia que infectou mais de 1 milhão de pessoas e matou mais de 70.000 - mais de 5.000 britânicos. Sua doença é prova, se houver necessidade de provar, de que o novo coronavírus pode atingir qualquer pessoa.

A deterioração da condição médica do primeiro-ministro perturbou a política britânica. Quem dirige o governo nesta luta para controlar a pandemia? Downing Street disse que Dominic Raab, o secretário de Relações Exteriores, estava substituindo Johnson "quando necessário". Raab, por sua vez, sugeriu que Johnson ainda estava definindo a política para o governo. "O primeiro-ministro está em boas mãos com uma equipe brilhante no hospital de St. Thomas", disse Raab à BBC. "O foco do governo continuará sendo … dirigido pelo primeiro-ministro, todos os planos para garantir que possamos derrotar o coronavírus e levar o país a ultrapassar esse desafio continuarão."

Johnson foi internado no St. Thomas, um hospital do Serviço Nacional de Saúde, nas margens do Tamisa, a cerca de 800 metros de sua residência em Downing Street. Ele foi transferido para a unidade de terapia intensiva por volta das 19h do dia 6 de abril, caso necessitasse de um respirador, mas recebia apenas oxigênio, disseram as autoridades.

No início do dia, o porta-voz do primeiro-ministro insistiu que Johnson estava "confortável", "de bom humor" e continuando a receber documentos oficiais pelas maletas vermelhas enviadas a todos os ministros do governo.

Ao contrário dos Estados Unidos, a Grã-Bretanha não possui um sistema formal de sucessão para um chefe de governo impedido por doença de governar; cada primeiro ministro é nomeado pela rainha. No entanto, Raab detém o título honorífico de primeiro secretário de estado, indicando seu status como vice preferido de Johnson. Ele é um ex-secretário do Brexit, que concorreu contra Johnson pela liderança do Partido Conservador no verão passado.

O governo enfrentou críticas pelo atraso em ordenar o fechamento de lojas e escolas, pela escassez de testes para infecções por coronavírus e pela escassez de equipamentos de proteção para os profissionais de saúde. No entanto, os índices de aprovação de Johnson aumentaram desde que a crise teve início no meio do mês passado, em comum com líderes de outros países. E a notícia de sua piora do estado trouxe uma enxurrada de desejos por sua rápida recuperação, tanto de aliados quanto de rivais. Entre eles estava Sir Keir Starmer, o recém-eleito líder do Partido Trabalhista da oposição, que tuitou: “Notícias terrivelmente tristes. Todos os pensamentos do país estão com o primeiro-ministro e sua família durante este período incrivelmente difícil.”

A batalha da Grã-Bretanha contra a Covid-19 se tornou também a batalha pessoal do primeiro-ministro em 27 de março, quando ele revelou que havia testado positivo para o coronavírus depois de ter febre e tosse. Carrie Symonds, sua noiva grávida, revelou que ela também apresentava os sintomas.

Johnson continuou a administrar o país a partir de Downing Street, isolado da equipe e se comunicando por videoconferência. Muitos negócios do governo, incluindo a reunião semanal do gabinete, foram transferidos para o Zoom. Para demonstrar que ele permanecia no comando, ele regularmente publicava atualizações nas mídias sociais.

Em seu vídeo no dia 3 de abril, Johnson pediu aos britânicos que se mantivessem dentro das regras de distanciamento social durante o próximo fim de semana quente. Ele parecia cansado e um pouco sem fôlego. “Fiquem em casa, pessoal. Protejam o nosso NHS [Sistema Nacional de Saúde]. Salvem vidas,” ele concluiu. "Falamos em breve." O país estará aguardando ansiosamente sua próxima atualização.

*Publicado originalmente em 'The Economist' | Tradução de César Locatelli

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