Pelo Mundo

Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, é diagnosticado com coronavírus

 

27/03/2020 15:05

 

 
Londres – O primeiro-ministro britânico Boris Johnson testou positivo para coronavírus. "Hoje de manhã acordei com sintomas leves de coronavírus, com febre e tosse persistente. Por recomendação médica, fiz o teste e deu positivo. Assim, tenho feito o recomendado: estou isolado, trabalhando de casa. Mas não tenham dúvida de que, com o uso da tecnologia, continuarei liderando a minha equipe na luta contra o coronavírus", afirmou, em um vídeo postado no Twitter.

Johnson não conseguiu esconder a voz levemente rouca, nem a aparência de alguém acometido por uma gripe. Ele elogiou o Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS), que recebeu aplausos de agradecimento em massa da população na noite desta quinta-feira (26), em um evento organizado nas redes sociais.

"Quero agradecer a todos, especialmente ao admirável NHS. Foi muito emocionante participar dos aplausos de agradecimento dos britânicos ao NHS ontem à noite. Mas não é apenas ao NHS. Agradeço também à polícia, aos assistentes sociais, aos professores, a todo este incrível empenho do setor público. Também ao esforço dos 600 mil voluntários. E agradeço aos britânicos em geral, nesta luta que vamos vencer", afirmou.


Johnson também aproveitou a oportunidade para dar o seu exemplo como modelo. "Como vamos vencer esta batalha? Precisamos colocar em prática as recomendações que temos escutado nos últimos dias. Quanto mais as seguirmos, mais perto estaremos de vencer esta batalha. Obrigado a todos que estão fazendo como eu, trabalhando de casa para evitar o contágio. Fiquem em casa, protejam o NHS e salvem vidas", concluiu.

A mensagem do primeiro-ministro mudou radicalmente no decorrer deste do mês de março. No dia 3, data do lançamento do programa oficial contra o coronavírus, ele se vangloriava por apertar as mãos de todos em uma visita a um hospital. "Tenho apertado a mão das pessoas constantemente. Estive ontem à noite em um hospital onde havia pacientes com coronavírus e apertei a mão de todos que conheci. E continuo fazendo desta forma. Temos um Sistema Nacional de Saúde fantástico, um sistema de testes e de monitoramento fantásticos. Quero garantir aos britânicos que assim continuaremos", disse à época.

Em 3 de março havia 39 casos de coronavírus detectados no Reino Unido, e a Organização Mundial da Saúde ainda não havia decretado a pandemia, o que ocorreria oito dias depois. Na segunda-feira passada, Johnson decretou a quarentena para o Reino Unido. Hoje, seu caso é acrescido aos mais de 11600 de pacientes que apresentaram resultado positivo, frente aos dois primeiros detectados, em 31 de janeiro.

O nível de contágio acelerou na última semana, em um sinal de que o Reino Unido caminha em direção ao pico da contaminação, oficialmente previsto para meados de abril, caso a quarentena seja bem-sucedida. Dois mil novos casos foram confirmados nas últimas 24 horas, incluindo o príncipe Charles, herdeiro do trono. A secretária de Saúde Nadine Dorris, que testou positivo em 11 de março, já voltou a seu posto de trabalho. A primeira morte aconteceu em 5 de março. Vinte dias depois, o número oficial era de 578 mortes.

*Publicado originalmente em 'Página/12' | Tradução de Marcos Diniz



Conteúdo Relacionado