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Brexit: Labour fixa novas condições para viabilizar saída

Jeremy Corbyn mostrou abertura a viabilizar a saída do Reino Unido da União Europeia se se respeitar certas condições. Defesa do trabalho e ambiente, união aduaneira ou permanência do país nas agências e programas europeus são algumas das condições

08/02/2019 14:59

 

 
Após a derrota histórica no mês passado do acordo de Brexit levado por Theresa May ao parlamento britânico, o impasse político em torno do Brexit prossegue com desenvolvimentos a cada dia. Ontem, Jeremy Corbyn, que tem pugnado pela convocação de eleições para ultrapassar a crise, mostrou-se aberto a viabilizar um acordo que evite uma saída desordenada.

Em carta enviada a Theresa May, divulgada pelo Guardian, o líder trabalhista mostra-se disposto a aprovar um acordo de saída da União Europeia se a primeira-ministra aprovar leis que dêem cinco garantias: que os direitos e proteções britânicas em matérias como trabalho e ambiente nunca fiquem abaixo das regras europeias, uma união aduaneira que abranja todo o país, um alinhamento próximo com o mercado único europeu, a permanência do país nas agências e programas de financiamento europeus, e continuidade na cooperação judiciária e de segurança.

Este gesto representa uma ligeira evolução da posição trabalhista, ao abdicar da exigência de manter intactas todas os prerrogativas associadas aos membros do mercado único e da união aduaneira. Theresa May tem dado sinais de que poderá ceder no alinhamento dos direitos laborais e ambientais com a UE, como forma de aliciar uma parte dos deputados trabalhistas para viabilizar a nova proposta de Brexit que está a preparar. Teria para tanto de deixar leis aprovadas nesse sentido, pois os seus adversários não crêem que May permaneça no poder muito tempo, e querem acautelar o risco de governos posteriores voltarem atrás na promessa.

Entretanto, o relógio continua contar até 29 de Março, data em que com ou sem acordo o Reino Unido sairá da UE, a menos que as partes acordem uma extensão do prazo. Uma proposta parlamentar para requerer essa extensão foi recentemente rejeitada em Westminster, mas é possível que as forças políticas britânicas mudem de posição se o impasse se prolongar. Emily Thornberry, braço direito de Corbyn para as questões de política externa, apontou esta semana nesse sentido, afirmando também ontem que uma extensão do artigo 50 "é provavelmente a coisa mais prudente a fazer, para termos tempo para ver se as negociações têm sucesso ou, caso não tenham, para seguirmos um plano diferente".

*Publicado originalmente em esqueda.net

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