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Caos no México após tentativa de prender o filho de Chapo Guzmán

O acionar das forças de segurança mexicanas foi qualificado como "precipitado e mal planejado" pelo chefe da Secretaria da Defesa Nacional, Luis Cresencio Sandoval.

20/10/2019 13:50

(AFP)

Créditos da foto: (AFP)

 
A tentativa fracassada de prender Ovidio Guzmán López, filho do famoso narcotraficante mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán, deixou um saldo de oito mortos e 16 feridos. A operação chefiada pelas forças de segurança do México foi descrita como “apressada e mal planejada” pelo chefe da Secretaria de Defesa Nacional, Luis Cresencio Sandoval. O filho de Guzmán foi encontrado por acaso em uma excursão de rotina. Mas, diante do caos imposto nas ruas da cidade de Sinaloa pelos cartéis de drogas que o protegem, ele conseguiu recuperar sua liberdade. O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, informou que essa decisão foi tomada para evitar colocar em risco a vida de muitas pessoas.
 
Membros do gabinete de segurança de López Obrador assumiram ter cometidos erros na operação para capturar Ovidio Guzmán. “No desejo de obter um resultado positivo (o comando) agiu de maneira precipitada, com pouco planejamento e falta de previsão sobre as consequências”, afirmou o chefe da Secretaria de Defesa Nacional. “Chapito”, como é conhecido o sujeito, foi capturado em Culiacán, capital de Sinaloa, por uma patrulha que estava vistoria de rotina quando foi atacada, justamente quando transportava o secretário de Segurança do governo federal, Alfonso Durazo. As forças de segurança repeliram o ataque e assumiram o controle daquela casa, onde havia quatro pessoas, incluindo Ovidio Guzmán. O funcionário disse que a captura do filho do Chapo fez com que grupos criminosos cercassem a delegacia com “uma força maior que a da patrulha”. Outros grupos causaram ações violentas em diferentes partes de Culiacán, o que gerou “uma situação de pânico”.
 
“Os bloqueios foram estendidos às saídas da cidade, que permaneceram praticamente cortadas e com pessoas abrigadas em seus empregos e casas. A atividade comercial ficou paralisada por várias horas. Em várias partes, foram ouvidos tiroteios e dezenas foram observados”, disse Sandoval, que formalmente não havia informado sobre detenções. “Devido a problemas entre os trens, e à violência generalizada que ocorreu, este gabinete de segurança ordenou que as pessoas não saíssem de casa”, disse ele.
 
López Obrador admitiu que a operação foi interrompida para “salvaguardar os moradores” da área onde o narcotraficante foi acidentalmente identificado. “Eles (o gabinete de segurança) tomaram essa decisão e eu a apoiei”, disse o presidente. Ele explicou que era uma operação realizada pelo Exército, com base em um mandado de prisão para um suposto criminoso. “Houve uma reação muito violenta dos criminosos e a vida de muitas pessoas não pode ser posta colocada em risco”, relatou López Obrador. Ele acrescentou que houve uma mobilização de criminosos por toda a cidade de Culiacán, e que eles chegaram a cobrar pedágio e até fazer ações em outros municípios do Estado, como em El Fuerte. “Não queremos mortos, não queremos guerra, é difícil entender, mas a estratégia que estava sendo aplicada antes transformou o país em um cemitério”, disse o atual mandatário, em referência a Felipe Calderón (2006-2012) e Enrique Peña Nieto (2012- 2018).
 
Após a batalha desencadeada entre os narcotraficantes e as forças de segurança em Culiacán, foram registradas oito mortes, incluindo um civil e um agente da Guarda Nacional, além de 16 feridos. A operação envolveu um ônibus com 30 membros da Guarda Nacional e do Secretariado de Defesa Nacional.
 
Ovidio Guzmán López, de 28 anos, enfrenta acusações nos Estados Unidos por tráfico de cocaína, meta anfetamina e maconha, e teve um pedido de captura publicado. O Chapo Guzmán está cumprindo uma sentença de prisão perpétua na prisão federal de segurança máxima, na Flórida, considerada uma das mais seguras dos Estados Unidos e do mundo.
 
Outro elemento para adicionar à situação é o da rebelião na prisão da cidade, depois que os presos roubaram as armas de cinco carcereiros. Vários conseguiram escapar. As autoridades informaram que 51 deles continuam fugitivos.
 
*Publicado originalmente em Página/12 | Tradução de Victor Farinelli

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