Pelo Mundo

Como se preparar para a recessão de Trump

Redes de segurança fortificadas não são boas somente para indivíduos e famílias necessitadas. Também vão prevenir que a iminente recessão se torne uma crise econômica ainda mais profunda e longa

05/04/2020 15:30

''Precisamos reformar o programa de assistência social de modo que mais famílias necessitadas sejam elegíveis'' (Badsci/Flickr/CC)

Créditos da foto: ''Precisamos reformar o programa de assistência social de modo que mais famílias necessitadas sejam elegíveis'' (Badsci/Flickr/CC)

 

A pandemia global do coronavírus colocou nossa economia em queda-livre.

Mesmo com as políticas econômicas irresponsáveis de Donald Trump, como sua guerra comercial inútil com a China ou os cortes de impostos para seus doadores bilionários que detonaram o déficit, a economia, de alguma forma, deu um jeito de prosseguir – até agora.

Todos os ganhos da bolsa de valores do tempo de Trump no cargo foram varridos, e no curso de apenas uma semana em março o Índice Industrial Médio Dow Jones experienciou suas cinco maiores quedas na história.

Assista:



Pior do que um mercado de ações despencando, empresas e grandes indústrias têm sido forçadas a fechar suas janelas para ajudar a combater a rápida disseminação do vírus, colocando centenas de milhares de salários dos trabalhadores em risco.

Uma recessão a esse ponto é inevitável. Aqui estão três coisas que podemos fazer para nos preparar.

Número um: precisamos reformar o seguro desemprego para que corresponda às necessidades da economia atual.

Quando foi criado em 1935, o seguro desemprego foi feito para ajudar trabalhadores de período integral a resistirem a crises até conseguirem seus empregos antigos de volta. Mas existem menos trabalhadores de período integral na economia atual, e menos pessoas que são demitidas conseguem seus empregos antigos de volta.

Como resultado, somente 27% dos trabalhadores desempregados recebem benefícios hoje em dia, em comparação a 49% dos trabalhadores nos anos 50. Precisamos expandir a cobertura de desemprego de modo que todos sejam protegidos.

Número dois: precisamos fortalecer a assistência social, também conhecida como Assistência Temporária para Família Carentes.

Desde sua criação em 1996, o número de famílias recebendo assistência monetária diminuiu dramaticamente – e não porque estão vivendo melhor. Entre 2006 e 2018, apenas 13% das famílias foram tiradas da pobreza, enquanto o número de famílias recebendo assistência social caiu 39%.

Já fraco, o programa não se sustentou durante a Grande Recessão. O financiamento não expande automaticamente durante crises econômicas – o que significa que quanto maior o número de famílias necessitadas, menor a quantidade de dinheiro para ajudá-las. O programa também possui exigências laborais rígidas, que não conseguem ser cumpridas em uma recessão profunda. Pior ainda, muitos indivíduos necessitados já exauriram seus anos de elegibilidade para a assistência.

Precisamos reformar o programa de assistência social de modo que mais famílias necessitadas sejam elegíveis. Deveria ser mais fácil renunciar às exigências rígidas de trabalho durante uma crise econômica, e o limite de cinco anos durante a vida deveria ser suspenso.

Número três: devemos proteger o Programa de Assistência Nutricional Suplementar, também conhecido como SNAP ou cupons alimentícios.

Diferentemente da assistência social, o SNAP respondeu bem durante a Grande Recessão. Suas exigências são feitas para expandir durante crises econômicas ou recessões.

Abrir mão de exigências laborais durante a Grande Recessão tornou milhares de pessoas necessitadas, que de outra maneira não seriam aceitas, elegíveis para o programa. Entre dezembro de 2007 e dezembro de 2009, o número de participantes do SNAP cresceu 45%. O programa ajudou a manter estimadas 3.8 milhões de famílias fora da pobreza em 2009.

Mas essa pode não ser uma opção dessa vez, pois o SNAP tem sido atacado pela administração Trump, que está tentando decretar uma regra draconiana que tiraria estimados 700.000 dos nossos cidadãos mais vulneráveis do programa. Por sorte, um juiz impediu que o decreto entrasse em vigor, mas a administração ainda está lutando para aplicá-lo – mesmo em meio a uma pandemia global. Precisamos garantir que a flexibilidade e habilidade de resposta do SNAP durante crises econômicas sejam protegidas antes que a próxima recessão chegue.

Redes de segurança fortificadas não são boas somente para indivíduos e famílias necessitadas. Também vão prevenir que a iminente recessão se torne uma crise econômica ainda mais profunda e longa.

*Publicado originalmente em 'Common Dreams' | Tradução de Isabela Palhares

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