Pelo Mundo

Confrontos violentos deixam centenas de feridos no Egito

24/07/2011 00:00

Al Jazeera

Pelo menos 231 pessoas ficaram feridas após homens armados de facas atacarem manifestantes pró-reforma que estavam marchando para o Ministério da Defesa, no Cairo. Milhares de pessoas marchavam pedindo a queda do Conselho Militar que governa o país quando foram atacados por oponentes armados com facas e paus. Testemunhas disseram que a maioria dos ferimentos ocorreu quando homens começaram a atirar pedras, em frente a bloqueios militares, e pelo menos seis bombas incendiárias contra os manifestantes que revidaram com pedras arrancadas do pavimento.

Ayman Mohyeldin, da Al Jazeera, relatou que "pessoas com facas, paus e coquetéis molotov cercaram os manifestantes pacíficos" e os agrediram com suas armas. "A situação é extremamente tensa, os militares usaram gás lacrimogêneo e dispararam para o ar para empurrar a multidão para trás". Ele também disse que, além de disparar tiros de advertência, os militares não intervieram nos confrontos.

"Mas eles parecem ter sumido logo da cena. Os militares estão longe de ter a presença nas ruas que tinham até bem pouco tempo, quando estavam presentes de modo amplamente ostensivo", acrescentou Mohyeldin.

Ambulâncias foram vistas socorrendo feridos e um helicóptero do Exército sobrevoava a zona com seus holofotes brilhando no meio da multidão, disse a agência de notícias AFP.

É a segunda vez que os manifestantes tentam chegar ao Ministério da Defesa. Uma tentativa semelhante foi impedida durante a noite.

Violência rara
Os confrontos ocorrem um dia depois de a polícia militar disparar tiros no ar e bater em manifestantes que estavam bloqueando uma estrada principal, na cidade mediterrânea de Alexandria, segundo testemunhas.

Os eventos de sexta-feira foram uma rara demonstração de violência em duas semanas de protestos pacíficos, na maioria dos casos, em Alexandria, Cairo e Suez contra a decisão judicial que colocou em liberdade sob fiança dez policiais acusados de matar manifestantes durante a revolta que derrubou o presidente Hosni Mubarak, em fevereiro.

Testemunhas disseram à agência de notícias Reuters que o choque em Alexandria começou depois que centenas de manifestantes que estavam bloqueando a estrada costeira perto da sede do Exército Comando do Norte se recusaram a deixar a área.

Mais de cinco meses depois das manifestações massivas de rua que derrubaram Mubarak do poder, muitos egípcios temem que sua "revolução" tenha sido interrompida por decisão do conselho militar que está governando o país. Os governantes interinos do Egito prometeram acelerar as reformas políticas, mas milhares de pessoas mantiveram os protestos em todo o Egito na sexta-feira para defender o julgamento dos policiais.

O primeiro-ministro Essam Sharaf, em um discurso realizado logo após a posse de seu novo gabinete, na quinta-feira, prometeu a criação de um órgão anti-corrupção e trabalhar para revogar a lei de emergência, que já dura 30 anos. Ele também disse que o ministro do Interior vai nomear um assessor de direitos humanos e que grupos de defesa dos direitos humanos e da sociedade civil terão acesso às prisões. Os ativistas disseram, porém, que isso não é suficiente no atual contexto do país.

Tradução: Katarina Peixoto

Conteúdo Relacionado