Pelo Mundo

Cristina pede ao Judiciário que respeite vontade do Parlamento

10/12/2012 00:00

Telam

Créditos da foto: Telam
Buenos Aires - Durante a “Festa Pátria Popular”, que marcou a passagem do Dia da Democracia e dos Direitos Humanos na Argentina, a presidenta Cristina Kirchner se referiu à decisão da Câmara Civil e Comercial de estender a medida cautelar que permite ao Grupo Clarín continuar descumprindo a Lei de Meios e solicitou que “valorizemos esta democracia e demandemos maior democratização dos três poderes do Estado”.

Além disso, a mandatária exortou a que “a independência da Justiça não seja só do poder político, mas também do poder econômico e das corporações” e qualificou de “ferros judiciais” as medidas cautelares que favoreceram o grupo midiático, em comparação com os “ferros militares” que foram “utilizados por grupo minoritários” durante a ditadura civil-militar.

A presidenta recordou que o ex-presidente Néstor Kirchner foi o único mandatário que nos 29 anos de democracia “sentia que era preciso renovar profundamente esse poder que ditadura após ditadura, governo após governo seguia fazendo parte de um setor que seguia se beneficiando” e ressaltou que propôs para a eleição dos magistrados “um método que estivesse submetido à vontade popular”.

Por isso, convocou a valorizar essas conquistas e a demandar “maior democratização dos três poderes do Estado. A chefe de Estado indicou que “as pessoas sentem que há setores que segue atuando com outra lógica e não respeitam a vontade popular” e destacou: “Digo isso fundamentalmente em função da Lei de Meios”. Neste sentido, exigiu do Poder Judiciário e aos demais poderes que “tenham um comportamento republicano e expressem respeito à vontade popular, à vontade do parlamento, porque se não se tem respeito ao Parlamento, onde está representada a essência da democracia, de que democracia estamos falando?”.

Cristina insistiu que a Justiça não atue com “privilégios para os setores minoritários” e sublinhou: “não falo de minorias políticas ou culturais, mas sim do poder econômico concentrado do qual, em outro período, se serviram os militares. Por isso temos só 29 anos de democracia”. Neste momento, a titular do Poder Executivo chamou a “dizer as coisas pelo nome” e assinalou que “sem desconhecer a responsabilidade dos militares”, os golpes de Estado que abriram passagem às ditaduras não foram “golpes militares mas sim civil-militares”. “Que essas forças armadas tomem consciência de como foram utilizadas por grupos minoritários que logo lavaram as mãos”, afirmou.

Em seguida, a presidenta fez referência aos “grilhões midiáticos”, lembrando o dito segundo o qual “com quatro capas de um determinado meio se derrubava a um governo”, e lembrou a disputa sustentada pelo governo de Raúl Alfonsín e seu próprio mandato frente ao Clarín. E desafiou: “alguns políticos ainda o temem. Nós fomos crescendo porque foram crescendo nossas políticas, porque sabemos que a democracia se constrói todos os dias”.

“Agora, quando para alguns falham os “grilhões midiáticos” tentam construir “grilhões judiciais” e dizem que com quatro sentenças caiu o governo”, criticou Cristina, acrescentando: “Contudo, sobre o que nos tocou viver nestes anos, nossa força política e eu mesma em termos pessoais, quero dar a vocês a certeza de que vamos nos levantar uma e mil vezes. Eu não vou fraquejar se vocês não fraquejarem”, afirmou dirigindo-se a uma Praça de Maio lotada por uma multidão.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

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