Pelo Mundo

Cristina será candidata a vice em chapa para as eleições primárias na Argentina

Em vídeo de 13 minutos, Cristina afirma estar ''mais convencida que nunca de que as expectativas ou a ambição pessoal devem estar subordinadas ao interesse geral''

19/05/2019 13:16

 

 
A Argentina a despertou neste sábado (18/5) abalada por uma bomba que explodiu nas redes sociais: através de um vídeo difundido em suas diferentes plataformas, a ex-presidenta Cristina Fernández de Kirchner (2007-2015) anunciou que formará parte de uma chapa junto com o peronista Alberto Fernández nas chamadas PASO (sigla das Eleições Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias), no próximo dia 11 de agosto.


No vídeo, que dura quase 13 minutos, Cristina começa afirmando estar “mais convencida que nunca de que as expectativas ou a ambição pessoal devem estar subordinadas ao interesse geral”.

Logo, acrescenta que “esse princípio sempre repetido e tantas vezes descumprido pelo peronismo, de “primeiro a pátria, depois o movimento e por último os homens´, creio que é hora de torná-lo realidade de uma vez por todas, e não só com palavras, mas também com os fatos e as condutas. Neste caso, seria `primeiro a pátria, logo o movimento, e por último uma mulher´, permitam-me, só por um instante, um pouco de humor feminista”.

Ao anunciar que formará parte da fórmula com Alberto Fernández para enfrentar as primárias de agosto, Cristina Kirchner assegurou que partiu dela a ideia de conformar a chapa dessa forma, e também reconheceu as diferenças que teve no passado com o famoso advogado peronista. Contudo, também recordou que Fernández foi o Chefe de Gabinete durante toda a presidência de Néstor Kirchner (2003-2007) – também foi o primeiro Chefe de Gabinete de Cristina, mas durou somente oito meses no cargo, razão pela qual são conhecidas as diferenças que ela mesma admite agora.

Em seguida, Cristina justificou sua decisão de buscar a Alberto Fernández por sua capacidade de buscar acordos amplos durante “os tempos muito difíceis”, segundo ela, da Argentina pós-corralito assumida por Néstor Kirchner, em 2003. “Mas estes que os argentinos e as argentinas vivem hoje são realmente dramáticos (…) nunca tantas e tantos com problemas de comida, de trabalho, com gente desesperada chorando diante de uma conta impagável de luz ou de gás. E se analisamos a situação do Estado, ai meu Deus! A dívida externa em dólares, contraída em apenas 3 anos, é maior que a que Néstor recebeu em moratória”.

Para finalizar, disse que “a situação do povo e do país é dramática, e estou convencida que esta chapa é a que melhor expressa o que a Argentina necessita neste momento, para convocar os mais amplos setores políticos e sociais. Teremos que pensar em como governar uma Argentina outra vez em ruínas, com um povo que outra vez se encontra vez empobrecido. Está claro, então, que a coalizão que governe deverá ser muito mais ampla que a que vença as eleições”.



Quem é Alberto Fernández

Famoso advogado e professor de direito penal, membro do Partido Justicialista (PJ) desde 1995, Alberto Fernández foi uma das figuras centrais do governo de Néstor Kirchner, e era considerado, até o fim da década passada, a figura que aproximava o kirchnerismo aos setores mais conservadores dentro do peronismo, inclusive ligados ao centro e à direita do movimento.

Em 2008, ele foi a primeira baixa do primeiro mandato de Cristina como presidenta, ao apresentar sua renúncia em meio à forte disputa do governo com a Sociedade Rural, por um projeto sobre maiores impostos agrícolas – segundo ele, sua intenção foi “oxigenar a gestão”.

Anos depois, passou a ser o principal articulador da chamada Frente Renovadora (formação interna do PJ), que curiosamente era encabeçada por Sergio Massa, que o sucedeu na Chefatura de Gabinete, em 2008 – e que durou somente um ano no cargo, também por diferenças com a então mandataria.

Em 2015, Alberto Fernández foi um dos estrategistas da campanha presidencial de Massa, que terminou em terceiro no primeiro turno, com 21% dos votos, atrás do então kirchnerista Daniel Scioli e de Mauricio Macri, que ficou em segundo na primeira votação, e terminaria vencendo a disputa definitiva.

Desde então, Alberto se manteve distanciado da política, até que, neste 2019, voltou ao palco principal, como iniciador do diálogo para uma fórmula única do peronismo para as eleições do próximo mês de outubro, a qual busca integrar o kirchnerismo, a Frente Renovadora e os setores do PJ mais ao centro e à direita.

*Publicado originalmente em eldesconcierto.ch | Tradução do autor



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