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Destaque da semana: uma vitória de Trump ameaçaria as COPs 21 e 22

Trump é candidato ao título de Berlusconi norte-americano. É fruto da desilusão com a política, com a sensação de abandono que assola seu eleitorado.

07/11/2016 12:15

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 Os setores progressistas não têm qualquer entusiasmo pela possível eleição de Hillary Clinton. Eles a vêem como uma representante da ala mais à direita do establishment do Partido Democrata, embora ela tenha feito alguns esforços para conquistar os eleitores de Bernie Sanders, o pré-candidato que se anunciava como socialista e o único que manifestou preocupação perante o golpe de estado no Brasil. Hillary tem a imagem de intervencionista, agressiva diante da Rússia; apoiou a deposição catastrófica de Khadaffi na Líbia, dentre outras manifestações típicas daqueles que, na tradição norte-americana, são (pelo menos eram) chamados de “Hawks” (Gaviões, beligerantes), por oposição aos “Doves” (Pombas, pacifistas).

 

Porém, de um modo geral, com poucas exceções, aqueles setores concordam que a eleição de Trump seria uma catástrofe de dimensão bíblica, algo como o Dilúvio ou a destruição de Sodoma e Gomorra.

 

Trump é um sério candidato ao título de Berlusconi norte-americano. É fruto da desilusão com a política, com a sensação de abandono que assola parte do eleitorado reacionário de classe média, da xenofobia de coloração fascista, é falastrão, chovinista, machista, uma biruta de aeroporto que ora diz uma coisa ora diz outra, e assim por diante. Como os demais republicanos, ameaça romper o acordo sobre o programa nuclear do Irã e o reatamento das relações diplomáticas com Cuba. 

 

Mais uma ameaça paira no ar diante da possibilidade de sua eleição. Começa nesta segunda-feira, 07 de novembro, no Marrocos, a COP22, que deve começar a detalhar os caminhos para se chegar à implementação do acordo histórico firmado na COP21, em Paris, no ano passado. Acontece que Trump e os demais republicanos em sua maioria, rejeitam qualquer ideia sobre a responsabilidade humana diante do aquecimento global do Planeta. Se Trump for eleito, ele certamente vai retirar os Estados Unidos do acordo. 

 

Tal movimento teria consequências catastróficas no mundo inteiro. Para começar, foi a muito custo que Estados Unidos e China entraram em acordo para - vejam só - entrar em acordo na COP21. Uma retirada dos Estados Unidos poria na berlinda a posição da China, no mínimo. Além disto animaria todos aqueles que se opõem a qualquer limitação dos poderes das grandes corporações em relação a suas políticas de produção. Lembremos o caso escandaloso que abalou a Volkswagen mundialmente, sobre a fraude nas medições das emissões de gases dos seus motores diesel.

 

O governo alemão declarou que, com Trump ou sem Trump, manterá seu compromisso com o acordo da COP21. Seu exemplo será seguido? É difícil fazer uma antecipação com certeza. O establishment europeu depende umbilicalmente do establishment norte-americano, em quase tudo, da segurança ao comércio, e deste ao mundo financeiro. A eleição de Trump seria devastadora para as bandeiras de proteção ao meio-ambiente na Europa e no mundo inteiro.

 

A propósito da COP22, até a COP 21 o Brasil era uma referência mundial em termos de diplomacia soft sobre o meio-ambiente. Teve um papel de liderança na obtenção do acordo em Paris. Sabe-se até de uma recomendação para os representantes norte-americanos que seguissem a posição brasileira.

 

Agora… entramos em momento de grande descrédito na capacidade da diplomacia do Brasil, diante dos desmandos e patadas - pataquadas - da nossa “nova” política externa, anacrônica, provinciana, ao mesmo tempo belicosa (com os pequenos e os pares) e subserviente (diante dos grandes). Vamos ver como ficará nosso país nos labirintos da COP22. 


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