Pelo Mundo

Destaque internacional da semana: Trump começa a dizer a que veio

Trump voltou a falar na construção do muro na fronteira com o México, embora, desta vez, sem se referir a quem pagaria por ele.

14/11/2016 12:42

Gage Skidmore

Créditos da foto: Gage Skidmore

Durante sua campanha, Donald Trump deu uma série de “dicas” sobre o que faria se e quando eleito. Eram tiradas sempre apelando para sentimentos xenófobos, misóginos, anti-muçulmanos, promessas como a de construir um muro fechando a fronteira com o México para impedir a entrada de imigrantes, ataques à chanceler Angela Merkel, denunciando que a Alemanha se encontra num estado “caótico” com o aumento da criminalidade devido à presença maior de refugiados, etc

 

Depois da eleição Trump maneirou, e viveu na semana passada um momento de “paz e amor”: elogios a Hillary Clinton (a quem ameaçara com a cadeia), visita de cortesia à Casa Branca, deixando aparecer uma imagem mais diplomática.

 

Neste começo de semana, no entanto, embora de modo mais moderado do que antes, Trump retomou alguns dos temas de sua campanha. Nesta, falava em expulsar 11 milhões de imigrantes considerados irregulares. Agora voltou a falar no assunto, baixando o número de candidatos à deportação para três milhões. Assim mesmo, trata-se de um número enorme, equivalente à população do Distrito Federal ou da cidade de Salvador. Por outro lado, deu a entender que favorece o casamento de pessoas do mesmo sexo, mas que é favorável a deixar a questão da legalidade dos abortos para os estados, o que equivale e permitir que ela venha a ser encarada de modo mais duro. Voltou a falar na construção do muro na fronteira com o México, embora, desta vez, sem se referir a quem pagaria por ele. Disse também que “talvez” mantenha “parte” da política de saúde do governo

 

Obama, de estabelecer um sistema público que atenda a população mais pobre.

 

Deu duas sinalizações importantes, ao nomear Stephen Bannon como “estrategista chefe” e “conselheiro senior” da presidência, e Reince Priebus, como “chefe de pessoal” da Casa Branca. Bannon é conhecido por posições de extrema-direita, acusado de declarações racistas e atitudes misóginas. Muito crítico do establishment republicano, é um verdadeiro espantalho para este. Priebus, ao contrário, durante a campanha foi o principal articulador de Trump junto a este establishment, inclusive o dos financiadores de políticos nos EUA.

 

Sobre política externa, Trump ainda não se manifestou depois da eleição.

 

No que toca a esta eleição, o governo brasileiro, com o chanceler José Serra à frente, perdeu mais uma vez a oportunidade de ficar quieto. Serra previu a impossibilidade da vitória de Trump, exacerbando suas funções: não cabe a um chanceler fazer previsões desta natureza, mesmo que se ache possuidor de uma bola de cristal e um aprendiz de feiticeiro. De todo modo, era claro o clima de torcida pró-Clinton tanto no governo quanto na imprensa conservadora do Brasil, assim como ficou claro o clima de decepção e desacerto com a derrota desta e a vitória de Trump. A contrariedade imprecisa desarmou o clima de bolha de sabão otimista em torno de coisas como a Parceria Trans-Pacífica e a reinserção subordinada do Brasil na  esteira norte-americana, que agora se transformou numa incógnita.

 

Ao mesmo tempo, é preocupante ver vozes de esquerda no Brasil que se levantam para, no limite, até saudar a vitória de Trump, que nada promete de bom para o mundo. Quem pode de fato saudar a vitória de um proto-fascista como ele é Bolsonaro, ao lado de Marine Le Pen, Gert Wilders, Frauke Petry (do AfD alemão), Nigel Farage (do Brexit inglês), além da extrema-direita italiana.


Conteúdo Relacionado