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Dinamarca: maioria passa para "bloco vermelho" à esquerda

Nas eleições legislativas dinamarquesas desta quarta-feira o "bloco azul" de quatro partidos liberais e de direita, que governava desde 2015, perdeu a maioria para um "bloco vermelho" liderado pelo centro-esquerda. A social-democrata Mette Frederiksen deverá ser a próxima primeira-ministra. No entanto, o seu partido tem cedido à direita em questões de imigração

06/06/2019 13:17

Mette Frederiksen, provável próxima primeira-ministra dinamarquesa, num discurso em junho de 2017. (News Oresund/Wikimedia)

Créditos da foto: Mette Frederiksen, provável próxima primeira-ministra dinamarquesa, num discurso em junho de 2017. (News Oresund/Wikimedia)

 

Pouco mais de uma semana após as eleições europeia, a Dinamarca foi a votos para eleger um novo governo. Os resultados indicam que a social-democrata Mette Frederiksen deverá ser a nova primeira-ministra, sucedendo ao liberal Lars Lokke Rasmussen.

Numa eleição muito participada, com uma abstenção de apenas 15%, os social-democratas, de centro-esquerda, foram os mais votados com 25,9% dos votos e 48 dos 179 lugares do Folketing, o parlamento dinamarquês — ganharam um lugar em relação às eleições anteriores. Em segundo lugar ficaram os liberal-conservadores do Venstre, do primeiro-ministro Lars Lokke Rasmussen, com 23,4% e 43 lugares, mais nove que anteriormente.

Além dos dois maiores partidos, conta-se mais cinco partidos acima da dezena de deputados: a direita nacionalista xenófoba do Partido Popular Dinamarquês (DF, 8,7% e 16 lugares, perdeu 21), os social-liberais do Radikale Venstre (8,6%, 16 lugares, ganhou oito), a esquerda verde do Partido Popular Socialista (SF, 7,7%, 14 lugares, ganhou sete), a esquerda radical e também verde da Aliança Verde-Vermelha (6,9%, 13 lugares, perdeu um), e finalmente o Partido Popular Conservador, de centro-direita (DKF, 6,6%, 12 lugares, ganhou seis).

O mapa parlamentar bastante diversificado não termina aqui, pois outros três partidos conseguiram entre quatro e cinco lugares: a Alternativa (mais um partido verde, filiado no DiEM25 de Yanis Varoufakis, desceu de 9 para 5 deputados), a Nova Direita (NB, cisão à direita do DF, de linha libertária anti-imigração, estreia-se com quatro deputados) e a Aliança Liberal (LA, desce de 13 para 4 deputados). Ao todo, dez partidos estarão representados no Folketing.

Desde 2015, a Dinamarca era governada por uma coligação entre o Partido Popular Dinamarquês, Venstre (do primeiro-ministro Rasmussen), Aliança Liberal e Partido Popular Conservador, que dispunha de 90 lugares no parlamento — uma maioria de apenas um voto.

Com estes resultados, o equilíbrio de poder passou do chamado "bloco azul" de partidos à direita, que conquistou 75 lugares, para o "bloco vermelho" à esquerda, que conquistou 90. Apesar dos liberal-conservadores de Rasmussen terem tido um bom desempenho, crescendo mais que os social-democratas, isso não bastou para compensar as grandes quedas da direita xenófoba do DF e também da Aliança Liberal. Não obstante, os próprios social-democratas têm cedido à direita em questões de imigração. Do novo equilíbrio de forças com os seus parceiros à esquerda se verá se essa linha de cedência se vai manter.

Apesar da maioria do "bloco vermelho", o primeiro-ministro Rasmussen surpreendeu ao não se dar por vencido. Reagindo aos resultados por volta da meia-noite, afirmou que o seu governo cairia mas que pretendia continuar como primeiro-ministro, e que pediria à rainha da Dinamarca autorização para tentar formar um governo de bloco central.

Já depois da meia-noite local, a líder dos social-democratas Mette Frederiksen recusou a hipótese de um bloco central, afirmando que pretendia assumir ela o posto de primeira-ministra através de "um governo apenas social-democrata". Rasmussen, num debate entre líderes partidarios após os resultados, reconheceu que o seu tempo no poder terminara nesse cenário, mas manteve a oferta para negociar, afirmando que os outros partidos à esquerda seriam um parceiro mais difícil para os social-democratas que ele mesmo.

*Publicado originalmente em esquerda.net

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