Pelo Mundo

Ditos e desditos: ainda o 11 de setembro de 2001

12/09/2011 00:00

Reginaldo Nasser

Vale a pena conferir artigo de George Will (Washington Post, 09/09/2011)em que faz algumas comparações bastante apropriadas entre o aniversário dos ataques terroristas no dia 11 de setembro e o 8 de dezembro de 1951 (um dia após o 10º aniversário de Pearl Harbor). Nesse dia, a primeira página do New York Times fazia uma breve menção às comemorações do dia anterior. Já o Washington Post apresentava uma fotografia de navios de guerra em chamas e um breve relato de seis parágrafos. Talvez o que estamos presenciando hoje, seja a manifestação, consciente ou inconsciente, de uma estratégia diversionista que prefere não pesar devidamente os fracassos da “nova guerra do século XXI”, nas palavras do ex-secretario de Defesa Rumsfeld. Depois de milhares de imagens, centenas de análises e dezenas de teorias conspirativas há algumas perguntas que, além de não serem respondidas adequadamente, nem sequer são mencionadas.

Creio que vale a pena lembrá-las novamente. Pois fatos conspiram. Trilhões de dólares foram gastos no sistema de defesa dos EUA e nenhum caça americano se ergueu? Na verdade, houve tentativa de interceptação sim. No final da manhã do dia 11 de setembro de 2001, Heather Lucky Penney caminhou para a pista para pilotar um F-16 com a missão de derrubar o avião da United Airlines 93. Detalhe: o seu F-16 nem sequer ia armado; não tinha munições nem mísseis para atingir o Voo 93. Segundo o piloto, a alternativa era provocar um choque com as asas de seu caça! Já o F-16 que deveria interceptar o boeing que se dirigia para proteger o Pentágono -notem bem – chegou minutos depois!

Sim, é verdade que há uma série de teorias conspiratórias completamente estapafúrdias, mas que são constantemente utilizadas justamente para desacreditar todo e qualquer e desvio da “História Oficial”. Convenhamos, entretanto, que não se pode incluir nessa série dois dos principais representantes da imprensa conservadora nos EUA: William Safire e Robert Novak.

No dia 13 de setembro, Novak escreve no The New York Post ("Beyond Pearl Harbor") que especialistas em segurança aérea e autoridades concordam, reservadamente, que o seqüestro simultâneo de quatro aviões revelava um "inside job”, indicando, provavelmente, cumplicidade além de má-fé de pessoas infiltradas nas organizações de inteligência. O que, segundo suas própria palavras, tornam “ainda mais sinistras as conseqüências nacionais dessa terça-feira” (11 de setembro).

Escrevendo no mesmo dia no New York Times, com chamada na primeira pagina, Safire ("Inside the Bunker") se lamentava de ter criticado duramente o presidente Bush, um dia antes, por ter se refugiado num abrigo nuclear e não ter ficado na Casa Branca. De acordo com Safire, um "alto funcionário da Casa Branca" (Karl Rove,assessor da Casa Branca) disse-lhe que a mensagem de ameaça de morte recebida pelo serviço secreto foi retransmitida para os agentes dizendo que o Air Force One (avião do presidente) seria o próximo. Além disso, a mensagem utilizava códigos secretos mostrando conhecimento dos procedimentos de segurança pessoal do presidente Bush. Esse conhecimento de palavras cifradas e do paradeiro presidenciais, escreve Safire, “indica que os terroristas podem ter um espião na Casa Branca ou informantes no Serviço Secreto, FBI, CIA”. E, por fim, conclui de forma lógica: Se assim for, a primeira coisa que a nossa guerra contra o terror necessita é uma ação contra espionagem do tipo Angleton (um dos mais importantes agentes da contra inteligência norte-americana entre 1951 e 1973).

Não custa nada lembrar que no dia 22 de abril de 2000, reportagem no The Washington Post (Missing laptop had arms secrets) denunciava o roubo de laptop do Departamento de Estado que continha milhares de documentos secretos sobre tecnologia de mísseis, armas nucleares, químicas e biológicas, incluindo informações altamente confidenciais sobre as fontes e métodos de coleta de inteligência EUA. O roubo, diz a matéria, representa uma das perdas mais graves de informações secretas nos EUA com o caso. Na verdade, o incidente com o laptop era apenas um a mais numa série de violações de segurança.

Essa história de uma possível infiltração dentro da Casa Branca é um dos grandes mistérios não resolvidos de 11/09. Como é que os terroristas adquiriram conhecimentos para enviar uma ameaça diretamente ao Serviço Secreto - e por que eles revelam suas capacidades desta forma? Por que a surpreendente revelação de Safire não provocou uma investigação do Congresso? Por que nem mesmo blogs de todos os perfis ideológicos, think thanks, jornais, tratam dessas informações? Por que há um silêncio sepucral sobre esses dois artigos?

(*) Professor de Relações Internacionais da PUC (SP) e do Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC-SP).

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