Pelo Mundo

Donald Trump: um candidato nazi na fronteira

Os planos de Trump também têm uma visão a longo prazo e expressam as ambições e os interesses do setor do capital financeiro internacional.

13/09/2016 18:19

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O convite do presidente do México ao candidato presidencial estadunidense Donald Trump não foi um erro, nem um descuido. É uma iniciativa coerente da política adotada pelos governos mexicanos, cada vez mais acentuada desde a assinatura do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA): abrir as portas às finanças, aos aparatos militares e policiais, numa aliança militar, financeira e comercial onde regem, como é de costume nos acordos desiguais, a razão e a lei do mais forte. O presidente e general Porfirio Díaz – autor da célebre frase “pobre México. Tão longe de Deus, tão perto dos Estados Unidos”–, que nunca chegou a esses extremos, se reviraria na tumba em Paris se pudesse ver onde chegamos, um século depois de sua partida deste mundo.
 
Donald Trump veio ao México para mostrar aos seus partidários no próprio México – que não são poucos –, no diálogo cara a cara com o presidente Enrique Peña Nieto, a solidez e a força de suas opiniões e de sua política de desprezo contra o país e contra tudo o que é mexicano.
 
Qual é a surpresa? Mesmo antes da entrevista, extremos diversos da política mexicana não escondiam a estupefação, do ultraliberal Enrique Krauze ao social-democrata Cuauhtémoc Cárdenas, e não só eles, senão muitos mais. A nação mexicana escutou com assombro as desconexas explicações do seu governo diante deste vexame descomunal: ter como convidado de honra a um político que ganhou notoriedade nos insultando há bastante tempo, segundo o registrado pela imprensa internacional.



Ao regressar ao seu país, Trump convocou uma coletiva onde informou, explicou e se vangloriou de suas palavras e sua conduta em território mexicano, assim como da recepção oferecida pelo presidente Peña Nieto. Palavras que mostravam soberba, direcionadas a um público que aclamava cada um dos seus parágrafos:
 
“Vamos a construir um grande muro ao longo de toda a fronteira sul, e o México pagará por esse muro. Desde o primeiro dia, vamos a começar a trabalhar num muro, que será alto, físico, poderoso e impenetrável, e cobrirá toda a nossa fronteira”.
 
“Depois de me reunir com seu maravilhoso presidente – repetiu o `maravilhoso´ algumas vezes –, creio que eles querem resolver este problema junto conosco, e tenho certeza de que o farão”.
 
“Criarei uma nova força-tarefa especial, voltada a cuidar de casos de deportação, concentrada em identificar e retirar rapidamente do país os imigrantes mais perigosos, criminosos e ilegais, que evadiram a justiça, assim como Hillary Clinton também evadiu a justiça”.
 
“Vamos suspender a emissão de vistos em qualquer lugar onde não seja possível exercer um controle adequado. Eu chamo isso de `veto extremo´. Entenderam? `Veto extremo!´. Esse será o nível de dureza, e se alguns podem entrar aqui, está bem, mas terão que ser bons: isso é o que significa o extremo. Entre os países que serão incluídos na lista de suspensão estarão lugares como Síria e Líbia”.
 
“Outra reforma que ele estabelecerei é a de novas provas de admissão para todos os solicitantes de vistos, entre as quais se incluirá uma certificação ideológica, para assegurar que aqueles a que recebemos em nosso país defendem os nossos valores e amam o nosso povo – isso é muito importante se queremos direcionar isso às pessoas corretas, e a partir de agora admitiremos aqui somente gente correta”.



Este é Donald Trump e esta é a sua política para a relação dos Estados Unidos com o México e com o mundo. Este é o personagem engendrado por esta época nova, na qual o capital financeiro, suas frações nacionais, suas necessidades, suas razões, os governos ao seu serviço e com seus exércitos, se disputam a dominação dos mercados e dos territórios.
 
Temos um poderoso nazi em nossa fronteira, e um que é candidato a presidente dos Estados Unidos, conquistador do Partido Republicano, e talvez – não sabemos –, o próximo presidente. Trump não pertence à espécie fascista de Mussolini, mas sim a dos nazis, de Hitler: racista, exterminador, ameaçador, semeador de ódios contra povos inteiros. Será eleito em novembro? Hoje não sabemos.
 
Mas os planos de Trump e de seu grupo político e econômico também têm uma visão a longo prazo, e expressam as ambições e os interesses do setor do capital financeiro internacional, cuja sede nacional, política e militar – não há finança sem exército – está nos Estados Unidos da América, hoje desafiado mais e mais pelas outras diversas e poderosas sedes: Rússia, Índia, China, para citar somente as mais visíveis e consolidadas tecnológica, populacional e territorialmente. Ganhe ou não a eleição, com essa nova, violenta e poderosa força estadunidense, será preciso lidar com os perigosos anos que se anunciam.
 
Neste contexto, é difícil imaginar uma política internacional mais desastrosa que a posta em prática pelo governo federal mexicano, com este convite presidencial a Donald Trump e o posterior silêncio com respeito à multiplicação dos seus insultos, suas ameaças e sua desfaçatez.
 
Tradução: Victor Farinelli



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