Pelo Mundo

EUA desrespeitam direitos de imigrantes

21/01/2004 00:00

Mumbai - Há mais de 150 milhões de imigrantes no mundo hoje. Deste total, menos de 2% vivem nos Estados Unidos. No entanto, entrar no país que é a maior potência econômica atual continua sendo o desejo de homens e mulheres que, todos os anos, se arriscam para atravessar a fronteira norte-americana na busca de uma vida melhor.
Mas o número de imigrantes admitidos tem diminuído devido à aplicação de uma rigorosa lei americana que dificulta a obtenção da residência permanente nos Estados Unidos. Segundo dados da Rede Nacional para os Direitos do Imigrante e do Refugiado, uma aliança composta por 200 organizações locais baseadas no país, 11 milhões de pessoas vivem na América ilegalmente, sofrendo todos os tipos de violação de seus direitos.
No início do ano, o presidente americano George W. Bush anunciou uma proposta de reforma para o setor que, segundo a expectativa da rede, deveria cumprir sua promessa de campanha de regularizar o status dos imigrantes ilegais que trabalham no país. No entanto, a proposta feita por Bush de oferecer um visto temporário e renovável de três anos deve levar à piora da qualidade de vida de quem ainda não tem direito à permanência.
O fato do departamento que cuida da segurança nacional ser o responsável pela implementação do programa proposto também é preocupante. Depois de 11 de setembro, a militarização da fronteira tem contribuído para a discriminação, abuso e violência dos que tentam entrar nos Estados Unidos.
“As mortes que acontecem na fronteira do México com os Estados Unidos, por exemplo, não deveriam ser permitidas. Os imigrantes estão perdendo sua dignidade”, afirma Francisco Arguelles, mexicano que faz parte da Rede Nacional para os Direitos do Imigrante e do Refugiado.
Mobilização internacional
Reunidos no Fórum Social Mundial na Índia, representantes dos cinco continentes debateram os direitos humanos dos imigrantes que moram nos Estados Unidos e discutiram formas de organização para enfrentar juntos os novos problemas que têm surgido no contexto de um mundo globalizado.
“A globalização econômica influencia diretamente a questão do emprego, aspecto central na vida dos imigrantes. Com os mercados livres e as multinacionais, um número cada vez maior de pessoas será obrigado a deixar seu país em busca de trabalho. Por isto, este deixou de ser um debate doméstico, se tornou global”, explica Maricela Garcia, presidente da Coalizão de Imigrantes Guatemaltecos nos Estados Unidos e membro da direção da Rede.
Ela faz parte de uma das comunidades mais organizadas na luta pelos direitos humanos relacionados à imigração: a dos latino-americanos que, nos Estados Unidos, têm buscado o apoio de sindicatos, igrejas e da comunidade negra. “Fazer alianças com os negros é central para nós. Se você é uma pessoa de cor nos Estados Unidos, você não é apenas um imigrante. Você também não é branco. Não é apenas uma questão de xenofobia, mas também de racismo”, diz Maricela.
Outra estratégia de ação da Rede Nacional para os Direitos do Imigrante e do Refugiado é estabelecer programas de educação com os governos de origem para que os que chegam aos Estados Unidos estejam informados sobre seus direitos e, inclusive, sobre o trâmite na fronteira do país. Na Guatemala, por exemplo, a economia depende do dinheiro enviado ao país pelos imigrantes, que ultrapassa a soma de 53 milhões de dólares. É a maior remessa do exterior para o país. Por isso, a justa reivindicação.
Na prática, o objetivo é deixar claro para quem se arriscar a uma nova vida fora de casa os desafios que encontrará pela frente, como morar nos piores lugares, conseguir os piores empregos e viver se escondendo do serviço de imigração.
“O Estados Unidos não são a Disneylândia. Eles nunca vão encontrar o que vêem na TV, isso não é real. É assim que eles vendem o sonho americano para as pessoas, mas somente os ricos têm esta vida”, explica Maricela. “Mas não há escolha porque não conseguimos emprego em nossos países. Todo mundo quer voltar para casa, mas esta não é uma questão de dinheiro, é de sobrevivência”.
Por isso, uma das maiores reivindicações de quem veio ao Fórum Social Mundial é que a imigração não seja vista como a única alternativa de sobrevivência para tantos latino-americanos. A solução – e é para isso que tanto lutam estes militantes – é os países criem suas próprias políticas de desenvolvimento econômico e geração de emprego e parem de exportar seres humanos como trabalhadores baratos.
FÓRUM SOCIAL MUNDIAL 2004
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