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EUA dobram apoio à Arábia Saudita ignorando pesadelo humanitário no Iêmen

Os comentários do secretário de Estado reafirmam o apoio contínuo à campanha do bombardeio mesmo com pedidos para "cancelar todo apoio militar"

04/12/2018 10:03

Secretário de Estado Mike Pompeo (Screengrab/CNN)

Créditos da foto: Secretário de Estado Mike Pompeo (Screengrab/CNN)

 

O secretário de Estado Mike Pompeu aceitou o apoio contínuo dos EUA à Arábia Saudita para continuar com a guerra devastadora no Iêmen.

Os comentários de Pompeo na CNN vêm dias depois de o senado dos EUA avançar lei que terminaria com o envolvimento dos EUA na guerra de três anos de duração, enquanto um representante da ONU alertou que “o Iêmen está à beira de uma grande catástrofe”, e o WSJ reportou uma avaliação da CIA que implicava fortemente o príncipe coroado saudita Mohammed bin Salman na morte do jornalista Jamal Khashoggi.

Falando com Wolf Blitzer na cúpula do G20, Pompeo disse que a administração tinha a intenção de manter “a relação estratégica com o reino da Arábia Saudita”.

Perguntando por Blitzer sobre a perda de apoio no Congresso pela participação na guerra e se os EUA continuariam a apoiar a campanha de bombardeio do reino no Iêmen, Pompeo respondeu, “no programa que estamos envolvidos hoje pretendemos continuar”.

Líderes de organizações de ajuda humanitária, no entanto, essa semana, pediram pelo término do “programa”. Eles alertaram aos EUA que voltasse atrás e suspendesse todo apoio militar à coalizão saudita/EAU no Iêmen afim de salvar milhões de vidas. Nos dói escrever isso, mas não podemos escapar da verdade: se os EUA não cessarem seu apoio militar à coalizão, também será responsável pelo que pode ser considerada a maior carestia em décadas.

Mark Weisbrot, co-diretor do Centro de Pesquisa Política e Econômica e presidente da Just Foreign Policy, expressou no Guardian esperança de que o apoio militar finalmente tenha uma data de validade graças à votação da Resolução de Poderes de Guerra.

“A ação do senado foi verdadeiramente histórica por muitas razões”, ele escreveu:

Primeiro tem a magnitude dos crimes de guerra que o senado está tentando encerrar. Inanição em massa foi usada como arma de guerra pelos sauditas e seus aliados dos Emirados, levando 14 milhões de pessoas à beira da inanição. Mais de 85.000 crianças já morreram desde que sua campanha de bombardeio começou em 2015. Como foi notado durante o debate no senado, os aviões sauditas e dos Emirados também bombardearam locais de tratamento de água e outras infraestruturas civis essenciais, levando à um surto de cólera que já matou milhares.

“A publicidade crescente dada aos crimes de guerra no Iêmen, sua ampla escala, e, agora, a participação inegável do exército dos EUA podem ter forçado alguns políticos dos EUA a repensarem suas posições”, ele continuou. “Querem ser lembrados por votarem para matar milhões de inocentes no Iêmen?”

*Publicado originalmente no Common Dreams | Tradução de Isabela Palhares

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