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EUA: é esperada uma terceira onda de COVID-19

 

06/10/2020 14:07

Dr. Ala Stanford administra um teste de cotonete COVID-19 em Wade Jeffries no estacionamento da Pinn Memorial Baptist Church na Filadélfia. (AP Photo/Matt Rourke)

Créditos da foto: Dr. Ala Stanford administra um teste de cotonete COVID-19 em Wade Jeffries no estacionamento da Pinn Memorial Baptist Church na Filadélfia. (AP Photo/Matt Rourke)

 

As tendências recentes no número de novos casos de COVID-19 nos Estados Unidos sugerem que uma terceira onda da pandemia atingirá em breve, pois o vírus continua se espalhando por estados do meio-oeste e do oeste. Após os picos elevados em meados de julho, os novos casos desaceleraram, diminuindo até atingir o mínimo mais recente em meados de setembro, com pouco mais de 35.000 casos por dia em uma média móvel de sete dias. Os números, entretanto, começaram a subir novamente, chegando perto de 44.000 por dia, em média, um aumento de 26% em apenas algumas semanas.

Globalmente, o número de novos casos diários de COVID-19 atingiu um máximo de 294.000 em uma média de sete dias. Houve 35,66 milhões de casos e 1,045 milhão de mortes nos dez meses desde que foi reconhecido que o mundo estava enfrentando um surto de um novo coronavírus, um patógeno respiratório mortal contra o qual ninguém no planeta tinha imunidade.

No curso caótico e turbulento da pandemia global, os Estados Unidos se firmaram como o epicentro persistente, tendo enfrentado duas ondas na primavera e no verão que viram 7,67 milhões de casos confirmados com 215.000 mortos. A doença impactou primeiro fortemente o Nordeste e depois se espalhou para o Sul, ao longo do cinturão do Sol, e agora está profundamente arraigada em todo o país.

O Dr. Tom Inglesby, diretor do Centro Johns Hopkins para Segurança Sanitária da Escola de Saúde Pública Bloomberg, observou assustadoramente: “A informação mais recente é que 90% do país ainda não foi exposto ao vírus. O vírus não mudou e tem a capacidade de se espalhar rapidamente se tiver uma chance.” Para a maioria significativa que ainda pode ser vítima da COVID-19, a experiência dos últimos dez meses e o curso atual da pandemia são um aviso terrível.

A hospitalização do presidente Donald Trump após o teste positivo para COVID-19 deixou claro como o vírus pode se espalhar facilmente. A celebração do Rose Garden da Casa Branca, dez dias atrás, lotada com 150 pessoas com total desrespeito à prevenção com máscaras e ao distanciamento social, foi um aparente evento de supercontágio que resultou na infecção de vários senadores, funcionários da Casa Branca, Trump e sua esposa.

De acordo com o jornal USA Today, a Casa Branca rejeitou na segunda-feira a oferta do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) para investigar o evento rastreando e testando os expostos. Ironicamente, no mesmo dia o CDC também postou em seu site o esclarecimento há muito aguardado afirmando que o coronavírus pode se espalhar por meio de transmissão aérea. “Há evidências”, eles escrevem, “de que sob certas condições, as pessoas com COVID-19 parecem ter infectado outras que estavam a mais de 6 pés de distância” [1,83m].

O passeio de Trump nas redondezas do hospital Walter Reed no domingo é o melhor exemplo de seu desprezo e descaso absoluto pela segurança e bem-estar do público antes de receber alta para a Casa Branca para continuar seu tratamento. O acesso aos melhores cuidados médicos e tratamento está prontamente disponível para Trump e sua turma, com a classe trabalhadora pagando pelo custo do tratamento. O mundo nunca saberá quantos indivíduos infectados da idade de Trump foram expulsos de hospitais para morrer em casa ou foram encontrados mortos em salas de emergência porque não havia leitos disponíveis para eles.

Enquanto Trump continua a minimizar a gravidade da pandemia, o vírus se estabeleceu no meio-oeste com grandes picos em Wisconsin, Minnesota, Missouri, Dakotas, Utah e Wyoming. Seis estados que atingiram um recorde de hospitalizações por COVID-19 nos últimos dias, com base nos dados do painel do COVID Tracking Project. Devido à falta de rastreamento sério de contatos e testes inadequados da população, as hospitalizações se tornaram o substituto para determinar a existência de surtos graves em uma área, apesar de ser um indicador extremamente tardio.

Minnesota viu cinco dias consecutivos de casos COVID-19 recém-confirmados excedendo 1.000, um aumento de 7,3 por cento em sete dias. Muitos dos recém-infectados são uma população mais jovem, e as autoridades de saúde aplaudiram a queda nas taxas de hospitalização. No entanto, as mortes relatadas são entre idosos em residências assistidas.

Estudos mostraram que a infecção da população mais velha vem algum tempo depois daquelas da geração mais jovem que transmite o vírus. A morte continua sendo um indicador lento do aumento de infecções. Como observou a Rádio Pública de Minnesota, o número de crianças em idade escolar infectadas cresceu com quase 10.000 casos totais entre aqueles de 15 a 19 anos, representando quase 10 por cento de todos os casos. O aumento de casos está ocorrendo no centro e norte de Minnesota, em áreas mais rurais do estado.

*Publicado originalmente em 'World Socialist Web Site' | Tradução de César Locatelli

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